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·12 Mei 2026
O jogo de ontem foi o retrato de uma época inteira

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·12 Mei 2026

O jogo de ontem foi o reflexo de toda a temporada do Benfica. Muito jogo, muita chegada, muita posse, muitas oportunidades, mas pouco acerto quando chega a hora de meter a bola dentro da baliza. E quando uma equipa não mata, deixa sempre espaço para aparecer aquilo que também marcou esta época, decisões de arbitragem que penalizaram o Benfica em várias jornadas, mesmo em jogos que o Benfica acabou por conseguir vencer.
Ontem voltou a acontecer.
Depois de uma semana inteira em que se falou de negociações, de jogadores de 30 milhões e de interesses de mercado, vimos essa mesma equipa entrar na Luz com 11 jogadores dentro da área, a defender cada metro como se estivesse a jogar uma final europeia. E, no meio disto tudo, surgiu João Pinheiro. Sempre ele. Sempre nos momentos certos. Sempre quando o Benfica mais precisa de um critério limpo, claro e igual.
Quando foi contra o Casa Pia, assinalaram um penálti contra o Benfica por ressalto. Na altura, a bola bateu primeiro noutra zona do corpo e depois foi ao braço. Foi penálti. Escândalo na Luz, pontos perdidos e o Benfica a insurgir-se contra uma decisão absurda. Passado tanto tempo, lá veio o Conselho de Arbitragem corrigir o entendimento.
Curiosamente, na jornada anterior, colocaram em Famalicão o árbitro que tinha assinalado esse penálti na Luz. E, como se não bastasse, voltaram os erros. Ontem, perante um lance de ressalto que podia beneficiar o Benfica, o critério já mudou. Ontem já não era penálti. Ontem já se interpretou de outra forma. Resultado? O Benfica saiu novamente prejudicado.
É sempre assim. Quando é contra o Benfica, vale tudo. Quando é a favor do Benfica, aparecem as interpretações, os enquadramentos, os detalhes técnicos, as mãos naturais, os ressaltos, as distâncias e os ângulos. O critério não é o lance. O critério é quem pode beneficiar dele.
Falta agora alguém insurgir-se contra a tecnologia do fora de jogo. Linhas traçadas onde nem sequer se vê claramente o momento em que a bola parte. Uma grossura de linha que dá a sensação de ter sido traçada no braço de Ivanovic, e todos sabemos que braço não conta para fora de jogo. Do outro lado, a linha no pé do jogador do Braga aparece mais grossa do que a ponta da bota. Mas ninguém explica. Ninguém mostra com detalhe. Ninguém se preocupa em tornar o lance transparente.



Porquê? Porque sabem que ninguém lhes vai causar problemas.
Estão mais preocupados em usar vídeos de benfiquistas, em pedir demissões, em atacar treinadores, em atacar jogadores, em fazer caça interna e em alimentar guerras de redes sociais. Enquanto isso, os lances passam. As decisões passam. Os erros passam. E o Benfica fica outra vez a pagar a fatura.
Passámos de um golo anulado por fora de jogo milimétrico para outro golo anulado por uma suposta bola fora. Na câmara master, que nem sequer está alinhada com a linha de baliza, parece haver a ilusão de que a bola saiu. Mas o Estádio da Luz tem linha de baliza e essa imagem mostrou outra coisa. Mostrou que a bola não saiu totalmente.

E para a bola estar fora, tem de transpor a linha na totalidade. Não é metade. Não é por ilusão ótica. Não é porque parece. Tem de passar toda. E o que se vê é que a bola não ultrapassa o poste na totalidade. Na dúvida, mais uma vez, penaliza-se o Benfica.
Depois há o lance sobre Pavlidis. Mais uma decisão que não lembra a ninguém. João Pinheiro só apita falta contra o Benfica quando Pavlidis cai na área. Se Pavlidis não tivesse caído, ele não tinha assinalado nada. O problema é que o lance que decide assinalar é absurdo. É o jogador do Braga que tropeça em Prestianni, mas, depois de tudo o que se viu, já nem surpreende que tenha arranjado forma de assinalar falta contra o Benfica.
É este o padrão. Quando há dúvida, é contra o Benfica. Quando há contacto, é contra o Benfica. Quando há linha, é contra o Benfica. Quando há ressalto, é contra o Benfica. Quando há interpretação, é contra o Benfica. Quando há tecnologia, a tecnologia também parece encontrar sempre maneira de ser contra o Benfica.
O penálti do pisão acabou por ser assinalado, mas convém não esquecer uma coisa: João Pinheiro não assinalou nada em campo. E se o Benfica estivesse empatado, tenho sérias dúvidas de que o VAR tivesse chamado fosse quem fosse. Só foi penálti porque já era impossível esconder o lance. Só foi penálti porque o pisão era demasiado evidente. Só foi penálti porque, naquele momento, talvez já não houvesse margem para fingir que nada tinha acontecido.
Não foi por falta de aviso. Avisámos antes. Avisámos durante. Avisámos depois. Mas avisar, por si só, não chega. O Benfica não pode continuar a entrar nestes jogos como se estivesse tudo normal, como se as nomeações fossem neutras, como se os critérios fossem iguais, como se a tecnologia fosse infalível e como se os mesmos nomes não aparecessem sempre nos mesmos momentos.
A época do Benfica teve erros próprios, claro que teve. Teve falta de eficácia. Teve jogos mal geridos. Teve momentos em que a equipa devia ter feito mais. Ontem também. Quem chega tantas vezes à zona de finalização tem de marcar. Quem domina partes do jogo tem de traduzir isso em golos. Quem quer ser campeão não pode viver apenas da indignação.
Mas uma coisa não apaga a outra.
O Benfica falhou, sim. Mas também foi empurrado para baixo. Foi penalizado por decisões em várias jornadas. Foi travado por critérios que mudam conforme a camisola. Foi atingido por lances que, noutros contextos, teriam sido analisados durante dias, com programas especiais, indignações encenadas e pedidos de investigação.
Aqui, passa tudo.
O Porto teve o título. O Sporting vai à Champions. E não me venham falar apenas de mérito, porque isto teve muito de futebol fora das quatro linhas. O Sporting contratou bem, sim, mas parece que também contratou bem para os lugares certos. O Porto fez o seu caminho, mas também beneficiou de um contexto onde tudo lhe foi sendo permitido no momento certo.
O Benfica, pelo contrário, teve de jogar contra adversários, contra a sua própria falta de eficácia, contra arbitragens, contra VAR, contra calendários, contra linhas duvidosas e contra uma máquina de ruído que só acorda para atacar o próprio Benfica.
O jogo de ontem foi isso tudo condensado em 90 minutos.
Uma equipa que tentou, mas falhou. Um árbitro que voltou a pesar. Um VAR que voltou a deixar dúvidas. Uma tecnologia que ninguém explica. Um golo anulado por uma linha discutível. Outro lance travado por uma bola que não se prova ter saído totalmente. Um penálti que só apareceu porque era impossível esconder. E, no fim, mais uma sensação amarga de que o Benfica não perdeu apenas dentro de campo.
Perdeu também onde já estava tudo preparado para não o deixar ganhar.
Langsung







































