O fim da geração de ouro não é o fim da Bélgica: como um projeto iniciado há mais de 25 anos continua moldando o futuro do futebol belga | OneFootball

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·11 Juli 2026

O fim da geração de ouro não é o fim da Bélgica: como um projeto iniciado há mais de 25 anos continua moldando o futuro do futebol belga

Gambar artikel:O fim da geração de ouro não é o fim da Bélgica: como um projeto iniciado há mais de 25 anos continua moldando o futuro do futebol belga

A eliminação para a Espanha nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 marcou, muito provavelmente, o último capítulo da chamada geração de ouro da Bélgica em Mundiais.

Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku e Thibaut Courtois, três dos maiores jogadores da história do país, encerram uma trajetória que colocou a Bélgica entre as principais seleções do futebol mundial durante mais de uma década. Foram campanhas históricas em Copas do Mundo, uma terceira colocação em 2018 e anos figurando entre as melhores seleções do ranking da FIFA.


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É o fim de uma geração.

Mas existe um erro muito comum quando se fala sobre ela.

Muita gente trata essa equipe como uma enorme coincidência. Como se um país com pouco mais de 11 milhões de habitantes simplesmente tivesse dado a sorte de revelar, ao mesmo tempo, jogadores como Eden Hazard, Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Thibaut Courtois, Vincent Kompany, Jan Vertonghen, Toby Alderweireld, Dries Mertens e Axel Witsel.

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De Courtois, Kompany e Hazard a De Bruyne e Lukaku, a geração de ouro transformou a Bélgica em uma potência do futebol mundial e marcou o primeiro grande resultado da Visão de Ouro, projeto iniciado no começo dos anos 2000.

Foto: Getty Images

Não foi sorte, foi consequência de um projeto.

E entender esse projeto talvez seja a melhor maneira de compreender por que a Bélgica continua olhando para o futuro com tanto otimismo, mesmo após a despedida de seus maiores ídolos.

A geração de ouro nunca foi o projeto.

Ela foi o primeiro grande resultado dele.

Tudo começou na Eurocopa de 2000

Para entender a transformação do futebol belga, é preciso voltar ao ano 2000.

Naquele ano, Bélgica e Holanda organizaram juntas a Eurocopa. Jogando em casa, a expectativa era de que os belgas fizessem uma campanha competitiva, mas a eliminação ainda na fase de grupos foi tratada como um fracasso dentro da Federação Belga.

Mais do que o resultado, ficou a sensação de que o futebol do país havia parado no tempo enquanto outras escolas europeias evoluíam rapidamente.

Alemanha, França e Holanda já possuíam identidades muito claras dentro de campo.

A Bélgica, não.

Foi justamente dessa frustração que nasceu uma das decisões mais importantes da história do futebol belga.

Em vez de buscar soluções imediatas para a seleção principal, a Federação decidiu reconstruir todo o futebol do país.

O nascimento da Visão de Ouro

Nascia ali o projeto Visão de Ouro, desenvolvido pela Federação Belga em parceria com a consultoria especializada Double PASS.

O objetivo nunca foi apenas melhorar a seleção principal.

A ideia era criar uma identidade para o futebol belga.

A Federação entendia que uma seleção forte seria consequência de um sistema forte. Por isso, o projeto começou pela base, pela formação de treinadores, pelas academias e pela criação de uma metodologia que pudesse ser aplicada em todo o país.

A pergunta que guiava esse processo era simples:

Como a Bélgica quer jogar futebol?

Pode parecer uma pergunta básica, mas ela mudou completamente o rumo do futebol belga.

Porque um projeto de seleção não passa apenas pela seleção. Ele envolve categorias de base, clubes, treinadores, metodologia, centros de formação e, principalmente, a maneira como um jovem atleta aprende o jogo desde criança.

Era o futebol belga inteiro que precisava mudar.

Criando um DNA

Naquele início dos anos 2000, quem olhava apenas para os resultados dificilmente perceberia alguma diferença.

Os clubes belgas continuavam praticamente no mesmo patamar e a liga nacional ainda estava distante das principais competições europeias.

Mas isso fazia parte do processo.

O foco inicial da Federação não era fortalecer a Jupiler Pro League.

