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·29 Agustus 2025

São Paulo: Financeiramente, com base histórica, vale a pena o Fundo de Cotia e a cessão operacional de 30%?

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São Paulo: Financeiramente, com base histórica, vale a pena o Fundo de Cotia e a cessão de 30%?

FUNDO PARA COTIA

Em tempos de polarização, em que muitas pessoas acreditam que não pode haver opinião sem interesses particulares, gostaria de inicialmente destacar minha visão sobre a gestão de Júlio Casares no São Paulo. Acredito que Casares não está entre os piores presidentes da história do clube, tampouco entre os melhores. Sua gestão apresenta acertos e erros, como é esperado em qualquer administração. Sou grato pelas conquistas recentes, especialmente após anos de seca esportiva. Porém, existem pontos sensíveis, como a comunicação, a venda de atletas, o sócio torcedor e o crescimento da dívida. Todos são pontos que podem ser criticados e acredito que melhorados.

Posto isso, gostaria de analisar o Fundo de Investimento em Participações (FIP) para Cotia com base em dados e cenários possíveis. Cabe inicialmente destacar que não conheço o teor do contrato e me basearei apenas em informações divulgadas recentemente, além de informações de estudos e algumas suposições.

Primeiramente, destaco as informações que têm circulado recentemente e que apontam que os valores do fundo ficará entre 250 e 350 milhões para um contrato de participação de cinco anos. Em contrapartida, o percentual cedido será de 30% dos direitos econômicos dos jogadores atrelados à Cotia. A administração ficará a cargo da Galápagos, e investidores poderão aplicar recursos no fundo, onde o maior cotado para ser majoritário é o investidor Evangelos Marinakis. Além disso, consta que a proposta do fundo prevê que, com capital disponível, o clube possa passar a comprar 100% do passe dos atletas que ingressarão em Cotia, eliminando percentuais que são cedidos a empresários e clubes parceiros.

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Essas são as informações disponíveis, alguma alteração nesses parâmetros podem, e devem, ser discutidas e reanalisadas à luz dos dados.

Agora, precisamos partir da atual situação do clube. Todos sabem qual a situação financeira da entidade que está sofrendo com o crescimento da dívida ao longo dos anos, inclusive na gestão de Casares. A dívida bancária tem sido o maior “vilão” do clube e montantes pagos em juros tem dificultado a competitividade esportiva do São Paulo.

Para fazer frente a essas despesas crescentes, o clube adotou uma política de vender o máximo possível e não realizar contratações que envolvam custos de passe (embora envolvam custos de luva). Segundo esse blog, as vendas atuais passam de 200 milhões em 2025 e ainda devem crescer ao longo do ano. Além disso, é sabido por todos que o clube não detém 100% dos passes. Tem sido comum vermos jogadores vendidos com 20% do passe cedido a empresários e clubes formadores e essa tem sido a principal ferramenta do clube na captação de atletas, uma vez que não possui dinheiro para investimentos.

Para fins de análise, farei aqui a minha primeira suposição (uma vez que preciso partir de algum ponto) e tentarei ser conservador nesse “chute”. Irei supor que o clube, hoje, cede um percentual médio de 10% do passe aos atletas como forma de convencê-los a virem ao São Paulo. Sendo assim, e em caso de se confirmarem as informações acima sobre compra dos atletas, a instituição deixará de ganhar 20% do passe dos atletas. Embora o clube esteja vendendo 30% ao fundo, o custo de oportunidade será esse percentual descontado dos 10% que já cede hoje. Cabe destacar aqui que cada pessoa pode criar cenários diferentes e supor que percentuais cedidos serão maiores ou menores (só saberemos os reais valores com a assinatura do contrato – assim esperamos).

Para continuar nossa análise, precisamos saber agora quanto o clube vende anualmente. Como disse antes, o clube está atualmente liquidando jogadores no mercado. Isso está sendo feito como forma de cumprir as metas traçadas pelo FIDC, mas não podemos nos basear nesse número atual, visto a excepcionalidade do momento do clube. Assim, usarei aqui um estudo feito pela Sport Value e divulgado pelo portal Poder360 e que disponibilizarei abaixo:

São Paulo arrecadou R$ 2,7 bi com vendas de atletas em 20 anos

Com base nesse estudo, o São Paulo vendeu, entre os anos de 2003 e 2023, o montante de 2,7 bilhões em atletas. Esses valores estão corrigidos para o ano de 2024 – ano do estudo. Pegar períodos longos assim retrata bem a realidade porque trará anos em que as vendas foram altas, por qualquer motivo que for, e anos de vendas ruins (por qualquer motivo que for). Assim, o FIP está contratando uma operação com um clube que, historicamente, vende em torno de 135 milhões ao ano. Essa tem sido a média de venda do clube.

Mas sabemos, também, que o futebol possui um inflacionamento (principalmente nos últimos anos) e precisamos definir alguma variável para corrigir o que vou chamar aqui de “inflação do futebol”. Nesse ponto, darei um “chute” e cada pessoa poderá dar opiniões diferentes.

A inflação atual do país tem girado em torno de 5% ao ano. Assim, irei supor que a inflação do futebol seja o dobro disso e considerarei um aumento dos passes de 10% ao ano.

