Passou pelas distritais e é adversário de Portugal no Mundial: «Faz falta em qualquer balneário» | OneFootball

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Zerozero

·17 Juni 2026

Passou pelas distritais e é adversário de Portugal no Mundial: «Faz falta em qualquer balneário»

Gambar artikel:Passou pelas distritais e é adversário de Portugal no Mundial: «Faz falta em qualquer balneário»

A estreia de Portugal no Campeonato do Mundo de 2026 está já ao virar da esquina e o primeiro adversário é a RD Congo, que conta com várias caras conhecidas do futebol português. 

Entre nomes como Chancel Mbemba, Simon Banza, Charles Pickel, Dylan Batubinsika e Joris Kayembe, o zerozero prestou particular atenção a Brian Cipenga. O avançado, atualmente com 28 anos, atua no Castellón, da segunda divisão espanhola, onde apontou nove golos e 11 assistências em 48 partidas disputadas.


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No entanto, o que salta à vista é o currículo do extremo, que conta com passagens por Boavista, Freamunde, FC Famalicão, SC Ideal, Anadia FC, Lank Vilaverdense e Paços de Ferreira - inclusive, estreou-se nos campeonatos distritais da AF Porto.

Por outro lado, e a nível internacional, tem feito parte das escolhas recentes do selecionador Sébastien Desabre, mesmo atuando em escalões mais baixos - soma já oito internacionalizações pelos leopardos.

Com estes dados em cima da mesa, o nosso portal decidiu entrar em contacto com André Soares, antigo capitão de Cipenga nos vilaverdenses, para entender melhor esta ascensão do atacante e que perigos pode representar para a Seleção Nacional.

«Via-se a felicidade e a muita confiança dele com a bola»

A aventura de Cipenga na Liga 3 até foi discreta em termos de números; porém, o ano e meio ao serviço do emblema de Vila Verde deixou marcas positivas que duram até hoje.

«Toda a gente gostava muito de brincar com ele, porque ele realmente era muito engraçado e alguém de que todos gostávamos. Era uma personagem (risos)», começou por relembrar André, antes de se focar no jogador em si.

«Ele transportava bem o que era fora das quatro linhas para dentro do campo. Uma pessoa muito alegre, muito divertida e que estava sempre bem disposta. Via-se a felicidade e a muita confiança dele com a bola e a jogar», revelou.

«Muito intenso, com uma explosão enorme e diferenciado no um para um» são algumas das características apontados pelo ex-capitão a «Cipy», como era carinhosamente conhecido no balneário.

Ainda assim, a necessidade de evoluir em alguns aspetos esteve sempre presente: «Lembro-me que, na altura, nós, os jogadores mais experientes, conversávamos que se ele realmente melhorasse ali a parte da decisão, do critério, de servir os colegas e a finalização, poderia atingir outros patamares, dos mais altos mesmo.»

«Porque ele nas qualidades que tinha - velocidade, finta e potência - era diferenciado. É aquele extremo que gosta mesmo de massacrar os laterais e, ao mesmo tempo, conseguia impor aquele ritmo muito alto dele durante os 90 minutos, o que era incrível», acrescentou.

A verdade é que Cipenga não chegou a atingir esses voos. Isto, claro está, a nível de clubes, uma vez que se prepara agora para a estreia num Campeonato do Mundo com a seleção congolesa.

«O Cipenga que chegou e o que seguiu o seu caminho é completamente diferente»

Esta presença no Mundial não é por acaso, mesmo atuando em divisões que não a primeira. Para isso, só o talento não bastou, apesar de ter sido meio caminho andado.

«O que o levou a atingir estes voos foi o que eu vi dele enquanto pessoa e profissional. Lá está, ele era alguém que trabalhava sempre com um sorriso no rosto e com uma mentalidade aberta. Era muito focado e tinha uma grande crença nele mesmo, ou seja, confiava muito nas suas capacidades», explicou André.