Era criar um DNA para a seleção.

Para isso, a Bélgica passou a incentivar que praticamente todas as academias do país trabalhassem dentro da mesma ideia de jogo. Os sistemas 4-3-3 e 4-2-3-1 tornaram-se as principais referências, inspirados principalmente nos modelos de Alemanha e França.

Mais importante do que o desenho tático era a filosofia.

A ideia era formar jogadores capazes de entender o mesmo futebol desde cedo, acostumados a jogar com a bola, pressionar alto, ocupar bem os espaços e chegar à seleção principal já adaptados à identidade criada pela Federação.

Naturalmente, isso exigia tempo.

Não era possível ensinar uma nova maneira de jogar para atletas que já estavam formados. A transformação precisava começar com crianças de oito, nove ou dez anos que, anos depois, chegariam ao futebol profissional.

Era um projeto pensado para o longo prazo.

Enquanto muita gente cobrava resultados imediatos, a Federação Belga entendia que estava construindo algo muito maior do que uma boa campanha em uma Copa do Mundo.

Estava criando uma identidade para o futebol do país.

Os frutos ainda demorariam alguns anos para aparecer, mas, quando aparecessem, mudariam para sempre a história da seleção belga.

O projeto demorou. E era exatamente isso que a Bélgica esperava.

Se a Federação Belga esperava colher resultados rapidamente, o projeto teria sido considerado um fracasso.

Mas nunca foi essa a expectativa.

Quando a Visão de Ouro começou a ser implementada, o entendimento dentro da Federação era simples: não seria possível mudar o futebol belga apenas trabalhando com a seleção principal. Os jogadores que já estavam formados continuariam carregando a cultura futebolística que aprenderam durante toda a infância.

A transformação precisaria começar muito antes.

Precisaria acontecer nas categorias de base.

Era um processo que naturalmente levaria anos para produzir seus primeiros resultados.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Enquanto o novo modelo começava a ser implementado nas academias espalhadas pelo país, a seleção principal continuava sofrendo.

A Bélgica não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha.

Quatro anos depois, ficou novamente fora de um Mundial, desta vez o da África do Sul, em 2010.

Entre essas duas Copas, ainda veio outra decepção importante.

A Bélgica também não conseguiu disputar a Eurocopa de 2012, terminando atrás de Alemanha e Turquia nas Eliminatórias.

Para quem olhava apenas os resultados da seleção principal, parecia que nada havia mudado.

Mas internamente a leitura era completamente diferente.

A Federação sabia que os jogadores responsáveis por colocar aquele projeto em prática ainda estavam em formação. Muitos deles sequer haviam chegado ao futebol profissional.

Era cedo demais para cobrar resultados.

Os primeiros sinais de que o caminho escolhido estava correto apareceram antes mesmo da Copa de 2010.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a Bélgica apresentou uma equipe jovem, organizada e competitiva. A campanha terminou nas quartas de final, mas aquele resultado teve um peso muito maior do que a simples posição alcançada.

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Antes da geração de ouro conquistar o mundo, a Bélgica já dava seus primeiros sinais de evolução nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. A campanha até as quartas de final representou o primeiro grande indicativo de que a Visão de Ouro começava a produzir resultados dentro de campo.

Foto: Getty Images

Pela primeira vez desde o início da Visão de Ouro, era possível enxergar dentro de campo uma seleção que jogava de acordo com a identidade que a Federação buscava construir.

Ainda não era a geração de ouro.

Mas era o primeiro passo concreto na direção certa.

O grande salto viria pouco tempo depois.

Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, a Bélgica foi colocada em um grupo bastante competitivo, ao lado de Croácia, Sérvia, Escócia, País de Gales e Macedônia.

Mesmo assim, fez uma campanha praticamente impecável.

Terminou invicta, garantiu a primeira colocação com autoridade e voltou a disputar uma Copa do Mundo depois de doze anos.

Foi naquele momento que o restante do planeta começou, de fato, a olhar para a Bélgica.

Kevin De Bruyne começava a se consolidar como um dos grandes meio-campistas do futebol europeu.

Eden Hazard era uma das maiores estrelas da Premier League.