Uma ressalva aqui é importante. Estou acrescentando 10% aos passes de forma anual, mas desconsiderarei que o fundo aportará os recursos de forma imediata – até onde se saiba. Esse aporte imediato possui um custo ao fundo que terá de aportar os recursos e só colherá seus ganhos ao longo de cinco ano. Esse “custo” costuma ser igual a Selic, que atualmente é 15%. Mas eu desconsiderarei esse custo do Fundo (e consequente ganho do clube) como forma de me manter conservador na análise.

Um outro ponto conservador da análise é que o fundo terá participação na venda dos atletas de Cotia, mas estou utilizando aqui as vendas gerais do clube como uma aproximação das vendas que o FIP terá participação. Nem todas as vendas do clube são de atletas de Cotia e as vendas de Wellington Rato e Michel Araújo em 2025 são exemplos de receitas de vendas que não são de origem da base do time.

Com tudo isso, trago abaixo uma tabela com uma projeção de venda de atletas para os próximos anos:

  1. O valor perdido considera que o clube já cede, atualmente, um percentual de 10% a empresários e clubes.

Essa tabela se baseia na média do estudo apresentado pelo Poder360, incorporado de uma inflação do futebol de 10%. Posto tudo isso, estimo que o clube venderia ao longo dos cinco anos o montante aproximado de 1 bilhão de reais. Isso representaria um repasse de 300 milhões ao fundo e um custo de oportunidade de 200 milhões ao clube. Assim, o clube abriria mão de 200 milhões ao longo de 5 anos para receber, no presente, o total de 300 milhões.

Mas qualquer pessoa atenta poderia pensar: o que o fundo ganha com isso? Essa talvez seja a pergunta mais importante e devemos pensar sobre isso. Aqui levantarei duas hipóteses do ganho.

Em primeiro lugar, o São Paulo não consegue disputar com os principais clubes a compra de jogadores, destaque para Palmeiras e Flamengo. Assim, a base acaba perdendo jogadores para clubes bem estruturados financeiramente e que poderiam aumentar aquele volume total de vendas.

Outro ponto de ganho ao fundo é a nossa própria ineficiência nas vendas. Todos acreditam, torcedores e imprensa, que o clube vende mal seus atletas. Não entrarei nos motivos disso, pode ser incapacidade da diretoria em vender, pode ser necessidade desesperada de recursos, pode ser o real valor dos atletas vendidos, nada disso importa. Importa-nos saber que, atualmente, há um espaço de ganho nas vendas.

Assim, suponho que o interesse do FIP (só quem pode saber suas reais intenções são eles) é a aquisição de atletas mais promissores e o ganho de eficiência nas vendas, uma vez que haverá um terceiro envolvido e que não aceitará negociações ruins.

Agora, desconsiderarei a parte econômica e focarei na esportiva. Com a captação de melhores atletas (é essa a intenção dos envolvidos), a instituição passará a contar com atletas mais jovens e melhores, inclusive, no time profissional. Isso irá ter uma repercussão na parte esportiva e na parte financeira com mais premiações e, talvez, mais bilheteria – uma vez que a torcida são paulina possui um forte envolvimento com sua base e terá ainda mais vontade de ir ao estádio com uma POSSÍVEL melhora esportiva.

Julgo que aqui é importante um exercício de “futurologia”. Supomos que, a parceria ocorra e que o São Paulo venda em longo dos anos um montante de 500 milhões anuais (pelos motivos apresentados acima – melhores atletas e eficiência). Muitos dirão que o São Paulo fez um péssimo negócio, uma vez que o fundo está recebendo 150 milhões (30%) e o seu custo foi 60 milhões anual. Contudo, cabe destacar que essas vendas jamais seriam possíveis sem uma reformulação financeira do clube (o que é a atual proposta) e estaríamos, possivelmente, atrelados às vendas apresentadas na tabela acima – baseada na média histórica do clube. Além disso, como já exposto, o custo ao São Paulo não será 30%, mas sim 20% uma vez que já cede hoje um percentual aos atletas, empresários e clubes.

Posto tudo isso, não estou querendo dizer que tudo são maravilhas nesse projeto. Há sérios riscos envolvidos à instituição e o jornalismo tem papel fundamental em analisar tudo isso. Vou levantar aqui alguns pontos de muita atenção e que espero que imprensa, torcedores, conselho e oposição do clube fiquem atentos:

  • Apurar qual percentual foi efetivamente cedido ao Fundo;
  • Conferir se o clube deixará de ceder percentual aos empresários, jogadores e clubes;
  • Investigar se houve ganhos por parte de terceiros em detrimento aos interesses do clube;
  • Apurar quais os custos da Galápagos e se esses estão em linha com o mercado.

Essa lista não é exaustiva e, por óbvio, não excluí a necessidade de apuração por parte de  jornalistas de outros pontos que julguem necessários. Mas essa lista deixa clara que, embora o fundo possa ser positivo ao clube, não quer dizer que não possa haver desvios no caminho, desvios esses que parecem ser mais importantes na análise de algumas pessoas do que o fundo em si, mas os possíveis desvios jamais podem ser mais relevantes que o projeto em si. Assim, o projeto deve ser analisado com base em números e seus possíveis desvios devem ser severamente apurados e, em ocorrendo, punidos.

Sendo assim, espero ter ajudado a colocar alguma luz objetiva às discussões recentes sobre o assunto e espero sempre o melhor para o clube que amo.

VAMOS SÃO PAULO!!!!! – Por IRAN ARAUJO, especial para o Blog do São Paulo

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