«Depois, o Cipenga que chegou e o que seguiu o seu caminho noutro clube é completamente diferente, houve uma evolução muito grande no aspeto do jogo em si, em termos táticos e de perceber os movimentos», referiu ainda.

No entanto, este sucesso recente não se deve apenas ao trabalho individual. Durante o seu tempo em Portugal, houve uma figura que se mostrou preponderante para a sua evolução.

«Deve-se também muito ao trabalho do mister Ricardo Silva [ex-treinador do Lank Vilaverdense], que o protegeu na altura e que o sustentou. Teve esse trabalho especial com ele, porque também percebeu todo o potencial dele», contou.

O extremo fez parte da equipa que garantiu a promoção à Segunda Liga em 2022/23. Na temporada seguinte, representou o Paços de Ferreira, tendo rumado ao Castellón em 2024, na sequência de um litígio com o clube pacense.

Contudo, e após vários anos sem partilharem o balneário e o relvado, a amizade entre Cipenga e André Soares continua intacta aos dias de hoje: «Ainda mantenho contacto com ele, de vez em quando ainda falamos, mas quase nunca de futebol. É mais para nos rirmos um pouco e para sabermos como é que estamos.»

«Eu peço sempre para ele me mandar uns áudios no whatsapp. Acho que deviam ser serviço público, porque são qualquer coisa de especial (risos). Ele é mesmo muito engraçado e muito bom menino», frisou.

«Não existem dúvidas do potencial que se pode encontrar na Liga 3»

Essa bonita relação começou bem cedo, desde os primeiros tempos em que se encontraram em Vila Verde. Consequentemente, e na conversa com o nosso portal, não faltaram elogios ao atacante africano.

«Fora do campo a nossa relação foi sempre muito boa. Desde o início que eu adoro a personalidade dele, acho que é aquele tipo de jogador que faz falta em qualquer balneário. Alguém que só quer rir e que não quer criar problemas», declarou.

«Estava muitas vezes com ele depois dos treinos. Íamos jantar ou fazer outra coisa, porque ele era um menino de quem eu gostava muito e que sempre tentei ajudar», recordou também.

Essa ajuda estendia-se para dentro das quatro linhas, visto que Cipenga era uma peça fundamental para a equipa: «Em campo já era um bocado diferente (risos). Chateava-o muitas vezes, pois reconhecia o valor que ele tinha e a importância dele para a nossa equipa. Nunca quis que ele desperdiçasse a oportunidade que estava a ter e o seu potencial.»

«Ele era mesmo muito importante para nós e na nossa forma de jogar, então tive de o chatear muito, mas nunca houve qualquer tipo de problema. Ele sempre percebeu que tudo o que eu lhe dizia era para o bem dele e da equipa. Ele sabia o carinho que tinha por ele, por isso foi sempre tudo tranquilo», afirmou.

Esta caminhada até à maior montra do futebol internacional não foi obra do destino. E, com isso, as atenções podem-se virar para a «qualidade existente» nas distritais portuguesas e na Liga 3.

«O facto do Cipenga estar prestes a disputar o Mundial e há três anos ter estado na Liga 3, vem reforçar a qualidade existente em Portugal. Acho que já não existem grandes dúvidas do potencial que se pode encontrar na Liga 3 - isto é, treinadores, jogadores e diretores desportivos», considerou.

Por fim, e por «respeito aos internacionais portugueses», André Soares recusou-se em dar conselhos de como parar o avançado congolês. Por outro lado, deixou um aviso de como é que o extremo pode causar problemas aos lusos.

«Pode acrescentar a irreverência e a determinação dele. A tal confiança em atacar o adversário, a área e a baliza pode ser bastante útil», concluiu.

Esta história de Brian Cipenga é um retrato do que é o futebol no seu estado mais puro. Um percurso feito longe dos holofotes, que relembra que o caminho até ao topo nem sempre começa nos grandes estádios - às vezes, inicia-se nas distritais e acaba-se no Campeonato do Mundo...

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