Romelu Lukaku se firmava como um dos atacantes mais promissores do continente.

Thibaut Courtois já era considerado um dos melhores goleiros do mundo.

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Kevin De Bruyne, Eden Hazard, Romelu Lukaku, Thibaut Courtois e companhia se tornaram o rosto da geração de ouro. Mais do que grandes jogadores, foram a primeira grande evidência de que o projeto iniciado pela Federação Belga após a Eurocopa de 2000 estava funcionando.

Foto: Getty Images

Ao lado deles surgiam nomes como Vincent Kompany, Jan Vertonghen, Toby Alderweireld, Axel Witsel, Dries Mertens, Marouane Fellaini, Thomas Vermaelen e Mousa Dembélé.

Era um elenco extremamente jovem, mas que já chamava atenção pela qualidade técnica e pela maturidade coletiva.

Na Copa do Mundo do Brasil, a Bélgica confirmou essa impressão.

Venceu Argélia, Rússia e Coreia do Sul, terminando a fase de grupos com 100% de aproveitamento.

Nas oitavas de final, eliminou os Estados Unidos apenas na prorrogação, em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial.

A caminhada terminou nas quartas de final, diante da Argentina, que chegaria à decisão da Copa.

A eliminação pouco diminuiu o impacto daquela campanha.

Foi naquele torneio que a geração de ouro se apresentou oficialmente ao mundo.

Mas existe um detalhe importante que costuma passar despercebido.

Quando aquela seleção começou a chamar atenção internacionalmente, muita gente tratou tudo como uma enorme coincidência.

Parecia improvável que um país do tamanho da Bélgica tivesse revelado tantos jogadores extraordinários ao mesmo tempo.

Só que havia uma explicação.

Esses atletas nasceram em cidades diferentes.

Foram revelados por clubes diferentes.

Trabalharam com treinadores diferentes.

Mas todos cresceram dentro da mesma filosofia de formação construída pela Federação Belga.

Todos aprenderam, desde muito cedo, uma ideia semelhante de futebol.

É claro que nenhum projeto consegue garantir o surgimento de jogadores do nível de Kevin De Bruyne, Eden Hazard, Romelu Lukaku ou Thibaut Courtois.

Existe talento individual.

Existe contexto.

Existe até uma parcela de acaso.

Mas o ambiente que permitiu que todos eles atingissem esse nível foi cuidadosamente planejado anos antes.

Por isso, chamar a geração de ouro de “sorte” talvez seja a maior injustiça que se pode cometer com o futebol belga.

Ela não surgiu por acaso.

Ela foi a primeira prova de que a Visão de Ouro estava funcionando.

E justamente quando esse primeiro objetivo foi alcançado, a Federação Belga percebeu que era hora de iniciar uma nova etapa do projeto.

Porque formar uma geração histórica era apenas o começo.

O verdadeiro desafio seria fazer com que a Bélgica nunca mais dependesse de uma única geração para continuar competitiva.

Quando a geração de ouro cumpriu sua missão, o projeto mudou de direção

A geração de ouro cumpriu exatamente aquilo que a Federação Belga esperava dela.

Pode parecer estranho dizer isso depois de uma equipe que nunca conquistou uma Copa do Mundo ou uma Eurocopa, mas o objetivo do projeto nunca foi simplesmente levantar um troféu.

O objetivo era muito maior.

Era provar que a Bélgica era capaz de formar jogadores de elite de maneira consistente.

E isso aconteceu.

Depois da explosão internacional de nomes como Eden Hazard, Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Thibaut Courtois e Vincent Kompany, o futebol belga entrou em uma nova fase.

A Federação entendeu que já havia criado uma identidade para a seleção nacional.

Agora era hora de fortalecer quem sustentaria esse modelo pelas próximas décadas.

Os clubes.

Essa talvez seja a maior diferença entre o projeto belga e a forma como muitos países enxergam o desenvolvimento do futebol.

A Bélgica percebeu que não adiantava continuar investindo apenas na seleção principal.

Uma seleção joga poucas vezes por ano.

Quem forma jogadores diariamente são os clubes.

Por isso, o foco passou a ser a Pro League. Mais especificamente, as academias belgas e a lógica era simples.

