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·21 Juli 2026
O Benfica vai vender os segredos da Formação, e ainda cobra por isso: nasce o Institute for Sport Excellence

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Deixem-me começar pelo ponto que vos vai fazer levantar a sobrancelha. O Benfica decidiu abrir a caixa onde guarda o saber de mais de um século de alta competição e pô-lo à venda. Chama-se Benfica Institute for Sport Excellence, foi apresentado a 21 de julho na Tribuna Presidencial da Luz, e a ideia é simples de dizer e ousada de fazer: partilhar para elevar.
Rui Costa foi o primeiro a falar. Disse que o clube forma campeões, mas acima de tudo forma pessoas, e que o verdadeiro legado de uma instituição não se mede só por títulos, mede-se pela capacidade de ensinar e criar valor para os outros. Bonito no papel. Agora reparem no que isto é na prática: o Benfica Campus e a Luz transformados num laboratório aberto, com universidades, empresas e startups convidadas a estudar o que se faz ali dentro.
E aqui está o ângulo que interessa. Não é o Benfica a dar prendas aos adversários. É negócio, e negócio bem pensado.
O instituto assenta em três pilares. Primeiro, a formação, com o curso inaugural Fundamentos da Metodologia Benfica a arrancar ainda este mês, destinado a treinadores em início de carreira. Depois vêm programas de análise de performance, nutrição de alta competição e gestão de academias, e já no início de 2027 há Football Finance e Talent ID scouting. O curso online tem apenas 30 vagas e já há lista de espera. Custa perto de 900 euros, com 20 por cento de desconto para sócios e 10 por cento para adeptos registados.
O segundo pilar é o Benfica Exchange, uma plataforma para centralizar os pedidos que chegavam dispersos, universidades a pedir dados, startups a testar equipamentos, clubes à procura de orientação. O terceiro é a disseminação da ciência no desporto.
Mas a resposta mais afiada do dia veio de Elizabete Cardoso, Dean do instituto e administradora da SAD. À pergunta óbvia, não estão a entregar o ouro à concorrência?, respondeu com uma frase que devia ficar gravada: a excelência não é estática. Ou seja, mesmo que ensinassem tudo, estariam apenas a partilhar o que já funcionou no passado. O futuro é uma metodologia ainda mais avançada, que fica em casa. E há curadoria, o clube escolhe os projetos que aceita, nos seus termos e a seu favor.
O investigador Thilo Kunkel, membro do Conselho Científico, resumiu o espírito da coisa: as organizações que continuam a evoluir são as que estão dispostas a aprender e a colaborar. O Benfica, disse, é aberto e confiante ao ponto de convidar os outros a estudar e a desafiar a sua própria abordagem.
É uma jogada inteligente. Vende-se o mapa antigo enquanto se desenha o novo. E entretanto, quem pagou o curso fica a treinar segundo o modelo de um clube presente em mais de 40 países. Chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe visão.







































