Papo na Colina
·7 Juli 2026
Vasco protocola recursos no TJRJ e aponta paralisia no futebol para extinguir intervenção

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O Club de Regatas Vasco da Gama protocolou um Agravo de Instrumento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para tentar suspender de forma imediata a decisão da 4ª Vara Empresarial que determinou a intervenção na gestão da Vasco SAF. Além do recurso do clube, os conselheiros afastados também interpuseram uma peça e há um pedido de reconsideração em andamento. A defesa solicita um efeito suspensivo urgente para devolver o comando da companhia aos dirigentes que haviam sido retirados de suas funções.
O principal argumento jurídico do CRVG é a incompetência da Justiça comum para deliberar sobre a governança empresarial da SAF. O clube sustenta que os contratos assinados entre as partes estabelecem que conflitos societários devem ser decididos exclusivamente por arbitragem, sendo que a disputa contra a 777 Carioca já está em andamento na Câmara de Arbitragem da FGV. Outra queixa da contestação aponta que o presidente Pedrinho e os demais membros do Conselho de Administração foram afastados sem o direito ao contraditório.
A petição utiliza uma série de fatos recentes para demonstrar que a decisão judicial acabou gerando uma grave crise institucional. O Vasco anexou ao processo as cartas de renúncia coletiva dos membros do Conselho Fiscal — Marco Schroeder, David Tavares Nunes e Carlos Antonio Rodrigues Jorge —, além das saídas de José Luiz Trinta, Vice-Presidente de Integração, e Luis Guedes, VP de Engenharia e Obra. O documento ainda cita a saída da gestora Samantha Mendes Longo após seis dias no cargo e a declaração de suspeição por foro íntimo da própria juíza do caso.
A defesa do clube também usa o primeiro relatório deixado por Samantha Mendes Longo antes de sua renúncia. O texto frisa que a própria interventora indicada pelo tribunal reconheceu a existência de uma estrutura técnica de gestão adequada e especializada na empresa, o que, na visão dos advogados vascaínos, contradiz totalmente as premissas de fraude ou gestão temerária que fundamentaram a liminar.
No aspecto esportivo, o Vasco listou prejuízos concretos no departamento de futebol decorrentes da paralisia na governança. O recurso relata que a insegurança jurídica melou o acerto com o técnico Fernando Seabra e congelou as buscas por reforços no mercado da bola, afetando inclusive o andamento de negociações para a contratação de atletas e impedindo o avanço do retorno do atacante Gabriel Pec.
O desembargador César Felipe Cury será o responsável por julgar o agravo de instrumento interposto pelo Vasco com o objetivo de derrubar a liminar que retirou o Pedrinho do comando da SAF. Curiosamente, trata-se do mesmo magistrado que, em maio de 2024, rejeitou o recurso da 777 Partners quando a empresa foi afastada da gestão da SAF pelo Pedrinho e seus pares.
Por fim, o clube trouxe para os autos o andamento das tratativas de venda das ações da SAF. O documento revela que o investidor Marcos Lamacchia condicionou a conclusão definitiva da compra do controle da empresa de futebol ao encerramento da intervenção e ao retorno da antiga gestão de Pedrinho. O caso agora aguarda a análise do pedido de efeito suspensivo pelo TJRJ, enquanto a 777 Carioca deve apresentar sua resposta nas próximas horas.

Marcos Lamacchia e Pedrinho; seguem as negociações pela Vasco SAF – Foto: Reprodução
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