Se os clubes se tornassem mais fortes, formassem melhores jogadores e vendessem esses atletas por valores cada vez maiores, todo o futebol belga seria beneficiado.

Os clubes arrecadariam mais, investiriam mais, melhorariam suas estruturas, revelariam ainda mais talentos e, naturalmente, a seleção voltaria a colher esses frutos alguns anos depois.

É exatamente isso que acontece hoje.

A Bélgica continua revelando jogadores praticamente todos os anos.

Nos últimos dias, por exemplo, o Hoffenheim acertou a contratação de Nathan De Cat, uma das principais promessas do futebol belga, por cerca de 20 milhões de euros. Aos 17 anos, o meia deixa o Anderlecht como mais um exemplo da capacidade que o país mantém de desenvolver jovens talentos.

Outro caso é o de Konstantinos Karetsas.

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Revelado pelo Genk, Konstantinos Karetsas simboliza a nova fase do futebol belga. Mesmo defendendo a seleção da Grécia, sua formação reforça a capacidade da Bélgica de continuar desenvolvendo jovens talentos dentro do projeto iniciado após a Eurocopa de 2000.

Foto: Getty Images

Embora tenha optado por defender a seleção da Grécia, o meia foi formado pelo Genk, um dos principais centros de desenvolvimento de jogadores da Bélgica. Independentemente da escolha pela seleção nacional, sua transferência também representa retorno financeiro para um clube que continua formando atletas em alto nível.

E esses dois casos estão longe de ser exceções.

Hoje, Genk, Club Brugge, Anderlecht, Gent, Union Saint-Gilloise e outros clubes belgas trabalham dentro de uma estrutura muito mais sólida do que aquela existente no início dos anos 2000.

Isso também explica uma mudança importante na própria Pro League.

Durante muitos anos, o campeonato belga utilizou um sistema de playoffs para definir o campeão. Era um formato interessante do ponto de vista esportivo, mas frequentemente criticado por dificultar o planejamento dos clubes e reduzir a competitividade da liga ao longo da temporada.

A partir desta temporada, a Bélgica passa a adotar um modelo mais tradicional.

Serão 34 rodadas em turno e returno, aproximando a competição das principais ligas europeias. Os dois primeiros colocados garantem vaga na Liga dos Campeões, enquanto outras equipes disputarão vagas na Europa League e na Conference League.

Mais do que uma simples mudança de regulamento, trata-se de mais um passo dentro de um projeto que continua em evolução.

A Federação Belga entende que uma liga nacional mais forte também fortalece a seleção.

E talvez seja justamente esse o ponto que mais gera dúvidas entre quem acompanha o futebol belga apenas de forma superficial.

Muita gente acredita que, após o fim da geração de ouro, o projeto perdeu força.

Na prática, aconteceu exatamente o contrário.

Hoje a Federação já não precisa concentrar tantos esforços diretamente na seleção principal.

Essa identidade já existe.

O trabalho passou a ser fortalecer a base que sustenta todo esse sistema.

Os clubes, as academias, a formação de treinadores, a estrutura da liga.

Porque uma seleção competitiva durante décadas não nasce apenas de uma boa geração.

Ela nasce de um ecossistema saudável e é exatamente essa fase que a Bélgica vive neste momento.

O projeto iniciado após a Eurocopa de 2000 não terminou com Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku ou Thibaut Courtois.

Na verdade, ele apenas entrou em uma nova etapa.

Uma etapa que talvez seja ainda mais importante do que a primeira, porque o maior desafio nunca foi revelar uma geração histórica.

O verdadeiro desafio sempre foi garantir que ela não fosse a última.

O futuro já começou: por que a Bélgica continua olhando para 2030 com otimismo

Se o fim da geração de ouro marca o encerramento de um dos capítulos mais importantes da história do futebol belga, ele também representa o início de um novo ciclo.

A grande diferença é que, desta vez, a Bélgica não precisa começar do zero.

Ela já possui um modelo de jogo consolidado, clubes estruturados, categorias de base alinhadas e uma identidade construída ao longo de mais de duas décadas.

Por isso, olhar para a próxima Copa do Mundo não significa imaginar uma reconstrução completa.

