Vamos começar a culpar quem realmente merece no Grêmio!
O problema nem é o Grêmio não ter vencido o City Torque. O problema é que o jogo escancarou uma realidade que parte da direção e até o próprio Luís Castro tentam vender como se fosse exagero da imprensa. Não é. Tem coisa errada acontecendo dentro de campo e tá ficando cada vez mais difícil fingir que é só questão de “tempo” ou de “evolução no bastidor”.
Porque assim: uma coisa é o time perder para adversário forte, competitivo, com mais qualidade. Outra completamente diferente é tu olhar para um jogo contra o City Torque e ver o Grêmio sofrendo o tempo inteiro pelos lados do campo. E sofrendo de maneira repetida. Não foi um lance isolado. Não foi “ah, aconteceu”. Não. Os caras chegaram aos 3 minutos, depois aos 9, depois aos 12. Toda hora nas costas dos laterais. Toda hora.
E aí entra um ponto importante. Nem tudo pode cair só na conta do Luís Castro. Tem jogador do Grêmio que precisa começar a ser cobrado de verdade também. Porque teve lance ali que não é questão de esquema tático, posicionamento revolucionário ou falta de treinamento. É erro básico de leitura de jogo.
O Marcos Rocha entra e marca mal no gol. O Pedro Gabriel deixa o atacante se antecipar dentro da área. Cara, isso é fundamento de lateral. É olhar bola e jogador ao mesmo tempo. Não tem como um cruzamento entrar daquele jeito e ninguém reagir.
Só que também é impossível inocentar totalmente a comissão técnica quando o problema se repete toda hora. Porque uma coisa é um erro individual. Outra é o adversário perceber exatamente onde atacar o Grêmio e conseguir fazer isso o jogo inteiro.
E o mais curioso é que o time melhora justamente quando entra o Arthur. E melhora porque aparece alguém colocando um pouco de lógica no meio-campo. O Grêmio tava correndo errado, acelerando errado, tentando resolver tudo no individual contra uma linha de cinco montada lá atrás.
O Arthur entra e parece entender o óbvio: contra defesa fechada tu precisa circular a bola. Fazer ela rodar. Uma hora aparece espaço. E apareceu. O Mec entra bem, recebe entre linhas, faz o gol. O Grêmio cria mais depois disso.
Mas aí também entra outra questão que precisa ser dita: o Weverton segue sendo obrigado a salvar o Grêmio todo santo jogo. E isso não é elogio coletivo. Isso é alerta. O goleiro não pode ser o protagonista absoluto contra qualquer adversário. Palestino, Torque, Juventude, Flamengo, tanto faz. Sempre tem duas ou três bolas claras que ele precisa salvar.
Isso mostra que o sistema defensivo continua extremamente vulnerável.
E aí chegamos no Carlos Vinícius, que talvez represente exatamente o que foi esse jogo do Grêmio. Porque ele foi decisivo e problemático ao mesmo tempo. Faz o gol de pênalti, acerta bola na trave, incomoda, cria chances. Mas também perde oportunidades importantes e termina expulso num momento de total descontrole.
E isso pesa muito. Porque agora ele prejudica o Grêmio justamente no jogo mais importante da temporada até aqui, que vai ser essa repescagem da Sul-Americana. E não é contra qualquer um. Vai vir um terceiro colocado da Libertadores.
Então não dá pra simplesmente chegar e dizer: “Ah, o time mostrou reação”. Mostrou? Mostrou. Mas também mostrou os mesmos defeitos de sempre.
Os laterais foram mal. O sistema defensivo continuou exposto. O time seguiu desorganizado sem a bola. O Tetê outra vez não conseguiu render. O Braithwaite praticamente sumiu do jogo. O primeiro tempo foi completamente desconectado.
Por isso que fica difícil comprar esse discurso de que existe uma evolução tão grande assim acontecendo e que ninguém tá vendo. Porque o que aparece dentro de campo ainda é um Grêmio extremamente instável, vulnerável e que depende demais de lampejos individuais pra sobreviver.
E talvez esse seja o ponto principal. O Grêmio até consegue competir. O Grêmio até consegue reagir em alguns momentos. Mas ainda parece um time que vive no limite o tempo inteiro. E quando tu vive sempre no limite, uma hora a conta chega.