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·16 April 2026

Quatro jogadores do SC Espinho relatam salários em atraso: «Fui alvo de ameaças...»

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O SC Espinho, clube histórico com 11 participações na I divisão portuguesa, é acusado de salários em atraso por parte de quatro jogadores do plantel principal. Este quarteto de atletas alega, ainda, ter sido afastado dos treinos da equipa, acusando os dirigentes do clube de «não responderem a ninguém».

André Fonseca e Caló são dois dos jogadores envolvidos nesta situação, mas o zerozero sabe que existem mais dois elementos neste cenário. Por questões legais, os mesmos preferem não operar uma reação pública. Além da conversa com os futebolistas, o nosso portal também contactou o clube.


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Da direção dos Tigres da Costa Verde, recebemos uma curta reação oficial. 

«Não queriam que tivéssemos contacto com outros jogadores»

 André Fonseca, guarda-redes de 30 anos, começou por explicar o momento em que os futebolistas foram colocados à margem do resto do plantel.

«Após uma derrota em Oliveira do Bairro, na segunda-feira seguinte, e eu mais três elementos - um deles foi titular, outro entrou na segunda parte, outro não foi convocado e eu fiquei no banco - fomos colocados à parte. Ligaram-nos a dizer para não irmos ao treino. Alegaram que a equipa técnica já não estava connosco. Fomos proibidos de treinar.» 

Caló, outro dos atingidos, apontou o dedo à direção: «Não recebi nenhum tipo de comunicação por parte deles. Não respondem a ninguém. Estão a ter uma atitude inqualificável. Neste momento estamos reféns desta situação. Vamos continuar à espera de uma alma piedosa que se lembre que existimos. Até lá, permanecemos neste cenário.»

André Fonseca acrescentou pormenores relevantes:

«Mostrei-me disponível para comparecer sempre que me chamassem. Desde que fui colocado à parte, andei a gastar gasolina para ir para o campo de treinos, chegava lá, marcava presença e não tinha roupa para treinar. Na segunda-feira em que me ligaram, compareci na mesma e disseram-me que não era para treinar. Isto aconteceu a 31 de março. Foi tudo feito numa chamada, não oficializaram a dispensa com um documento. Disseram-nos que não queriam que tivéssemos contacto com os outros jogadores.»

Caló revelou, entretanto, ter enfrentado uma questão disciplinar na presente época: «O clube está numa situação complicada. Tenho muita pena. Tive um problema interno durante a temporada, mas foi resolvido. Não esperava isto. Fui surpreendido. Depois desse problema, o treinador diz-me que está tudo bem, sou convocado para dois jogos e ao terceiro não sou chamado. Na segunda-feira seguinte à não convocatória, acordo com uma chamada a dizer para não treinar.»

«Existiram tentativas de chantagem»

Para lá das acusações de terem sido colocados à margem do restante plantel, os jogadores também relataram ordenados por pagar. Caló, de 33 anos, refere mesmo que vivia somente dos rendimentos que o futebol lhe trazia.

«Eu vivia só do futebol e esta vinda para o SC Espinho foi encarada como um sacrifício para dar um passo mais à frente. Ali, supostamente, teríamos um contrato melhor do que em campeonatos superiores. Estando com salários atrasados, temos de usar os nossos recursos. Quem tem... porque quem não tem sofre, sendo ignorado pelo clube», confessou o extremo. 

Sobre o mesmo tópico, o avançado deixou mais alegações: «De momento, eu e os três colegas visados estamos com dois salários em atraso, sendo que já fui alvo de ameaças e jogos psicológicos por parte de gente que faz parte do clube. Eu tentei levar as coisas a bem, mas existiram tentativas de chantagem.»

O guarda-redes, por sua vez, acrescentou o seguinte: «Dos quatro elementos, eu sou o único que trabalha para lá do futebol. Os outros dedicavam-se a 100 por cento ao Espinho. Apesar de ser Distrital, é algo quase profissional. É uma equipa com orçamento alto, com jogadores de longe.»

Caló prosseguiu, explicando que a atual situação pessoal é delicada: «Fiquei desamparado. Até os meus colegas que têm outro trabalho ficam numa situação mais debilitada. Então imagine-se o nosso prisma, de quem vivia só dos rendimentos do futebol. Não é um mês, são dois. As contas não deixam de vir. Temos de responder às nossas responsabilidades na mesma. Fomos alimentados com promessas não cumpridas», lamentando, antes de ir mais longe. 

«Neste mês, da malta integrada no plantel, só os colocados à parte, equipa técnica e staff é que ainda não foram pagos. O plantel tem um mês em dívida, nós dois. O clube garantiu-nos uma realidade completamente diferente da que encontrámos nos últimos meses. Não só na tabela, como é percetível, mas também no cumprimento de acordos com os atletas», finalizou.

«Esta instituição tem adeptos extraordinários»

Os clubes históricos não só se fazem de presenças na I Liga ou títulos em campeonatos. A dimensão da massa humana também faz, e fará, parte do crescimento de qualquer instituição. Os dois atletas pronunciaram-se sobre o tema. 

André Fonseca está na segunda época no SC Espinho e lamenta a situação. «Tenho pena de tudo isto. Esta instituição tem adeptos extraordinários, que ajudam muito na adaptação e demonstram muito amor à camisola. Isso passa para os jogadores. Também passamos a gostar muito do clube. Infelizmente, não atravesso a situação que imaginava e desejava.»

O avançado confessa ter estima e empatia pelos sócios espinhenses: «Os adeptos não têm o clube no patamar que merecem. Aquela gente tem uma crença enorme, não têm culpa disto. Não têm culpa de verem o clube da terra neste estado.»

A reação do SC Espinho

Para que ambas as partes tivessem voz nesta situação, o zerozero também abordou a direção dos Tigres da Costa Verde, de modo a obter o contraditório.

Após uma primeira abordagem informal, a direção presidida por Bernardo Gomes de Almeida enviou-nos a seguinte reação oficial, quando confrontada com os testemunhos supracitados.

«É uma questão interna do clube. Ninguém foi apanhado de surpresa, o clube seguiu os procedimentos normais nestes casos.»

O SC Espinho ocupa atualmente o quarto lugar no Campeonato de Elite da AF Aveiro e está fora da luta pela subida aos Nacionais. 

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