Portal dos Dragões
·20 Januari 2026
Rafa: “Quero ganhar ainda mais e quero voltar a ganhar tudo”

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Rafa pôs fim às especulações e renovou o seu vínculo com o FC Porto por mais uma época, com duas temporadas adicionais em opção. Desejoso de “continuar a ganhar e a dar títulos ao Clube” e de ser recordado como “um exemplo pelo trabalho e pela dedicação”, o hoquista de 34 anos expressou o “orgulho e satisfação” que sente ao viver “um sonho tornado realidade”.
No decurso da primeira época sob o comando de Paulo Freitas, Rafa afirma que “a adaptação já foi feita” e que o objetivo passa por “continuar no caminho trilhado nos últimos jogos”. “Por muito boa fase rolar que façamos, o título vai decidir-se no play-off”, recorda o número 9, que assegura que a equipa o vai “encará-lo com a máxima confiança” para “ganhar ainda mais e voltar a ganhar tudo”. “Foi por isso que decidimos estender esta ligação”, confidencia o vencedor do Dragão de Ouro na categoria Modalidades de Pavilhão.
No Arena como em casa“Esta renovação significa muito para mim, aqui sinto-me em casa. É aqui que eu quero estar, é aqui que me sinto bem. Perceber que ano após ano o FC Porto continua a contar comigo e com o meu trabalho é muito gratificante, sem dúvida, porque sempre me disseram que mais difícil do que chegar a este patamar era conseguir manter-me aqui durante muitos anos e a verdade é que os anos vão passando e eu continuo por cá. Isso enche-me de orgulho e de satisfação.”
Dragão desde 2009“Quando cheguei era um miúdo cheio de sonhos e poder fazer aqui toda a carreira era um desses sonhos. Felizmente isso tem acontecido até ao dia de hoje, porque mesmo nos três anos que passei fora estive sempre contratualmente ligado ao FC Porto. Hoje olho para trás e, se calhar, todos os sonhos que tinha já foram atingidos. Mas eu não quero ficar por aqui, quero continuar a ganhar e a dar títulos ao FC Porto. Só com esse pensamento é que faz sentido continuar aqui.”
De José Rafael a Rafa“Na altura pedi para o nome da camisola ser Rafa por algum motivo e na altura ainda não tinha moral para me queixar do nome José Rafael. Se calhar foi praxe, mas são camisolas que eu guardo com muito orgulho e que me fazem recordar o plantel em que estava inserido, com muitos dos meus ídolos na altura. Agora olho para trás e percebo que estas camisolas já têm muitos anos e continuar aqui é, sem dúvida, algo espetacular.”
O lote dos capitães“Foi algo que surgiu naturalmente, é o percurso normal das coisas e da vida. Entrei aqui muito jovem, tive oportunidade de aprender com muitas das minhas referências, acabei por sair emprestado para ganhar experiência e ritmo de primeira divisão e, quando volto, volto para um projeto que nascia a partir do zero, com muita gente nova. Muitos dos que eram novos nessa altura continuam por cá, mas tivemos todos de crescer. Hoje vejo-me como via as minhas referências na altura, com esse papel extra de ajudar quem chega de novo, de tentar passar um bocado a experiência que fui ganhando ao longo destes anos para que eles se sintam tão bem quanto possível, como fizeram comigo na altura. Fizeram-me sentir sempre muito bem e tento transmitir-lhes os valores do FC Porto, para saberem o que é o Clube, o que é jogar no FC Porto e a responsabilidade que é vestir esta camisola. Tanto eu como os meus colegas mais velhos temos feito isso de uma forma evidente e temos conseguido ganhar títulos. As pessoas sentem-se bem quando chegam aqui e, quando é assim, é tudo muito mais fácil dentro do campo.”
Referências no hóquei“O FC Porto sempre teve grandes jogadores e é errado olhar apenas para um, porque o importante é aprender com todos e retirar um bocado de cada um para melhorar. Mas há nomes como o Reinaldo Ventura e o Filipe Santos que são, sem dúvida, referências do hóquei em patins nacional. O próprio Pedro Gil, o Edo Bosch… foram estes que apanhei no meu primeiro ano aqui e são jogadores que sempre me habituei a ver na televisão desde que comecei a gostar de hóquei em patins e poder estar ao lado deles era um sonho tornado realidade.”
Trabalho e dedicação“Eu gosto que as pessoas que trabalham comigo tenham noção de que eu tento sempre fazer as coisas o melhor possível, tento sempre esforçar-me ao máximo, passar esse tipo de valores do trabalho diário e de que só com esforço é que se conseguem os grandes feitos. Por é que eu digo sempre que o reconhecimento que vem de dentro, das pessoas com quem convivo diariamente, é o mais importante. Como é óbvio todos gostamos sempre de ser acarinhados pelos adeptos, mas os adeptos só veem aquilo que acontece ao fim de semana e não todo o processo durante a semana. É assim que eu gostava de ser lembrado pelos mais novos, sabendo que os ajudo naquilo que eles precisarem e sendo um exemplo pelo trabalho e pela dedicação.”
Treinadores marcantes“Quando cheguei o treinador era o Franklim (Pais), que também é uma referência, e poder trabalhar com ele também foi algo que me marcou. Pude aprender com todos os treinadores que apanhei, principalmente no FC Porto, e todos são importantes para o nosso processo. No passado recente destaco o Ricardo (Ares), que esteve cá quatro anos e em todos conquistámos títulos importantes, como foi o caso dos três campeonatos e da Champions, um troféu que o FC Porto já procurava há muito tempo. Aqui vou direto aos títulos, mas também não vivemos só de títulos, vivemos também do dia a dia, do próprio trabalho, das relações pessoais que vamos criando e o Ricardo, por ter sido o último e por aquilo que conseguimos, marcou-me de uma forma bastante positiva, juntamente com toda a sua equipa técnica.”
