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·19 Juni 2026
São Paulo contra Marroquinos

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Neste dia 19 de junho, Escócia e Marrocos se enfrentam na Copa do Mundo e o Arquivo Histórico aproveita a ocasião para relembrar a única vez que o São Paulo visitou o continente africano em toda a história.
No meio da temporada de 1969 e logo após o término do Paulistão, o Tricolor promoveu uma longa excursão à Europa para uma série de jogos e torneios amistosos. A comitiva são-paulina visitou países como Alemanha, Suécia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária, até desembarcar na Espanha, vestir o uniforme do Recreativo de Huelva, vencer o Real Madrid e conquistar o Troféu Colombino.

O título deu grande renome à equipe brasileira, tanto que foram convidados para outro tradicional torneio de intertemporada, o Torneio Mohammed V (nome do sultão que conquistou a independência do país poucos anos antes), em Casablanca, no Marrocos, dentro de poucos dias.
Os demais integrantes da competição seriam o anfitrião Wydad Casablanca, mais conhecido como WAC; o Bayern de Munique, da Alemanha; e o Barcelona, da Espanha. A equipe catalã, inclusive, muito respeitava e temia os brasileiros, mas que também vinha de uma conquista recente: o Troféu Juan Gramper, sobre o Zaragoza.
Mundo Deportivo, 30/08/1969
A delegação tricolor chegou em Rabat, no Marrocos, no dia 28 de agosto. Ela era composta por apenas 16 jogadores: Arlindo, Babá, Benê, Cláudio, Cláudio Deodato, Eduardo, Jurandir, Nenê, Miruca, Nelsinho, Paraná, Picasso, Roberto Dias, Téia, Tenente e Terto. O grupo conseguiu tirar um dia para treinar antes de enfrentar o Barcelona, no dia 30, no estádio Mohammed V.
Apesar da partida bem disputada, a maratona de jogos e viagens pesou e o São Paulo não conseguiu parar o Barcelona, que contou com ampla torcida adversária proveniente de Ceuta e Melila, territórios espanhóis próximos incrustados no Marrocos. 2 a 0 para o Barça.
Não houve tempo, porém, para descanso, e o Tricolor voltou a campo no dia seguinte para a decisão do terceiro e quarto lugares do torneio. O São Paulo enfrentaria o WAC Casablanca, que foi superado pelo Bayern de Munique também por 2 a 0 (depois, o Barcelona acabaria por se sagrar campeão ao derrotar, nos pênaltis, os alemães).
“El encuentro reflejó perfectamente el duelo entre dos estilos muy diferentes de fútbol. Los paulistas con un ritmo más lento, pero dominando a la perfección el balón, tejieron en Casablanca una tupida red de araña donde acabó muriendo la vivacidade de la línea ofensiva del equipo del WAC de Marruecos, un “once” sin gran calidad tecnica ni desamiada clase pero con gran agilidad, fruti de la juventud y buena preparación física de sus jogadores”. Definiu o confronto, o jornal Mundo Deportivo.
Cadenciando e controlando o jogo, diminuindo o ímpeto do time local, o São Paulo se mostrou superior ao Wydad desde o começo. Logo aos 10 minutos, os brasileiros abriram o placar com Miruca, em chute que desviou em El-Mansouri. Ainda na primeira etapa, aos 18, Babá ampliou em jogada individual. Por fim, no segundo tempo, aos 35, o mesmo Babá deu números finais ao jogo, com um belo chute de longe: 3 a 0.
E o Tricolor voltou para casa com mais um troféu na bagagem (ok, este pouco conhecido e apenas de terceiro lugar, mas mais um troféu).
WYDAD CASABLANCA 0 x 3 SÃO PAULO31/08/1969. Torneio Mohammed V: 3º & 4º Lugares.Casablanca (Marrocos), Estádio Mohammed V.
SPFC: Picasso; Cláudio Deodato, Jurandir, Roberto Dias e Arlindo; Nenê (Terto) e Benê; Miruca (Eduardo), Nelsinho, Babá e Paraná (Téia). TÉCNICO: Diede Lameiro. GOLS: Miruca, 10/1; Babá, 18/1; Babá, 35/2.
RIVAL: Yachine; Rubio, Abdel Ghani El-Mansouri, Abdelaziz e Bakkili; Mustapha Zeghrari e Mohamed Sahraoui; Mustafa, Abas, Ali e Azhar. TÉCNICO: Mohamed Kadmiri.
ÁRBITRO: Mohandi (Argélia).PÚBLICO: 23.000 pagantes.
Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah








































