Portal dos Dragões
·13 Mei 2026
“Se falarmos do Vitinha ou dos próximos talentos do FC Porto…”

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·13 Mei 2026

Vitinha e João Neves são hoje dois dos nomes mais fortes de uma geração dourada do futebol português e estão entre os médios mais valorizados do futebol mundial, ao serviço do PSG. O jornal As tentou perceber melhor o segredo por detrás desse sucesso e ouviu, entre outros, João Brandão, que atualmente integra a equipa técnica do FC Porto e passou pelos escalões de formação dos dragões.
Hélder Cristóvão, que orientou o Benfica B, também deixou a sua visão. “O facto de surgirem tantos jogadores tão bons na mesma geração deve-se um pouco ao acaso e um pouco ao trabalho. Em Portugal, trabalhamos basicamente num 4-3-3, com três médios, o que permite muitos passes curtos e um trabalho de jogo posicional muito intenso. Um pouco como se faz em Espanha. E os médios têm essas características. Tocam muito na bola, a criação de triângulos permite-lhes estar sempre perto do companheiro e longe do adversário. E olhar para o jogo de frente, isso é uma vantagem. A grande virtude dos portugueses é começarem a jogar muito cedo no 4-3-3”, realçou.
João Brandão apontou ainda outro fator, ligado ao FC Porto. “Se falarmos do Vitinha ou dos próximos talentos que vêm do FC Porto, como o Rodrigo Mora, o Mateus Mide… é interessante notar que todos têm algo muito semelhante: os valores do FC Porto. Serem muito competitivos, apaixonados pelo jogo, pelo futebol do FC Porto”, disse.
Renato Paiva, com um longo percurso nos escalões de formação do Benfica e passagem pela equipa B, referiu: “O trabalho do Benfica, do FC Porto, do Sporting e do Braga tem sido muito bom. Estão a investir fortemente nas camadas jovens, nos treinadores jovens, nos centros de treino, nas condições de que dispõem… em tudo. E o que se vê agora é, na verdade, o resultado do trabalho realizado há alguns anos. É um trabalho que se faz por necessidade, porque não havia dinheiro. Isso acabou e começou-se a apostar nos jovens.”
A certificação das entidades formadoras da FPF foi outro dos programas em destaque. “É muito importante porque permite que os jovens tenham as mesmas condições que os profissionais”, reconheceu Hélder Cristóvão. “Só assim se consegue uma evolução técnica e física ideal. Foi muito importante para que o jogador se sentisse valorizado. Os três grandes, Braga, Famalicão ou Guimarães, já trabalham nas camadas jovens como se fossem profissionais. Acreditamos que o futebol de base deveria ter condições quase idênticas às da equipa principal. Só com essas ferramentas é que se consegue formar um jogador de elite: fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas… Sabemos que nem todos vão chegar à elite, mas a grande maioria chega às equipas principais, que é o principal objetivo dos clubes que têm formação. E, em pouco tempo, conseguimos que muitos chegassem lá”, acrescentou. “Os clubes pagam melhor aos treinadores, melhoram os centros de treino e contratam profissionais de diversas áreas, como psicólogos, assistentes sociais e outros, para que os jogadores saiam mais bem preparados”, indicou Renato Paiva.
“A visão do clube é inegociável. É um clube vencedor. À entrada do nosso centro de treinos há uma frase que diz: ‘amamos aqueles que detestam perder’ e isso é a base de tudo. Para além do 4-3-3 ou do 4-4-2, os valores são inegociáveis”, disse João Brandão. “Se não tiveres esses valores, podes ter uma técnica fantástica, mas será difícil sobreviveres na nossa formação, porque as prioridades estão bem definidas”, sustentou.
Renato Paiva reforçou: “Na equipa principal, despede-se o treinador ao fim de seis meses e tudo muda. Por isso, decidiu-se, no futebol de formação, manter a ideia e respeitar a forma de trabalhar. Todo o futebol de formação do Benfica tem a mesma forma de trabalhar. Tal como a La Masia. Todos dentro de uma mesma estrutura. Dava-se prioridade ao 4-3-3, dava-se prioridade à rotação dos jogadores em diferentes posições… Tínhamos um conselho técnico composto pelos treinadores, pelo chefe dos olheiros e pelo diretor técnico, no qual analisávamos os jogadores todas as semanas. O presidente [Luís Filipe Vieira] começou a pedir resultados de desenvolvimento individual porque queria colocá-los na equipa principal. Assim, cada posição exigia determinadas características e os olheiros contratavam jogadores de acordo com isso.”







