Títulos preferidos“A Champions é sem dúvida especial por tudo o que simbolizou para o Clube, pelo tempo que passámos sem ganhar e por todas as oportunidades perdidas, nomeadamente em finais que o FC Porto disputou durante 33 anos, se não estou em erro. Foram muitas finais, nunca se conseguiu voltar a trazer a Champions para o Dragão, inclusive depois de algumas finais perdidas em casa, e por tudo isso a Champions é sem dúvida especial. E também porque é aquele título com que todos sonhamos desde pequeninos. O título de Campeão Nacional do ano passado, por tudo aquilo que eu passei durante a época, também foi muito especial e tudo o que veio depois disso, como o prémio que acabei por receber do Zerozero e o Dragão de Ouro, que também está muito ligado a esse título. Como devem calcular não foi uma fase fácil da minha vida profissional e pessoal também. Falo da lesão, claro, não sabia como é que iria voltar, queria voltar o melhor possível, mas não sabia quanto tempo iria demorar. Entretanto, as coisas também não foram correndo da melhor forma, mas a verdade é que quando estivemos todos juntos conseguimos levar a equipa para a frente e conseguimos chegar a uma final da Champions. Infelizmente perdemos nos penáltis, mas conseguimos ganhar um título que para nós foi muito importante. O meu terceiro título preferido se calhar foi o primeiro que ganhei depois do regresso, porque nos primeiros dois anos tive o privilégio de poder aprender e de estar perto dos meus ídolos e de ganhar com eles, mas só senti que era realmente importante quando regressei após três anos de empréstimo. O primeiro título é a Taça de Portugal em Ponte de Lima, quando ganhámos a final ao Benfica.”
Os anos dourados“É muito complicado repetir o feito do Deca. Hoje em dia disputamos um campeonato muito competitivo, temos várias equipas que podem lutar pelo título e o campeonato acho que está muito mais competitivo do que noutros anos. Se não estivermos no nosso melhor, especialmente nos jogos fora, é possível perder pontos em qualquer campo. O campeonato é mais exigente, e ainda há a questão os play-offs. Não digo que é impossível, porque na verdade não é, mas claro que é bastante difícil. Prova disso mesmo é que já não havia um Bicampeonato Nacional de hóquei em patins há alguns anos.”
O discurso nos Dragões de Ouro“Estava muito mais nervoso do que na final da Champions. Não estamos habituados a falar para tanta gente, não sabia se ia ganhar ou não e foi um momento de nervosismo. Quando ouvi o meu nome, o nervosismo passou momentaneamente – pensei «ok, ganhei», mas logo a seguir voltou, porque tive de subir ao palco e discursar, algo que não estou habituado a fazer. O Dragão de Ouro está em minha casa, num sítio onde eu o vejo a todos os dias e onde todas as pessoas que lá vão também podem ver.”
A chegada de Paulo Freitas“As ideias são diferentes, o método de treino é diferente e temos de nos adaptar. A verdade é essa, temos de nos adaptar aos novos conceitos, ao novo treinador e, apesar do grupo já se conhecer há alguns anos, isso também acaba por ajudar. As ideias dos treinadores são diferentes e há sempre um período de adaptação. Acho que demorou um pouco a assimilarmos aquilo que o Paulo nos pediu, até porque muitas vezes recorríamos àquilo que tínhamos de outros anos, mas acho que é normal. Creio que a adaptação já foi feita e acredito que vamos continuar no caminho que temos vindo a construir nestes últimos jogos.”
Ambições intactas“No campeonato não estamos no lugar que queremos, mas no último ano já ficou provado que no play-off começa tudo de novo. A verdade é essa, por muito boa fase regular que façamos, o título vai decidir-se no play-off. Obviamente que o fator casa é sempre uma vantagem grande, mas as duas equipas que chegaram à final do ano passado não tiveram o fator casa na meia-final e nós até acabámos por ser campeões fora de casa. Queremos manter esta linha, queremos melhorar, queremos ser constantes e depois da fase regular faremos as contas. Vamos encarar o play-off com a máxima confiança.”
O formato do campeonato“Quando acabo a fase regular em primeiro preferia que acabasse logo a época. O play-off é mais exigente e acredito que ter uma fase final com muitos jogos entre as melhores equipas seja mais apelativo para o público e melhor para o espetáculo, mas torna-se mais cansativo para nós. Também gostamos desse tipo de jogos e acaba por ser bom para o hóquei e também temos que perceber que é importante promover a modalidade para que as pessoas gostem cada vez mais de ver hóquei em patins.”
Adeus à seleção“Foi uma decisão muito ponderada. Adorava estar na seleção, mas acho que chegou a altura de pensar noutras coisas. É algo que rouba também algum tempo das nossas férias e é tempo que quero aproveitar cada vez mais para estar com a minha família. Os anos vão passando e naquele curto período de tempo sofremos um desgaste grande a nível físico, porque durante um mês temos de nos preparar da melhor forma possível para uma prova de uma semana. Quero que isso deixe de condicionar a minha época no clube. Jogar em casa, com grandes probabilidades de ganhar, sempre me pareceu uma boa forma de sair e felizmente isso aconteceu. Acima de tudo, foram estes três fatores que mais pesaram na decisão.”
Ambições para o futuro“As minhas metas individuais são sempre metas coletivas. Quero ganhar mais. Já ganhei tudo o que poderia ganhar com esta camisola, mas quero ganhar ainda mais e quero voltar a ganhar tudo. Foi por isso que decidimos estender esta ligação.”









































