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·3 April 2026
O legado de Joselu

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·3 April 2026

Real Madrid x Atlético de Madrid. Logo aos dois minutos, Brahim pega o rebote de um chute de Carvajal pela esquerda e cruza no meio da área, mas não encontra ninguém por lá. Aos 31′, Valverde tabela com Tchouaméni pelo lado direito e cruza rasteiro, mas a bola passa sem ter quem a empurre na entrada da pequena área. Aos 44′, Arda Güler chuta de fora da área e o goleiro adversário dá rebote para a frente, mas ninguém consegue aproveitar. Talvez não seja ideal falar a partir de um jogo, mas, ao mesmo tempo, foram esses lances que fizeram nascer a ideia desse texto. O Real Madrid precisa de um camisa 9.
Não se trata de alguém para ser titular, mas sim de reativar o “protocolo Joselu”, por assim dizer. Um jogador que aceite contribuir vindo do banco e que ofereça à equipe uma característica que falta ao time titular, no caso, uma referência no comando de ataque. Não há problema se as características dos jogadores e o modelo de jogo preconizam uma baixa ocupação da área para favorecer que jogadores velozes ataquem o espaço. Mas é preciso ter variação de jogo.
Jogando pelo centro do ataque, Mbappé tem como principal característica precisamente o ataque ao espaço. Quando a defesa adversária está fechada, ele tem a tendência de se aproximar dos companheiros e buscar tabelas, se oferecendo para o jogo apoiado. Mas, muitas vezes, isso deixa o time sem presença de área. Um caso notório foi quando Vini Jr cobrou que Mbappé se movimentasse melhor dentro da área no jogo contra o Osasuna. No fim das contas, o próprio Vini atacou a área como um típico centroavante para fazer o gol do Madrid naquele jogo. Mas esse movimento não é instintivo para nenhum dos dois.
Entra em cena, então, a ideia de um centroavante raíz. Para contextos em que o adversário se fecha, defendendo em bloco baixo sem oferecer transições ao Madrid, é importante ter o recurso de um atacante que prenda os zagueiros e seja um caçador de oportunidades dentro da área. É uma alternativa também em quaisquer jogos que o time não esteja vencendo na reta final para pesar a área, afundar a linha de defesa adversária e ser uma preocupação constante para os zagueiros. Vide a melhor aparição de Joselu com o manto madridista, na semifinal da Champions de 2023/2024, contra o Bayern, no Bernabéu. Dois gols a um toque, de quem sabe estar no lugar certo, na hora certa, para conseguir a virada e nos colocar em mais uma final europeia.
No atual elenco, Gonzalo García é o centroavante. Não tem a mesma estatura e nem a mesma força física de Joselu, e é um jogador de mais movimentação que o antigo camisa 14. Mas se encaixa bem no perfil de caçador de oportunidades, é muito inteligente e se coloca bem na área. Também oferece ao time a variante do jogo aéreo. É um grande cabeceador, tem nesse fundamento a sua melhor característica. O problema é que o garoto parece não ter muito prestígio com Arbeloa no recorte mais recente.
Na última ausência prolongada de Mbappé, Brahim foi o parceiro de Vini no ataque, e Gonzalo vem tendo pouca minutagem. Desde a derrota para o Getafe em casa há um mês, quando atuou por 90 minutos, ele só esteve em campo por treze minutos diante do Celta e mais 32 contra o Elche. Não foi utilizado na eliminatória de Champions contra o City e nem no dérbi. Nesta Data FIFA, marcou três gols em dois jogos por La Roja sub-21 e volta com moral em dia para reconquistar a confiança do treinador.
É um passo à frente necessário para todos: o próprio atleta, o treinador e o time que, vez por outra, cruza e não encontra ninguém para mandar a bola para as redes. Se Gonzalo não vingar, Endrick precisa ser testado no comando de ataque. Tem estrela e é um touro fisicamente, mas o fato de ser baixinho pode atrapalhar. Em último caso, é buscar no mercado um novo Joselu. As ruas nunca se esquecerão do operário da bola, madridista até a medula dos ossos, que conseguiu, já veterano, marcar seu nome na história do maior clube do mundo.









