Significa entender quais jogadores darão continuidade a um projeto que continua em pleno desenvolvimento.

A posição que naturalmente mais chama atenção é o gol, não porque exista preocupação, muito pelo contrário.

A Bélgica historicamente sempre revelou grandes goleiros. Isso é algo que nem mesmo a Visão de Ouro precisou mudar, porque já fazia parte da cultura do futebol belga.

É evidente que substituir Thibaut Courtois será uma missão extremamente difícil. Estamos falando de um dos maiores goleiros da história do futebol e, provavelmente, do maior da história da Bélgica.

Mas isso não significa que o país tenha deixado de produzir talentos para a posição.

Durante esta Copa do Mundo, Senne Lammens entrou contra a Espanha após a lesão de Courtois e acabou falhando no segundo gol espanhol. Apesar disso, ele nunca foi visto internamente como o sucessor natural do camisa 1.

Esse nome, para muitos, já está definido.

Mike Penders.

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Revelado pelo Genk, assim como Thibaut Courtois, Mike Penders desponta como o principal nome para assumir o gol da Bélgica no ciclo rumo à Copa do Mundo de 2030.

Foto: Getty Images

Revelado pelo Genk, exatamente como Courtois, o goleiro foi contratado pelo Chelsea e integrará o elenco principal do clube inglês nesta temporada. Com apenas 20 anos e dois metros de altura, Penders é considerado uma das maiores promessas da posição em toda a Europa e, hoje, desponta como o principal candidato a assumir a meta belga no próximo ciclo.

E ele não está sozinho.

Outro goleiro bastante observado é Luc Brughmans, também formado pelo Genk. Aos 18 anos, representa mais uma prova de que a Bélgica continua produzindo goleiros em alto nível, algo que sempre fez parte da história do país.

Se no gol a Bélgica manteve uma tradição, as laterais talvez representem justamente uma das maiores evoluções deste projeto.

Durante toda a geração de ouro, a seleção conviveu com dificuldades para encontrar laterais de alto nível.

Pela direita, Thomas Meunier foi praticamente a única grande referência do período.

Pela esquerda, durante muitos anos, a solução passou por improvisações e adaptações, sem que a Bélgica encontrasse um dono absoluto da posição.

Esse cenário começa a mudar.

Maxim De Cuyper já se consolidou como uma das principais opções pela esquerda, enquanto Joaquin Seys, que entrou muito bem justamente contra a Espanha, também aparece como um nome extremamente promissor para os próximos anos.

Na lateral direita, o cenário também é positivo.

Mesmo sem ter sido convocado para esta Copa do Mundo, Kyriani Sabbe, do Club Brugge, é visto como um dos laterais mais promissores do futebol belga. Ao lado dele aparece Hugo Siquet, outro jogador formado dentro do modelo belga e que chegará ao próximo Mundial em plena maturidade.

Na defesa, o cenário também inspira confiança.

Zeno Debast, que acabou não participando desta Copa por lesão, continua sendo uma das principais referências para o próximo ciclo.

Ao seu lado surgem nomes como Nathan Ngoy, que fez uma excelente Copa do Mundo, além de Arthur Theate, que também deverá chegar à Copa de 2030 em alto nível.

Outro jogador acompanhado de perto é Matte Smets. Revelado pelo Sint-Truiden e atualmente no Genk, o zagueiro representa mais um exemplo de atleta desenvolvido dentro da metodologia criada pelo projeto belga.

No meio-campo, talvez esteja um dos personagens mais importantes desta transição.

Youri Tielemans ocupa um espaço único na história recente da seleção.

Ele não pertence totalmente à geração de ouro.

Também não faz parte da nova geração.

Tielemans é o elo entre as duas.

Talvez por isso tenha se tornado um capitão tão respeitado dentro do grupo.

Foi justamente essa posição intermediária que permitiu ao meio-campista aproximar jogadores experientes como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku e Courtois dos atletas que chegaram mais recentemente à seleção.

Muito da melhora no ambiente da Bélgica durante esta Copa do Mundo passa por essa liderança.

Ao contrário do que aconteceu em ciclos anteriores, especialmente em 2022, o grupo voltou a transmitir união.

