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·20 Maret 2026
Tuma e Pantaleão não reconhecem ato de Stabile em ofício ao CD do Corinthians

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Por Tiago Salazar
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, e Leonardo Pantaleão, presidente da Comissão de Ética e Disciplina e vice do CD, enviaram um ofício aos conselheiros do clube, nesta sexta-feira, no qual esclareceram que não reconhecem a reunião agendada recentemente por Osmar Stabile, presidente do Timão.
Na última quarta-feira, Stabile, sem ter feito contato com o Conselho Deliberativo do clube, convocou uma reunião extraordinária do CD com o intuito de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior, tomando como base o Artigo 112, item 6, do Estatuto Social. A assembleia foi agendada, inicialmente, para esta segunda-feira, no Parque São Jorge, com primeira chamada a partir das 18h (de Brasília).
A reportagem da Gazeta Esportiva teve acesso ao documento, assinado por Tuma e Pantaleão e enviado aos conselheiros. No entendimento de ambos, a convocação da reunião vai de encontro ao Artigo 82, inciso II, do Estatuto Social, ignorado no edital e que, na visão deles, determina o rito a ser seguido para que seja convocada uma reunião extraordinária no Conselho Deliberativo.

(Foto: Evander Portilho/ Ag. Corinthians)
Tuma e Pantaleão entendem que o ato não tem validade sob a alegação de que a medida carece de regularidade formal, uma vez que a convocação foi feita por “autoridade desprovida de competência para a prática”. A reunião marcada por Stabile ainda foi vista como uma “afronta à sistemática estatutária que rege o funcionamento do Conselho Deliberativo”.
O ofício do presidente e do vice do Conselho Deliberativo afirma, portanto, que não há reunião agendada para os próximos dias. Segundo Tuma e Pantaleão, o próximo encontro do CD está marcado para o próximo dia 27 de abril, quando os conselheiros irão votar o balanço financeiro da gestão Stabile, referente ao exercício de 2025.
Mais cedo nesta sexta-feira, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, enviou uma representação à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social solicitando a inclusão do atrito entre Stabile e Tuma ao inquérito que apura a necessidade de uma possível intervenção judicial no clube do Parque São Jorge, instaurado em dezembro do ano passado.
No ofício encaminhado à promotoria responsável pela investigação, ao qual a Gazeta Esportiva teve acesso, Cássio Roberto Conserino citou a reunião marcada unilateralmente por Stabile na última quinta-feira. O MP-SP foi alertado do “possível ato administrativo irregular” por meio de um e-mail enviado por dois conselheiros e outros três sócios.
O entendimento do promotor aponta que os “possíveis atos administrativos irregulares” caminham “na mesma direção de uma eventual intervenção judicial”. Neste sentido, Conserino alega que o atrito administrativo entre Stabile e Romeu Tuma Júnior seria mais um motivo para formalizar a intervenção judicial no Corinthians, conforme precedentes do STF (Superior Tribunal Federal).
As desavenças entre Stabile e Romeu Tuma Júnior ganharam força durante a votação da reforma do Estatuto do Corinthians, com um bate-boca que ferveu o Parque São Jorge no último dia 9 de março.
A discussão ocorreu logo no início da reunião no auditório da sede social do clube. Stabile fez acusações contra Romeu, que se defendeu e alegou ter provas que o presidente estaria mentindo. O entrevero foi o estopim para um grande tumulto entre conselheiros, com direito a troca de ofensas e até empurrões.
Stabile acusou Tuma de tentar interferir na gestão executiva do clube. Segundo Osmar, a gota d’água foi no último dia 7 de março, em conversa entre eles. O presidente alega ter sido ameaçado por Romeu.
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O motivo do conflito é a suposta contratação de Aldair Borges para integrar a equipe de seguranças do Parque São Jorge. O profissional foi citado em um inquérito da Polícia Civil como responsável por esconder as grades e liberar acesso de pessoas não autorizadas ao clube no dia 20 de janeiro de 2025. Na ocasião, houve uma grande confusão após uma reunião do Conselho que votaria o impeachment do então presidente Augusto Melo.
De um lado, Stabile negou que o profissional tenha sido recontratado. Ele diz que Aldair esteve no Parque São Jorge para pedir emprego alegando estar passando por uma situação financeira complicada, mas não foi admitido. Romeu Tuma Júnior, por sua vez, garantiu ter provas de que a diretoria executiva recontratou não apenas um, mas dois profissionais envolvidos no episódio. Ele também rechaçou qualquer ameaça a Stabile.
Dias depois da confusão no Parque São Jorge, Stabile protocolou um pedido de afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior na Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do Corinthians, com base nos Artigos 27, 28 e 30 do estatuto alvinegro.
Já na última quarta-feira, o presidente do Corinthians, sem ter feito contato com o Conselho Deliberativo do clube, convocou uma reunião extraordinária do CD com o intuito de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior, tomando como base o Artigo 112, item 6, do Estatuto Social do Timão.
Romeu Tuma Júnior recebeu com “indignação” a reunião extraordinária do CD convocada por Stabile. Em contato com a Gazeta Esportiva, o presidente do órgão reiterou que não foi comunicado sobre a convocação e classificou o ato de Stabile como uma “manobra golpista”. Ele também falou em “estratégia deliberada” para obstruir o avanço do projeto de reforma do estatuto do Corinthians.









































