MeuMadrid
·13 Maret 2026
Quando tudo parecer faltar, ainda restará Valverde

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Pensar na final da Champions de 2022 automaticamente traz o nome de Thibaut Courtois, na maior atuação já vista de um goleiro na história do futebol. Mas é também lembrar do meia-direita Federico Valverde. Naquela ocasião, Valverde avançou pelo corredor destro e cruzou para Vini Jr fazer o gol do título. Quase quatro anos depois, jogando na mesma posição, o uruguaio consegue o primeiro hat-trick da carreira e desmonta mais um plano genial de um velho conhecido na Champions – contém ironia. Sinto-me bastante seguro em dizer que foram os melhores noventa minutos da carreira do craque uruguaio. O que são palavras maiores, sem dúvida, considerando um jogador já consolidado há muitos anos como um dos melhores do maior clube do mundo.
Já desde a temporada passada, com a lesão de Carvajal e o pobre rendimento de Lucas Vázquez, o camisa 8 teve que ser lateral-direito. E o fez com louvor, se tornando um dos melhores do mundo na posição. O cenário continuou na primeira metade de 2025/26, com o estado físico quase sempre delicado de Arnold e Carvajal. Líder e símbolo do futebol como esporte coletivo, Valverde fez o que era necessário para o bem da equipe, mas também deu a letra: “Não nasci para jogar de lateral, não me sinto cômodo nessa posição”.
O problema é que o jogador que é versátil e faz muitas coisas muito bem geralmente também paga um preço por isso. Como ele joga bem em todas, pode estar em qualquer lugar do campo. E não é bem assim. As pessoas, dentro e fora do futebol, se esquecem de que esse cara também tem um melhor contexto e melhores características, que merecem ser potencializadas. Claro que essa versatilidade pode ser explorada às vezes, mas há que se fazer todo o possível para que os melhores jogadores encontrem o seu melhor contexto na grande maioria das vezes.
Como lateral, Valverde fica muito longe do gol. Acaba tendo poucas oportunidades de entrar na área ou chutar de média e longa distância. Partindo da segunda linha em um 4-4-2, como foi contra o City, tem muito mais chances de atacar a área como elemento surpresa, movimento que faz muito bem, como demonstrou nos três gols marcados. Embora tenha recebido a camisa 8 e a benção de Toni Kroos, Federico Valverde é muito diferente do alemão. Não é um jogador muito associativo, não tem no passe uma prioridade de seu jogo, seja para dar assistências ou para ditar o ritmo do time.
Valverde é principalmente um tanque físico, cobre muito espaço em campo e tem uma capacidade de arrasto impressionante. Assim, pode ser mais útil pelo lado do campo, região menos congestionada e mais propícia para suas arrancadas, deixando o meio-campo para jogadores mais criativos e passadores. Fazendo uma analogia, o uruguaio é melhor como flecha do que como arco.
Por último, a própria formatação de elenco do Real Madrid pede, ou até grita, pela escalação de Fede Valverde como meia/ponta pela direita. Ninguém se firmou na posição. Rodrygo agora está lesionado mas, convenhamos, já não vinha em boa fase. Mastantuono oscila muito, não está pronto para ser titular do Real Madrid. Endrick, que poderia ser testado por ali, não teve espaço e acabou emprestado. Brahim Díaz é muito bom jogador, extremamente útil, mas não alcança para ser titular incontestável do Madrid. Esse posicionamento não é novo para Valverde, que foi titular assim na maior parte da temporada 21/22, mas essa opção foi muito menos explorada do que deveria nos anos subsequentes. Ao contrário da lateral, o atleta não é hostil à possibilidade. Muito pelo contrário, até já declarou que gosta de atuar por ali. Devolvam o imparável meia-direita Fede Valverde, por favor!









