E Tielemans teve papel fundamental nisso.

Ao seu lado, Amadou Onana deverá chegar ao auge físico na próxima Copa do Mundo. Já Nicolas Raskin deixa este Mundial muito maior do que entrou. Suas atuações consistentes durante a competição o colocam como um dos pilares do próximo ciclo e podem, inclusive, abrir caminho para um salto importante em sua carreira nos próximos anos.

No ataque, a principal referência passa a ser Jeremy Doku, aos 28 anos em 2030, ele deverá viver o auge da carreira.

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Jeremy Doku chega ao ciclo rumo à Copa do Mundo de 2030 como a principal referência ofensiva da Bélgica. Aos 28 anos no próximo Mundial, o ponta deverá viver o auge da carreira e liderar uma nova geração formada dentro do projeto belga.

Foto: Getty Images

Nesta Copa, o ponta não conseguiu apresentar seu melhor futebol, muito em função do vírus que contraiu durante a competição e dos problemas extracampo envolvendo o nascimento de seu filho. Ainda assim, segue sendo um dos jogadores mais desequilibrantes desta geração.

Ao seu lado, Charles De Ketelaere também deixa este Mundial em alta após uma excelente campanha e chega como outro nome importante para liderar o setor ofensivo nos próximos anos.

Mas o futuro da Bélgica não se resume aos jogadores que já estão na seleção principal.

A nova safra continua chegando.

Casos como Nathan De Cat, negociado recentemente com o Hoffenheim, Mika Godts, formado entre Anderlecht e Genk antes de concluir seu desenvolvimento no Ajax, e Jorthy Mokio, atualmente ligado à seleção da República Democrática do Congo, mostram que o futebol belga continua formando talentos em quantidade e qualidade.

Independentemente das escolhas por seleções nacionais ou dos caminhos que cada carreira seguirá, todos representam um reflexo do mesmo processo de formação iniciado há mais de duas décadas.

Esse crescimento também começa a aparecer fora das quatro linhas.

Se, no início da Visão de Ouro, o foco era formar jogadores, hoje a Bélgica também começa a exportar treinadores.

Vincent Kompany assumiu recentemente o Bayern de Munique.

Nicky Hayen deixou o Club Brugge para comandar o Burnley.

Sébastien Pocognoli passou pelo Union Saint-Gilloise e recentemente trabalhou no Monaco.

David Hubert também surge como um dos treinadores promissores desta nova fase do futebol belga.

Talvez esse seja mais um indicativo de que o projeto continua evoluindo.

A Bélgica já não forma apenas jogadores.

Começa, aos poucos, a formar profissionais capazes de influenciar o futebol europeu em diferentes áreas.

E talvez seja justamente esse o maior legado deixado pela geração de ouro.

Ela mostrou que o projeto funcionava.

Agora, cabe às próximas gerações provar que ele continuará funcionando pelas próximas décadas.

O fim de uma geração. O começo de um legado.

No fim das contas, talvez a maior injustiça que se possa fazer com a geração de ouro belga seja julgá-la apenas pelos títulos que não conquistou.

É verdade que a Bélgica nunca venceu uma Copa do Mundo. Também nunca conquistou uma Eurocopa ou uma UEFA Nations League. Para muita gente, isso basta para definir essa geração como uma decepção.

Mas essa análise ignora justamente aquilo que essa equipe deixa de mais importante para o futebol belga.

Seu legado.

Quando Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Eden Hazard e Thibaut Courtois surgiram, eles passaram a representar algo que a Bélgica nunca havia tido em tamanha proporção: referências.

Durante muitos anos, crianças belgas cresceram admirando jogadores de outros países. Romelu Lukaku sempre falou da admiração que tinha por Adriano Imperador. Kevin De Bruyne cresceu acompanhando grandes meio-campistas espalhados pela Europa. Era natural. A Bélgica produzia bons jogadores, mas raramente produzia ídolos mundiais.

Hoje esse cenário mudou completamente.

Uma criança que começa a jogar futebol na Bélgica sonha em ser Kevin De Bruyne. Sonha em defender o gol como Thibaut Courtois. Sonha em driblar como Eden Hazard. Sonha em marcar gols como Romelu Lukaku.

