Portal dos Dragões
·3 April 2026
Villas-Boas volta ao caso Cardoso Varela: “Tal como Rodrigo Mora, Poderia estar a jogar na equipa principal do FC Porto”

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André Villas-Boas voltou a falar do caso de Cardoso Varela, apresentando-o como um exemplo evidente das falhas do sistema na protecção de jogadores menores. Em entrevista à Kicker, o presidente do FC Porto afirmou: “Tal como Rodrigo Mora, também Cardoso Varela poderia estar a jogar na equipa principal do FC Porto neste momento. Tínhamos planeado que ele completasse a pré-temporada com a equipa principal nesse ano [em que desapareceu do radar]. Vemos cada vez mais pessoas movidas pela tentação do ganho financeiro, a explorar as carreiras de jogadores menores de idade e a destruir os seus sonhos.”
O líder dos dragões mostrou-se particularmente severo com a mudança para a Croácia, considerando-a “no mínimo, muito estranha”, e defendendo que teve “dois objetivos: primeiro, tirá-lo do FC Porto sem que o clube tivesse direito a receber uma taxa de transferência e, em segundo lugar, transferi-lo o mais rápido possível para outro clube de topo”. Villas-Boas sustenta que todo o processo foi “planeado para contornar as regras da FIFA”, apontando para uma lógica de “transferência-ponte”.
Nesse contexto, revelou que os dragões actuaram junto das entidades competentes: “A única coisa que podíamos fazer era alertar UEFA, FIFA e Federação Portuguesa de Futebol para uma possível violação das regras”. Ainda assim, lamenta que estas práticas persistam e critica “a ganância dos envolvidos”.
Villas-Boas aproveitou também para afastar uma eventual ligação futura de Cardoso Varela ao Barcelona, indicando que falou com o director desportivo dos catalães: “Depois de conversar com o Deco, percebi que não é esse o caso”.
Dois anos após a saída de Cardoso Varela: “Para nós, continua claro que a transferência de Cardoso para um clube amador na Croácia teve, em última análise, dois objetivos: primeiro, tirá-lo do FC Porto sem que o clube tivesse direito a receber uma taxa de transferência. E, em segundo lugar, transferi-lo o mais rápido possível para outro clube de ponta, provavelmente de uma das cinco principais ligas. Isso ainda pode acontecer, claro. Na nossa opinião, a abordagem adotada com o clube amador croata (NK Dinamo Odranski Obrez) foi planeada para contornar as regras da FIFA. Não teve nada a ver com a transferência do pai dele para lá. Nesse sentido, a única coisa que podíamos fazer era alertar as principais instituições do futebol – UEFA, FIFA e Federação Portuguesa de Futebol – sobre uma possível violação do Artigo 19.”
O que esperava da FIFA?: “É preciso dizer que um jovem jogador que deixa um clube como o FC Porto, com a história e a experiência que temos em proporcionar aos jogadores talentosos o melhor ambiente possível através do nosso sistema de formação para se desenvolverem e se tornarem grandes estrelas europeias, e depois se transfira para um clube amador na Croácia que não tem histórico e não possui condições adequadas é, no mínimo, muito estranho.”
Reacção das federações: “Tanto a Federação Portuguesa de Futebol quanto a croata partilharam da nossa opinião de que isso poderia ser uma chamada ‘transferência-ponte’, razão pela qual a FIFA inicialmente se recusou a autorizar a transferência internacional do menor. Quando o Cardoso Varela completou 16 anos, não havia mais nada que pudéssemos fazer. No entanto, acreditamos que era importante denunciar publicamente estas práticas para consciencializar as pessoas de que estas práticas ilegítimas envolvendo jogadores menores de idade infelizmente continuam a ocorrer em todo o mundo.”









































