Zerozero
·22 Juli 2026
O «orgulhoso» sérvio com mais jogos pelo SC Braga: «Serei um adepto até ao fim da minha vida»

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·22 Juli 2026

É já nesta quarta-feira que o SC Braga arranca a nova temporada de forma oficial. Os comandados de Carlos Vicens medem forças com o Zeleznicar Pancevo, num jogo a contar para a primeira mão da segunda pré-eliminatória da Conference League, no Sportsko-Rekreativni Centar Mladost.
Ao primeiro olhar, não existem grandes pontos de ligação entre o futebol sérvio e o emblema bracarense. No entanto, Nikola Stojiljkovic é a prova viva de que isso não é bem assim. O ponta de lança representou os arsenalistas nas épocas 15/16 e 16/17, tendo conquistado uma Taça de Portugal diante do FC Porto (2-2, 4-2 g.p.).
Apesar do pouco tempo em Braga, acabou por ter um impacto extremamente positivo: tornou-se mesmo o jogador sérvio com mais encontros pelo clube minhoto, apontando 25 golos e cinco assistências em 85 partidas! Posteriormente, seguiram-se vários empréstimos, entre os quais a Boavista e Farense, mas sem nunca perder o amor ao SC Braga.
Em conversa com o zerozero, o avançado, que nos dias de hoje alinha no FK Graficar da segunda divisão da Sérvia, recordou esses tempos e analisou o primeiro adversário da época bracarense, considerando o conjunto português como o claro favorito a seguir em frente.
zerozero (ZZ): Como resume a sua passagem pelo SC Braga?
Nikola Stojiljkovic (NS): «Foi ótima, principalmente o primeiro ano, que foi incrível. Ganhámos a Taça de Portugal e jogámos muito bem na Liga Europa e no campeonato. Por isso, foi muito especial para a minha carreira.
Já o segundo ano foi um pouco difícil para o clube, porque mudámos muitas vezes de treinador. Não conseguimos passar a fase de grupos da Liga Europa e não conseguimos terminar no lugar onde o clube normalmente sempre acaba no campeonato - em quarto. Pessoalmente, também não foi tão bom como no primeiro ano, tanto em termos de golos como assistências.»
ZZ: Que recordações guarda desse primeiro ano e da final da Taça?
NS: «Foi um primeiro ano de adaptação ao campeonato. Foi um bocadinho difícil porque tinha de aprender a falar português e de me adaptar ao ritmo de jogo em Portugal. Ainda assim, consegui fazer muitos golos. A equipa também me ajudou muito e no final conseguimos ganhar a Taça. Vencer esse troféu ao fim de 50 anos foi ótimo para toda a gente no clube.»
ZZ: É o momento mais importante da sua carreira?
NS: «Sim, foi um dos momentos mais importantes, mas os momentos que tivemos na Liga Europa também foram. O tento contra o Fenerbahçe foi o melhor que fiz em Braga e foi um momento incrível para mim. Nunca me vou esquecer disso e também dos muitos golos no campeonato. Porém, esse em específico foi verdadeiramente especial.»
ZZ: Depois desses dois anos seguiram-se vários empréstimos. O que aconteceu?
NS: «No final da primeira época, o Paulo Fonseca saiu. Mais tarde, entrou o Peseiro, mas não tinha muito boa relação com ele. Também começámos a jogar de forma muito diferente e com outra tática. Passámos a jogar só com um ponta de lança e o treinador começou-me a colocar no banco e a substituir-me várias vezes.
Tivemos muitas dificuldades nessa temporada e entrou o Jorge Simão a meio, mas sem grande sucesso. No final do campeonato já era o Abel Ferreira e nesses últimos jogos até começámos a jogar muito bem. Só que não tivemos muito tempo para corrigir as coisas. Entretanto, a época acabou e eu decidi ser emprestado para a Turquia.
Foi um momento muito difícil para mim fora do futebol. A minha mãe tinha problemas de saúde e eu decidi estar um pouco mais perto. Depois até fui para o Crvena Zvezda, para estar mesmo em Belgrado. Mais tarde, quando voltei a Braga, decidiram continuar a emprestar-me. Foi a decisão deles e também tive de a respeitar. Fui para o Boavista e para o Farense, antes de rumar em definitivo à Polónia.»
ZZ: Mas o que guarda do seu tempo ao serviço do emblema minhoto?
NS: «É o clube mais importante da minha carreira, tive realmente muitos momentos bons. Foi o meu primeiro emblema quando saí do meu país. Receberam-me muito bem e ainda conheço muitas pessoas que continuam a trabalhar lá. Por isso, o SC Braga vai ser sempre o clube que eu vou apoiar até o fim da minha vida.»
ZZ: Falou dos empréstimos a Boavista e Farense antes de terminar a ligação aos bracarenses. O que ficou dessas duas passagens?
NS: «É totalmente diferente. O Boavista é um clube enorme em Portugal, que ganhou o campeonato e que tem muitos adeptos, com quem tive uma relação muito boa. Tenho pena que agora estejam a passar pelo que todos sabemos. Mas também foi diferente por isso mesmo, pois quando eu lá estive também já existiam dificuldades. Por isso, tentei dar 100 por cento em todos os jogos para ajudar. Acabou por ser uma época tranquila e conseguimos ficar na Primeira Liga.
Sobre o Farense, não fui eu a escolher o clube, mas sim o presidente do SC Braga. Foi uma equipa que investiu muito, o presidente deles é uma pessoa muito boa e investiu muito, mas não conseguimos ficar na Primeira Liga.»
