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·20 Maret 2026

Sobre casas reais, bandeiras e cenouras

Gambar artikel:Sobre casas reais, bandeiras e cenouras

Para falar da camisa da Holanda, é preciso falar de laranja. Mas antes é preciso saber o que veio primeiro: a fruta ou a cor? Será que a fruta leva o nome da cor ou é a cor que leva o nome da fruta?

A resposta: o termo surgiu primeiro para definir a fruta, e a cor faz referência a ela. Tanto que pode ser chamada de cor-de-laranja.


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A fruta cítrica já era cultivada na Ásia no século 3 a.C., onde era chamada de “naranga”. Com a chegada ao Oriente Médio, aquela mesma fruta ficou conhecida na região como “naranj” ou “narang”. Com o passar dos séculos, chegou ao que equivale ao território da Itália, e lá passou a ser chamada de “narancia” ou, de forma mais moderna, “arancia”. Na França, virou “orenge”. Na Inglaterra, “orange”.

No século XVI, conforme a fruta se popularizava pela Ásia, a cor dela passou a ser utilizada para identificar objetos de tonalidades semelhantes. Até então, a cor era conhecida como “amarelo avermelhado”. Virou cor-de-laranja, depois apenas laranja.

E aí a gente vai para uma segunda curiosidade, que ajuda a explicar a cor da camisa da Holanda: você sabe o que a camisa da Holanda e as cenouras têm em comum?

Se você respondeu a cor laranja… Você acertou, é claro. Mas a resposta vai muito além disso.

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Imagem: ArminEP/Pixabay

A bandeira da Holanda é composta por três faixas horizontais, em vermelho, branco e azul. Não há qualquer presença do laranja ali, mas a cor é a cor nacional, e não apenas no futebol – a cada ano, os holandeses celebram o Dia do Rei, pintando as ruas de todo o país de alaranjado.

Mas qual é a da Holanda com o laranja?

A relação dos holandeses com o laranja vem do século XII, quando o antigo Condado de Orange conseguiu sua independência do Sacro Império Romano Germânico e se converteu no Principado de Orange. O território ficava localizado no que hoje é o Sul da França e foi comandado por diferentes dinastias, que mudaram de nome mediantes casamentos entre casas reais – virou Casa de Baux, depois Casa de Baux-Orange, mais tarde casa de Chalon-Orange.

O último integrante direto da dinastia dos Chalon a liderar o principado de Orange foi Filiberto, que morreu em 1530 e não deixou herdeiros. Assim, quem herdou o principado foi René de Chalon, fruto do casamento entre Cláudia, da Casa de Chalon-Orange, e com Henrique III, da Casa de Nassau-Breda.

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Guilherme de Nassau (Imagem: Rijksmuseum)

A condição para a herança era de que René mantivesse o nome e o brasão de armas dos Chalon-Orange, ainda que fosse o primeiro representante da Casa de Orange-Nassau. Em 1544, quando René morreu, quem herdou o trono foi Guilherme IX de Nassau, que virou Guilherme I de Orange-Nassau.

Enquanto regente de diversas províncias que formariam o futuro território da Holanda, Guilherme liderou a revolta dos futuros holandeses contra o domínio espanhol no século XVI. Durante o cerco de Leiden, em 1574, a história registrou pela primeira vez Guilherme vestindo o traje de serviço em laranja, branco e azul. A Holanda conquistou a independência da Espanha em 1581.

As cores compunham a primeira bandeira nacional, a Prinsenvlag (Bandeira do Príncipe), que ostentava uma faixa laranja no topo. Contudo, ao longo do século XVII, o laranja foi gradualmente substituído pelo vermelho. Politicamente, a mudança afastou a Holanda da República da Casa de Orange. Na prática, o corante laranja da época era instável e tendia a avermelhar após longa exposição ao sol, o que tornou o vermelho mais viável.

O vermelho se tornou cor oficial da bandeira por decreto real em 1937, mas o laranja permaneceu como a cor nacional no imaginário popular. A tradição se tornou visível no fenômeno da Oranjegekte (loucura laranja), que toma conta do país em eventos esportivos e no Dia do Rei (Koningsdag), consolidando o laranja como o símbolo máximo de união e orgulho do povo holandês. E, é claro, nas camisas da seleção da Holanda.

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E o Principado de Orange? Foi capturado pela França durante a Guerra Franco-Holandesa, no fim do século XVII. Com a morte do príncipe Guilherme III, a região passou a ter destino incerto, disputado entre franceses, holandeses e prussianos. No fim, Prússia e Holanda abriram mão do território em dois tratados do século XVIII. E o território virou a província francesa de Dauphiné.

OK, mas o que as cenouras têm a ver com isso?

Talvez você não saiba, mas as cenouras selvagens têm diferentes cores. São variedades principalmente em roxo, amarelo e branco, mas também pretas, rosas e vermelhas, em diversos tamanhos e espessuras.

Mas veio o movimento de independência da Holanda, declarada em 1581 e reconhecida apenas em 1648. Guilherme I foi príncipe de Orange entre 1544 e 1584, mas como líder do processo de independência, assumiu a regência da Holanda entre 1559 e 1567. Morreu em 1584, antes do reconhecimento da independência da Holanda.

Como celebração à ascensão de Guilherme I, os holandeses passaram a desenvolver cenouras alaranjadas, a partir das variedades amareladas, em referência à cor que já simbolizava a Holanda. As novas raízes se popularizaram, já que eram mais lisas, menos lenhosas e mais saborosas. Com o passar do tempo, as cenouras alaranjadas se tornaram as mais populares do mundo.

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