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·28 Januari 2026
O último Campeonato Brasileiro que começou em janeiro: Relembre o Brasileirão de 1992

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Foi há 34 anos a última vez que o Brasileirão começou em janeiro. Na época, o Brasil ainda era tricampeão mundial, os pontos corridos estavam distantes no horizonte, as equipes brasileiras só tinham seis títulos de Libertadores e a Copa do Brasil iria para a sua quarta edição. Em 1992, o Flamengo foi campeão, Júnior foi o craque do torneio e Bebeto terminou como artilheiro, em disputa que aconteceu no formato atual da Série C.
Naquela época, os estaduais eram valiosos e eram disputados no segundo semestre. Para otimizar o tempo e evitar conflitos de datas com as seleções e competições sul-americanas, a CBF planejou o Brasileirão de janeiro a julho. Mas foram poucas as vezes que isso aconteceu na história.
Desde 1971, quando ganhou a nomenclatura de Campeonato Brasileiro, seis edições começaram em janeiro: 1981, 1982, 1983, 1984, 1985 e 1992. Curiosamente, 2026 será a sétima. Em outras sete oportunidades (1973, 1977, 1986, 1987, 1988, 2000 e 2020) a competição se estendeu até o primeiro mês do ano.
Para 2026, por conta do calendário apertado, com um grande número de jogos para as equipes que disputavam os principais torneios do país, a CBF destinou menos datas aos estaduais e estendeu o Brasileirão de janeiro até dezembro. Com isso, os clubes terão mais folgas entre um jogo e outro, mesmo com a Copa do Brasil e eventuais competições sul-americanas (Libertadores e Sul-Americana) em disputa.
34 anos atrás o Brasileirão era totalmente outro. Para se ter uma ideia, o Palmeiras tinha apenas quatro títulos reconhecidos, o Corinthians havia vencido apenas uma vez e o Santos ainda não era reconhecido pelos seis troféus conquistados entre 1961 e 1968. O maior campeão naquela altura era o Flamengo, que era tetra e se tornou pentacampeão.
O Campeonato Brasileiro de 1992 foi disputado em um formato hoje considerado puoco usual. As 20 equipes da primeira divisão jogariam todos contra todos, em apenas um turno, para decidir os oito classificados à segunda fase, que seria disputada em dois grupos com quatro equipes cada. Os dois últimos, em contrapartida, seriam rebaixados à segunda divisão.
Essa segunda fase foi realizada em formato de turno e returno, com seis jogos para cada equipe. Posteriormente, os primeiros colocados avançariam e disputariam a grande final, em jogos de ida de volta, com o clube de melhor campanha decidindo em casa. Curiosamente, este é o mesmo modelo adotado na Série C atualmente.
Vasco, Botafogo, Bragantino, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro, Santos, Guarani, Internacional, Palmeiras, Sport, Atlético Mineiro, Fluminense, Athletico, Portuguesa, Goiás, Bahia, Náutico e Paysandu foram os 20 participantes daquela edição. A ordem dos clubes também é a classificação ao fim dos primeiros 19 jogos, com os oito primeiros classificados e com os dois últimos rebaixados.
Na segunda fase, Flamengo, São Paulo, Vasco e Santos foram alocados no Grupo A, enquanto Botafogo, Bragantino, Corinthians e Cruzeiro estiveram no Grupo B. Os líderes de ambas as chaves foram Flamengo e Botafogo, que decidiram o Campeonato Brasileiro em conjunto pela primeira e única vez na história.
O Clássico da Rivalidade fez a final de um torneio pela segunda vez, três anos depois da decisão do Carioca de 1989, com o Glorioso levando a melhor no que ficou marcado pelo gol com "empurrão" de Maurício. A decisão de 1992 foi a segunda em 13 finais entre os clubes.
Com melhor campanha geral, o Botafogo teria a vantagem de decidir em casa, mas isso pouco adiantou com a final sendo um clássico. Mais de 100 mil pessoas estiveram presentes no Maracanã na partida de ida, no dia 12 de julho de 1992. Liderado por Júnior e composto por nomes como Marcelinho Carioca, Paulo Nunes e Djalminha, o Flamengo, mandante na ocasião, não decepcionou sua torcida e aplicou um histórico 3 a 0, com gols de Júnior, Nélio e Gaúcho.
A primeira partida ainda teve uma particularidade. Renato Gaúcho, na época atacante do Botafogo, e Gaúcho, colega de posição pelo lado rubro-negro, apostaram um churrasco feito e organizado por quem perdesse. Dito e feito: Renato teve de servir o amigo, dias antes do segundo confronto, e foi barrado de disputar a partida de volta por Emil Pinheiro, presidente do Botafogo na época.
A segunda partida apareceu, ao contrário da primeira, nas páginas policiais do Brasil. A expectativa era enorme no Maracanã, mas o dia ficou marcado por uma tragédia, com a morte de três pessoas no estádio. Mesmo assim, o embate foi mantido.
Sem um de seus principais jogadores, o Glorioso recebeu o Mengão no mesmo Maracanã, uma semana depois, para um público maior ainda: cerca de 120 mil pessoas. Mas não deu para o Botafogo: o Fla abriu 2 a 0 de vantagem, com Júnior e Júlio César, e ainda sofreu o empate, dos pés de Pichetti e Valdeir, mas de nada adiantou. Com o 2 a 2, Flamengo se sagrou campeão brasileiro de 1992 e se tornou, naquela altura, o maior vencedor do torneio com sua quinta taça.
Naquela época, a 23ª edição da Bola de Prata, tradicional premiação chancelada hoje pela Espn, montou a escalação do torneio, elegendo o melhor jogador e premiando o artilheiro. Dos 13 troféus distribuídos naquela ocasião, nove tinham como destino o Rio de Janeiro.
Confira os premiados abaixo:
Goleiro: Gilberto (Sport)
Lateral direito: Cafu (São Paulo)
Zagueiros: Aílton (Sport) e Alexandre Torres (Vasco)
Lateral esquerdo: Válber (Botafogo)
Volante: Mauro Silva (Bragantino)
Meias: Júnior (Flamengo) e Zinho (Flamengo)
Atacantes: Renato Gaúcho (Botafogo), Bebeto (Vasco) e Nélio (Flamengo)
Bola de Ouro: Júnior (Flamengo)
Artilheiro: Bebeto (Vasco)









































