Tiago Araújo não esquece o trajeto no Benfica: «Devo-lhes muita coisa, deram-me tudo» | OneFootball

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·2 Januari 2026

Tiago Araújo não esquece o trajeto no Benfica: «Devo-lhes muita coisa, deram-me tudo»

Gambar artikel:Tiago Araújo não esquece o trajeto no Benfica: «Devo-lhes muita coisa, deram-me tudo»

No próximo dia 3 de janeiro, Benfica e Estoril Praia vão disputar o 77º jogo no histórico de confrontos. Estes dois clubes, além do largo registo, também já partilharam transferências de vários jogadores. Separadas por cerca de 30km, as duas formações da Liga Portugal Betclic, segundo a base de dados do zerozero, viram 74 jogadores vestir ambos os mantos.

Um deles foi Tiago Araújo, lateral esquerdo atualmente ligado ao Gent, da Bélgica. O defesa luso, com grande parte da formação feita nos encarnados - e estreia feita na equipa principal -, mudou-se para o município de Cascais em 2022/23, ficando por lá durante duas épocas, onde somou muita regularidade e momentos de destaque.


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Agora na primeira experiência no estrangeiro, o atleta natural da Póvoa de Varzim visitou a redação do zerozero paraentre outras temáticas, antever o desafio entre estas duas equipas.

Em breve estará, também, disponível a segunda parte desta entrevista (com vídeo integral), onde poderá saber mais sobre o trajeto de Tiago Araújo, com ainda maior foco na passagem pelo clube encarnado e para a atual experiência na Bélgica.

«Projeto do Estoril Praia é fantástico e acredito que vá crescer mais»

Zerozero [zz]: Dois dos seus ex-clubes, Benfica e Estoril, vão defrontar-se para o campeonato no próximo dia 3 de janeiro.  Curiosamente, o Tiago esteve envolvido num duelo entre águias e canarinhos que fez com que os estorilistas, a sua equipa da altura, chegasse à final da Taça da Liga. A partida foi a penáltis e cobrou o penúltimo, concretizando o mesmo. Como se sentiu nesse jogo?

Tiago Araújo [TA]: No final do jogo, foi uma explosão de alegria, sem dúvida. O Benfica vai ser um clube que vou respeitar sempre. Para toda a minha vida. Foi quem me abriu as portas, foi onde eu me formei como jogador e devo-lhes muita coisa, quase tudo. Foi lá que eu cresci, foram eles que me deram tudo. Ainda assim, naquele momento, eu era jogador do Estoril e sem dúvida nenhuma queria ganhar, queria fazer história pelo Estoril, acabámos por fazer. Não ganhámos a taça, foi um sentimento amargo que ficou aqui, porque estávamos tão perto e não conseguimos. Posso dizer que estava tranquilo ao bater o penálti. 

zz: O que lhe passou pela mente antes da cobrança da grande penalidade? Estava confiante?

TA: Senti-me confiante. Posso admitir que estava mais nervoso quando, infelizmente, falhei o penálti na final da taça (frente ao SC Braga). Mas, contra o Benfica, estava bastante tranquilo. Não comecei a titular nesse jogo mas, quando entrei, senti-me bem. Fiz um bom jogo. Isso ajudou a transmitir-me confiança para o penálti. Decidi um lado e fui até ao fim com ele. Acho que foi um bom penálti. Acabou por ser um alívio também porque se eu falhasse perdíamos o jogo, neste caso não passávamos à final. Felizmente correu tudo bem.

zz: Acreditamos que guarde amigos dos tempos do Benfica. Depois do jogo, falou com algum deles? Alguma história que possa contar?

TA: Falei com eles, claro. O Tomás Araújo, o Samuel Soares e até o João Neves, que ainda estava lá. Foi um misto de emoções, porque eles acabaram por perder, não é tão bom. As emoções não eram iguais às minhas. Para mim foi ótimo. O Benfica é um clube grande, tem sempre a ambição de ganhar todos os títulos em Portugal. Ao terem perdido essa partida, as emoções deles não estavam tanto lá em cima. Dou-me bem com eles, mas o meu objetivo, ali, era estar com a equipa e festejar com eles. Foi um marco muito grande para a história do Estoril.

zz: Quando se batem adversários com um orçamento tão superior, neste caso ao do Estoril, qual é o sentimento dentro do seio de um plantel? Não só neste caso específico, mas com os grandes em geral?

TA: Nós vamos para o jogo e sabemos que não temos nada a perder. Toda a gente está à espera que o Benfica chegue, ganhe e vá embora. Os jogadores sentem que têm de mostrar do que são capazes. Querem mostrar que a equipa é capaz de competir com os clubes grandes. Nesse ano, por exemplo, ganhámos ao FC Porto, Benfica, não conseguimos vencer o Sporting. Há muitas equipas que claramente conseguem tirar pontos e ganhar a esses clubes. Dificilmente acabam invictos. O sentimento de não ter nada a perder é um acrescento de confiança para o desafio. 

zz: É preciso ter muita personalidade para ir a um estádio de um grande bater de frente com uma equipa daquele nível, certo?