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Eden Hazard, Romelu Lukaku e Kevin De Bruyne: três dos maiores símbolos da geração de ouro belga. Juntos, ajudaram a transformar a Bélgica em uma das principais seleções do futebol mundial e inspiraram uma nova geração de jogadores.

Foto: Getty Images

E isso talvez seja o maior resultado alcançado pelo projeto iniciado após a Eurocopa de 2000.

Ao longo desta reportagem, vimos que a Bélgica primeiro precisou criar uma identidade de jogo. Depois, formar uma geração capaz de colocar essa identidade em prática. Agora, vive uma terceira etapa, focada em fortalecer os clubes, desenvolver ainda mais suas academias e criar uma estrutura capaz de sustentar esse nível de competitividade por décadas.

É justamente por isso que a eliminação para a Espanha não representa o fim de um planejamento.

Representa apenas o encerramento do primeiro grande ciclo desse projeto.

Existe, porém, um outro aspecto que pode marcar essa nova fase da seleção belga.

Durante praticamente toda a última década, bastava a Federação Belga divulgar uma convocação para que o mesmo assunto voltasse à tona. Antes mesmo das discussões sobre escalação, momento dos jogadores ou expectativas para a partida, os problemas extracampo envolvendo Kevin De Bruyne e Thibaut Courtois voltavam a ocupar espaço no debate.

Independentemente de aqueles conflitos já estarem superados ou não, eles passaram a acompanhar a seleção durante anos. Muitas vezes, o ambiente do grupo era colocado em dúvida antes mesmo de a bola rolar.

Nesta Copa do Mundo, por exemplo, uma das imagens mais simbólicas da campanha belga foi justamente ver De Bruyne e Courtois conversando normalmente no túnel antes da partida contra os Estados Unidos. Para quem acompanhou de perto essa seleção nos últimos anos, aquela cena representava muito mais do que uma simples conversa entre dois companheiros de equipe.

Representava um grupo que parecia, finalmente, ter encontrado a união que tantas vezes lhe faltou.

Infelizmente, essa união chegou justamente na última Copa do Mundo de boa parte dessa geração.

Agora, esse ciclo chega ao fim.

Não porque Kevin De Bruyne ou Thibaut Courtois deixaram de ser importantes. Muito pelo contrário. Eles encerram suas trajetórias como dois dos maiores jogadores da história do futebol belga.

Mas porque a próxima geração começará sua caminhada sem carregar um assunto que acompanhou a seleção durante tantos anos.

Naturalmente, a Bélgica deverá passar por um período de subestimação.

É algo praticamente inevitável. Sem alguns dos maiores nomes de sua história, a tendência é que o país deixe de ser colocado entre os favoritos até provar novamente sua força dentro de campo, exatamente como aconteceu antes da Copa do Mundo de 2014.

Talvez isso seja até positivo.

Essa nova geração acompanhou de perto tudo o que essa equipe viveu. Viu o impacto que um grupo unido pode ter, como aconteceu nesta Copa do Mundo, mas também aprendeu o peso que conflitos internos podem ganhar quando passam a fazer mais barulho do que o próprio futebol.

São aprendizados que nenhum projeto consegue ensinar.

São experiências vividas.

Talvez a Bélgica nunca mais reúna, ao mesmo tempo, jogadores do nível de Kevin De Bruyne, Eden Hazard, Romelu Lukaku e Thibaut Courtois. Seria injusto esperar isso de qualquer país.

Mas também seria injusto imaginar que o futebol belga voltará ao cenário que vivia antes dos anos 2000.

Hoje existe uma estrutura, existe uma metodologia, existe uma liga em transformação, existem categorias de base alinhadas e existe um projeto que continua sendo desenvolvido exatamente como foi pensado há mais de duas décadas.

Talvez a geração de ouro nunca tenha conquistado o troféu que todos sonhavam.

Mas ela deixou algo que pode ser ainda mais valioso.

Deixou um país preparado para continuar competindo entre as grandes seleções do futebol mundial por muitos anos.

A geração de ouro chegou ao fim.

Mas o projeto que a criou continua olhando para o futuro.

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