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·22 Februari 2026
O FATO LAMENTÁVEL: Zagueiro do Bragantino tem fala machista e é obrigado a pedir desculpas à árbitra

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A eliminação do Bragantino para o São Paulo ganhou contornos que foram além do campo, por causa das declarações de Gustavo Marques na saída de campo. Antes disso, a súmula já registrava um episódio de confronto direto dos jogadores do mandante com a arbitragem: após o apito final da árbitra Daiane Muniz, Juninho Capixaba se aproximou dela e disse: “Vocês nos roubaram! Vão comemorar com eles! Vocês são safados!” Isso lhe resultou um cartão vermelho imediato.
O episódio, porém, foi ofuscado pela entrevista do zagueiro, autor do único gol do Bragantino. Ele afirmou: “Não adianta nós jogarmos contra São Paulo, Palmeiras e Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo deste tamanho.” Gustavo ainda disse que a árbitra “não foi honesta” e concluiu que “a Federação Paulista não tem que colocar uma mulher nos jogos deste tamanho”, acrescentando que ela “não tem capacidade para apitar um jogo destes”. As frases circularam rapidamente nas redes sociais e provocaram reação imediata.
O Bragantino publicou nota oficial afirmando que “não compactua e repudia a fala machista” do atleta. O clube reconheceu o erro, disse que “nada justifica o que foi dito, seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade”, e comunicou que estudará nos próximos dias uma punição interna. Pouco depois, a Federação Paulista de Futebol divulgou nota de repúdio, classificando a fala como “primitiva, machista, preconceituosa e misógina” e incompatível com os valores do esporte. A entidade afirmou ser “absolutamente estarrecedor que um atleta questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero”, manifestou apoio a Daiane “e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol” e informou que encaminharia as declarações à Justiça desportiva para providências.
Em seguida, a assessoria de imprensa do Bragantino informou que Gustavo voltaria a se pronunciar. Em nova entrevista, ele disse querer “pedir perdão para todas as mulheres do Brasil e do mundo”. Afirmou que “falou coisas que não deveria naquele momento” e declarou estar “mal” e “triste” com a repercussão. “A minha esposa já me xingou, a minha mãe já me xingou”, revelou. “Estou sendo homem, estou sendo ser humano, e todo ser humano erra.” Questionado se mudava sua avaliação sobre a arbitragem, respondeu que não, mas acrescentou: “Temos que ter respeito com quem apitar nossos jogos, seja homem ou mulher. Como eles, nós também estamos trabalhando.”
Curiosamente, os dois lados reclamaram de lances em que pediam pênaltis, com o contra o Bragantino (um empurrão em Lucas Ramon, no primeiro) sendo o mais explícito. Em sua coletiva, o técnico Wágner Mancini citou apenas os acréscimos do segundo tempo: “A árbitra deu menos tempo do que deveria. Oito minutos foi pouco, diante do quanto o São Paulo parou o jogo.”
O zagueiro contou ainda que conversou com Daiane depois da partida. Ainda no estádio, Gustavo foi com o diretor esportivo Diego Cerri ao vestiário da arbitragem para pedir desculpas em nome da instituição. Segundo ele, a árbitra aceitou o pedido de desculpas: “Ela aceitou o meu perdão e só falou para eu tomar cuidado, porque há mulheres que não vão aceitar o que eu falei. Mas ela viu que eu estava nervoso, triste e amargurado e me perdoou. Só falou para eu ter mais cuidado com as palavras.”









































