Território MLS
·15 April 2026
🇺🇸 Opinião: como a seleção dos Estados Unidos deve jogar na Copa do Mundo 2026

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·15 April 2026

O Território MLS acompanhou de perto a última Data FIFA da seleção dos Estados Unidos (USMNT) antes da convocação final para a Copa do Mundo 2026. E depois do que foi visto em Atlanta, algumas coisas deixam de ser dúvida e passam a ser definição.
Somente após a Copa Ouro, Mauricio Pochettino iniciou de fato a preparação da seleção dos Estados Unidos para a Copa do Mundo 2026, implantando sua ideia de jogo no USMNT.
A identidade é clara: intensidade.
Os Estados Unidos pressionam de forma constante, principalmente no pós-perda, tentando recuperar rapidamente a bola e atacar em sequência, o famoso “Gegenpress”. O problema nunca foi a ideia e sim a execução.
Ao longo dos amistosos, a principal dificuldade apareceu de forma recorrente:
Mas a melhor resposta para isso já apareceu dentro do próprio ciclo.
A melhor atuação da seleção dos Estados Unidos foi a vitória por 5 a 1 contra o Uruguai.
Naquele jogo, o time saia de um 3-4-2-1 no papel, mas funcionava como um sistema completamente híbrido na prática.
O funcionamento era claro:
Ou seja, o USMNT alternava constantemente entre linha de três e linha de quatro.
O equilíbrio vinha da dupla Aidan Morris e Sebastian Berhalter.

Melhores amigos fora de campo, Aidan Morris e Sebastian Berhalter levaram o entrosamento para o jogo — e foram a base do meio-campo na goleada contra o Uruguai. 📸 Crédito: Sofía García Vargas / Creative Loafing Tampa Bay
Morris atuava com mais responsabilidade defensiva, enquanto Berhalter tinha mais liberdade, mas ambos conseguiam atacar e defender. Mais do que proteger a defesa, eram eles que ditavam o ritmo do jogo.
No ataque:
Foi nesse modelo que os Estados Unidos tiveram sua atuação mais convincente no ciclo.
O principal aprendizado é simples:
Não é sobre ter os melhores nomes, é sobre ter o melhor encaixe e ele já apareceu.
Contra Portugal, Pochettino mudou um pouco a estrutura e voltou ao 4-3-3.
A ideia fazia sentido: povoar o meio para competir contra um dos melhores meio-campos do futebol de seleções.
Mas o problema foi claro.
O trio formado por Morris, Berhalter e Weston McKennie não tem um volante de contenção de origem. São jogadores com características ofensivas mais fortes do que defensivas.
Sem esse perfil, o meio-campo ficou exposto, dessa forma Bruno Fernandes e Vitinha dominaram os Estados Unidos.
Jogadores como Johnny Cardoso, Tanner Tessmann e Tyler Adams seriam mais adequados para essa função.
Além disso, Christian Pulisic foi utilizado de forma mais centralizada, quase como um falso 9, algo que não deve se repetir e foi uma carta apenas para tentar recuperar o atleta, que ainda não marcou em 2026.
Se a ideia for manter o sistema híbrido, a base precisa seguir o que funcionou contra o Uruguai.
Matt Freese; Alex Freeman, Chris Richards, Auston Trusty; Sergiño Dest, Aidan Morris, Sebastian Berhalter, Antonee Robinson; Weston McKennie, Christian Pulisic e Folarin Balogun.
Na prática:
No ataque:
Jogadores como Tim Weah, Malik Tillman, Johnny Cardoso, Tyler Adams ficando de fora pode parecer “estranho”, mas a ideia não é colocar seus medalhões em campo “só por colocar” e sim fortalecer a intensidade do time para os 90 minutos, que foi um grande problema durante os amistosos.
Com esses atletas no banco e um esquema que permite a equipe alterar a formação apenas com poucas movimentações, os Estados Unidos ganham um banco de reservas poderoso para aguentar 90 minutos de intensidade.
Os primeiros 45 minutos são importantes para machucar o adversário e para isso, Pulisic e McKennie precisam estar em conexão, entrosados como Aidan Morris e Sebastian Berhalter. Os dois melhores jogador da equipe em sintonia, podem entregar chances nos pés do artilheiro Balogun e decidir um jogo já no 1° tempo.
Existe também um cenário onde os Estados Unidos precisam propor o jogo.
Nesse caso, o 4-3-3 é viável, desde que ajustado.
Freese; Dest, Richards, Trusty, Robinson; Johnny, McKennie e Tillman; Weah, Balogun e Pulisic.
O ponto-chave é a presença de Johnny Cardoso.

Johnny Cardoso é o equilíbrio que faltou: o volante de contenção que protege a defesa e dá liberdade ao meio-campo dos Estados Unidos.📸 Crédito: US Soccer
Ele é o volante de contenção que faltou contra Portugal e permite que o restante do meio-campo jogue com mais liberdade.
Neste modelo, a equipe tem seus principais jogadores em campo, de forma organizada e em suas funções corretas, diferente do que vimos nos amistosos.
Dependendo do adversário, Tanner Tessmann pode assumir esse papel com uma função diferente:
Essa variação:
Johnny não atua como 3° zagueiro naturalmente, Tessmann já fez essa função por clubes e até na seleção, então com ele, o time consegue sair de um 4-3-3 para um 3-4-3 muito forte e com facilidade, sem Tessmann, o time mantém a formação, talvez conseguindo alterar posições nos jogadores de ataque com Tillman, McKennie e Pulisic. Pela direita, Weah e Dest são uma forte dupla, ambos conseguem atacar e defender com intensidade.
A Data FIFA em Atlanta não definiu a lista final, mas deixou claro quem está pronto e quem ainda é aposta.
Goleiros: Matt Freese, Matt Turner, Chris Brady
Laterais direitos: Sergiño Dest, Joe Scally
Zagueiros: Alex Freeman, Chris Richards, Mark McKenzie, Tim Ream, Auston Trusty
Laterais esquerdos: Antonee Robinson, Max Arfsten
Volantes: Johnny Cardoso, Tanner Tessmann, Tyler Adams
Meias: Weston McKennie, Sebastian Berhalter, Aidan Morris
Meias ofensivos: Malik Tillman, Brenden Aaronson, Giovani Reyna
Pontas esquerdas: Christian Pulisic, Diego Luna
Ponta direita: Tim Weah
Atacantes: Folarin Balogun, Ricardo Pepi
Não é uma lista perfeita, mas é coerente com o que o USMNT mostrou até aqui.
Mauricio Pochettino foi direto: os Estados Unidos não têm os melhores jogadores do mundo, mas isso não pode ser uma desculpa.
A seleção é competitiva. O que falta não é talento, é inteligência na forma de jogar.
E quando encontra o sistema certo, os Estados Unidos já mostrou que pode competir com qualquer adversário na Copa do Mundo 2026.









































