Esporte News Mundo
·27 Mei 2026
Treinador vira réu por abuso e caso revela suspeitas que vão além da denúncia inicial

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A Justiça de São Paulo determinou a manutenção da prisão do treinador de jiu-jitsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, convertendo a detenção temporária em preventiva, sem prazo definido. Ele é investigado por violência sexual contra uma atleta de 17 anos e, com o aceite da denúncia pelo Ministério Público, passou a responder formalmente por estupro de vulnerável.
A decisão foi proferida pelo juiz Toboas Guimarães Ferreira, titular da 2ª Vara de Crimes Praticados Contra Crianças e Adolescentes. A defesa do acusado terá o prazo de dez dias para apresentar contestação por escrito. Já a audiência de instrução, fase em que serão colhidos depoimentos, incluindo o da vítima, está agendada para 20 de outubro.
Polícia civil no Amazonas, o treinador encontra-se custodiando em uma unidade prisional da Polícia Civil de São Paulo. Pai do multicampeão Mica Galvão, ele é apontado como responsável por um abuso ocorrido em fevereiro, durante uma competição realizada em Roma, na Itália.
Segundo as apurações, a adolescente frequentava a academia do investigado em Jundiaí, no interior paulista. Apesar de possuir vínculo profissional com a Polícia Civil do Amazonas, onde atuava como investigador, Melqui residia em São Paulo, cidade onde também administrava outro espaço de treinamento.
Na decisão judicial, o magistrado destacou que o suposto crime teria sido cometido com abuso da função de treinador e da confiança estabelecida com a vítima. O juiz ainda mencionou indícios da possível existência de outras vítimas, tanto no Amazonas quanto na academia de Jundiaí, o que, segundo ele, agrava a avaliação sobre a conduta do acusado.
Durante o andamento do inquérito, Melqui optou por não prestar depoimento à Polícia Civil paulista. O interrogatório chegou a ser agendado no presídio onde está detido, mas, orientado por seus advogados, ele exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Além do caso em São Paulo, a Justiça do Amazonas também determinou sua prisão preventiva em razão de outras investigações envolvendo abusos. O irmão do treinador, Enoque Galvão, igualmente policial civil, foi preso sob suspeita de crimes semelhantes contra atletas adolescentes.
Melqui Galvão havia sido detido inicialmente em abril, de forma temporária, após denúncia apresentada por uma atleta menor de idade. De acordo com as investigações, o episódio teria ocorrido em fevereiro deste ano, na capital italiana, durante um evento esportivo. A jovem treinava com o suspeito desde dezembro de 2024.
Mensagens enviadas pelo treinador à família da vítima após o ocorrido foram consideradas relevantes para o avanço das apurações. Nos registros, segundo a polícia, ele demonstra arrependimento, reconhece comportamento inadequado e tenta impedir que o caso fosse formalizado.
SUSPEITA DE COAÇÃO E INTERFERÊNCIA
O treinador também passou a ser alvo de investigação por supostamente tentar interferir no andamento do processo. Conforme a Polícia Civil de São Paulo, ele teria utilizado um aparelho celular dentro da prisão para entrar em contato com testemunhas e influenciar seus relatos.
As autoridades apontam que foram realizadas chamadas de áudio e vídeo com atletas, com o objetivo de desacreditar a denúncia apresentada pela adolescente. Em gravações analisadas, o investigado tenta convencer terceiros a questionares a versão da vítima e minimizar as acusações. Em outro momento, afirma que sua prisão seria provisória e busca apoio de um atleta para sua defesa.
Ainda segundo a investigação, Melqui teria oferecido ajuda financeira e suporte na carreira esportiva a um atleta em troca de um depoimento falso. A estratégia, conforme apontado, seria sustentar a versão de que a acusação teria sido motivada por vingança. A identidade do atleta que procurou as autoridades foi mantida sob sigilo.
Áudios encaminhados ao Ministério Público e à Polícia indicam também a participação de familiares nas conversas. Entre os envolvidos estariam a esposa do treinador e seu filho, Mica Galvão. Nos diálogos, são discutidos detalhes logísticos, como a compra de passagens para levar um atleta até Manaus, onde ele prestaria um depoimento inverídico.
Diante disso, a Polícia Civil do Amazonas instaurou um inquérito para apurar como o celular teria sido introduzido na cela do investigado.
O caso ganhou um novo desdobramento com o surgimento de uma segunda vítima. O depoimento foi colhido de forma virtual no dia 29 de abril pela Delegacia de Defesa da Mulher, na zona leste de São Paulo, e corre sob sigilo.
A jovem relatou que também foi aluna do treinador e afirmou que os abusos teriam começado ainda na infância. Segundo seu relato, o comportamento incluía aproximações inadequadas e atitudes incompatíveis com a relação profissional, repetidas ao longo dos anos.
Os fatos teriam ocorrido em Manaus, onde o treinador coordenava um projeto social ligado ao jiu-jitsu. Embora o depoimento tenha sigo registrado em São Paulo, a investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil do Amazonas, local onde os supostos crimes teriam acontecido.







