ZZ: Mas sente alguma frustração ou injustiça por ter jogado em Braga apenas por dois anos?
NS: «Não, não tenho nenhuma frustração. Tenho só orgulho. O mais importante no futebol é ter uma boa ligação com os adeptos. Fora isso, eu não posso controlar as decisões do presidente, do diretor desportivo ou dos treinadores. Por isso não posso ter nenhuma frustração, até porque eu sempre me dei 100 por cento ao clube.
E acho que os adeptos também sentiram isso. Eu pelo menos senti o apoio por parte deles. Claro que gostaria de ter ficado mais tempo e de ter marcado muitos mais golos. Só que às vezes nós não controlamos as situações e os momentos na nossa carreira.»
ZZ: Ainda assim, tornou-se o jogador sérvio com mais jogos ao serviço do SC Braga. Imaginamos que o principal sentimento seja de orgulho...
NS: «Sim, é sempre um orgulho, como é óbvio. O SC Braga é o meu clube favorito na Europa, não há outro que goste mais. Sinto-me muito orgulhoso, claro, mesmo ao lembrar-me do clube e dos adeptos. Espero que continuem a crescer e que passem sempre a atuar na Liga dos Campeões. O clube e os adeptos merecem muito porque as pessoas seguem a equipa para qualquer lado. Mesmo na altura em que eu joguei lá, sentia sempre isso em todos os estádios.»
ZZ: Pensa em voltar ao SC Braga? Talvez com outras funções e num futuro mais longínquo...
NS: «Eu não posso falar agora sobre o futuro. Tenho 33 anos já, quase 34, não posso dizer que quero jogar mais cinco ou 10 anos. Por agora, estou a desfrutar de jogar o máximo possível. E até acabar a carreira, não penso noutro trabalho. Mas claro que gostaria de trabalhar no SC Braga. Foi um sonho estar lá e conseguir ajudar o clube como jogador. Claro que gostaria de ajudar com outra função.»
ZZ: Nota-se que tem uma forte ligação aos arsenalistas. É seguro afirmar que ainda acompanha o clube, certo?
NS: «Claro, todos os jogos. Até a minha filha pergunta-me sempre quando vai jogar o SC Braga. Temos uma ligação muito forte, mesmo quando jogam contra o Crvena Zvezda. Ainda tenho estas emoções e este sentimento pelo SC Braga e acho que vou continuar a ter por muito tempo.»
ZZ: Conhecendo o presidente António Salvador e a sua ambição, acredita que os bracarenses podem conquistar o campeonato num futuro próximo?
NS: «É muito difícil responder. Para ser sincero, o presidente está a fazer um trabalho muito bom, onde ajudou o clube a crescer. Eu estive lá e mesmo de fora vê-se que agora está muito melhor e mais estável. Têm uma equipa muito boa, que fez o que fez no ano passado, em que lutaram por ganhar a Liga Europa - mas também acho que se o SC Braga estivesse no outro campeonato, iria jogar sempre na Liga dos Campeões.
Tentando responder à pergunta, acho que o SC Braga nos próximos cinco, seis ou até 10 anos vai conseguir ganhar o campeonato. Mas vai ser muito difícil. É sabido que Benfica, Sporting e FC Porto são muito mais fortes. O SC Braga está muito perto deles, é verdade, e acredito que um dia vai conseguir ultrapassá-los. Mas agora não posso dizer que nos próximos dois ou três anos vai conseguir ganhar o campeonato.»
ZZ: O Zeleznicar Pancevo é o adversário do SC Braga na segunda pré-eliminatória na Conference League. O que nos pode dizer sobre este oponente mais desconhecido?
NS: «É uma equipa que está há pouco tempo na Liga da Sérvia. Para se ter uma noção, só está a jogar no principal escalão há dois anos. A melhor coisa que têm é o treinador, que é novo e que até jogou comigo. Ele construiu uma equipa muito boa e com muita juventude. Com isso, conseguiram fazer algo inesperado, que foi terminar a liga no quarto lugar.»
ZZ: Por outras palavras, o emblema português é claramente favorito então...
NS: «Para ser sincero, acho que o Zeleznicar não tem grandes hipóteses de eliminar o SC Braga. A única coisa que pode dificultar é o campo, que é sintético. Os jogadores do SC Braga não estão tão habituados a jogar em relva não natural, mas não acho que isso possa interferir muito. Vai é ser uma boa experiência para os miúdos do clube sérvio, porque vão jogar pela primeira vez numa competição europeia. Ou seja, vai ser tudo novo para eles, enquanto que no SC Braga já estão mais do que habituados a jogar neste nível.
Mas no futebol nunca se sabe. A verdade é que o treinador deles é muito bom. É um dos únicos que está a tentar fazer coisas diferentes, como por exemplo, implementar um estilo de jogo mais moderno. E isso pode causar algumas dificuldades na Sérvia, mas a diferença de qualidade entre as duas equipas é mesmo muito grande. Acho que o SC Braga vai passar com facilidade.»
ZZ: Pelo que também fizeram o ano passado, acredita que os arsenalistas são fortes candidatos a conquistar a Conference?
NS: «O que o clube fez o ano passado na Europa surpreendeu-me. E mereciam muito mais, porque jogaram muito bem. Mas acho que sim, o SC Braga é um grande candidato a ganhar a prova. Têm uma enorme oportunidade de ganharem um troféu que nunca venceram. Não posso dizer que é o principal candidato; porém, penso que estará entre as três principais equipas que vão lutar por ganhar.»







