TA: Sem dúvida. Os três grandes, o SC Braga e o Vitória SC têm estádios históricos. São bastante difíceis de visitar. Há recintos em que a atmosfera ajuda muito a equipa que joga em casa. Os emblemas que estão mais abaixo na tabela, ao sentirem que já passaram 20, 30 minutos e não sofreram um golo, começam a acreditar mais. Lá está, como já disse, as equipas não têm nada a perder. Mostram o seu verdadeiro valor. Há muita qualidade e já vimos isso neste ano. O Benfica, por exemplo, infelizmente perdeu pontos em casa.

zz: Como é a semana de preparação para desafios deste calibre?

TA: Não é muito diferente do habitual. Claro que os jogadores e os treinadores estão mais atentos a tudo, mas já sabemos que vai ser um jogo complicado. Por isso, vemos os pontos a melhorar, onde podemos atacar os adversários. No geral, é uma semana normal. Os jogadores estão ligeiramente mais agitados, mas fazemos a análise ao jogos. Enquanto atleta do Benfica, nunca vivi um jogo grande, só estive do lado contrário. Quando estava na equipa principal, também era altura da COVID-19 e não havia adeptos. Adoraria vivenciar uma partida dessas. É um sonho. FC Porto - Benfica, Benfica - Sporting, FC Porto - Sporting...

zz: E na Bélgica, como são estes ambientes?

TA: Pelo que vejo, é bastante parecido ao que vemos em Portugal. E acho que é muito bonito, dentro do que é normal. Gosto muito dos cânticos nestas rivalidades. O que passar disto acho que já não faz grande sentido, mas é uma coisa que não se pode controlar. O futebol traz muita paixão e os adeptos vibram imenso com o jogo. Ambos os países adoram o desporto e vibram com o futebol. 

zz: Ainda em relação ao Benfica - Estoril da próxima jornada: tem acompanhado as duas equipas nesta época? O que acha que poderá sair do jogo?

TA: Acho que vai ser equilibrado. O Estoril vem de um bom momento, bateu o FC Alverca por 4-1.  Não vi, porque também tive um jogo no Gent, mas acompanhei. O Benfica, lá está, é sempre um grande. Vai com grandes jogadores. Vai sempre, ou quase sempre, jogar bem. Só que o Estoril, lá está, quer ganhar e mostrar o valor que tem. Quer demonstrar a boa fase que vive. Vai ser um jogo equilibrado e vença o melhor.

zz: E já falou com algum dos seus ex-colegas sobre a partida?

TA: Não. Mantenho contacto com alguns dos colegas, principalmente, se calhar, no Estoril, porque foi mais recente. São poucos os meus ex-colegas que estão no Benfica e que já estavam na minha altura. Está o Henrique Araújo, está o Tomás Araújo, o Samuel Soares e o António Silva. Espero não me estar a esquecer de ninguém. No lado do Estoril, falo muito com jogadores do atual plantel, mas não sobre jogos. 

zz: O que achou do projeto do Estoril Praia?

TA: É um projeto bastante, bastante enriquecedor em todos os sentidos. Se formos a ver, nas épocas em que estive, éramos uma equipa muito jovem, o que ajudava a que os jogadores crescessem. É um clube que vende jogadores para fora. Nos últimos anos, tivemos o Chiquinho, o André Franco e o Tiago Santos. Auxiliam muito este tipo de atletas. É fantástico e acredito que o Estoril vai crescer cada mais. Espero que voltem às competições europeias, como já vimos. Fui muito feliz lá, sem dúvida. Foi um clube que me abriu portas. Senti-me muito bem, senti-me em casa. Toda a gente se dava bem, os treinadores, os diretores, os jogadores, davam-se todos bem e éramos realmente uma família.

zz: Qual foi o momento alto da sua passagem pela equipa da linha?

TA: Foi, sem dúvida, a Taça da Liga. Calhámos num grupo que posso dizer que não era fácil, porque tínhamos um grande, neste caso o FC Porto. Só o facto de termos conseguidos passar já foi um marco . Toda a Final Four, a vivência antes do jogo com o Benfica, a preparação do mesmo e a vitória. O grupo criou uma enorme união, ainda mais do que já tinha.

zz: Quem foi o melhor jogador com que se cruzou no Estoril?

TA: Difícil. Bastante difícil. Felizmente, tive bastantes jogadores. Um dos que eu apreciava muito era o João Carvalho. Tem mostrado muita qualidade nestes dois anos. Também jogou no Benfica, mas não o apanhei. Tenho muitos nomes:  Rodrigo Gomes, Mateus Fernandes, Koba Koindredi... não posso dizer só um, foram vários. O Francisco Geraldes. O Joãozinho tinha muita experiência, jogou no Sporting. Tiago Gouveia... mais uma vez, felizmente tivemos equipas bastante boas nos dois anos em que lá estive.

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