Fala Galo
·25 marzo 2026
118 anos de Atlético: contra o vento, sempre!

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·25 marzo 2026

Por: Thiago Florêncio
Era 1908. Belo Horizonte ainda engatinhava como capital, a cidade jovem demais para conhecer o próprio rosto no espelho. Foi nesse chão, ainda mole que vinte e dois rapazes, estudantes, sonhadores, a juventude que o Brasil sempre teve o dom de desperdiçar ou de eternizar, decidiram que queriam mais do que uma cidade nova. Queriam um clube. Queriam um símbolo.
Escolheram bem a palavra. Atlético. Não “esportivo”, não “recreativo”, não “amigável”. Atlético. Como quem nasce já sabendo que vai brigar. E junto, a sigla MG, quase como uma assinatura, eternizada no trecho do nosso hino: “Honramos o nome de Minas, no cenário esportivo e mundial. E o Galo nasceu sem saber que um dia ia cutucar o mundo.
Aos poucos, o torcedor atleticano também iria conhecendo os seus primeiros ídolos. Mário de Castro, Said e Jairo, formaram o trio maldito, mas maldito só para quem enfrentava, transformaram o futebol atleticano numa poesia de drible e gols que os gramados mineiros ainda sentem saudade. Guará, o Perigo Louro, atacante de dois pés e um só destino: o gol, tanto fazia o direito ou o esquerdo, o resultado era sempre o mesmo: a rede balançando. Ubaldo Miranda, o centroavante que não pedia passagem, tomava. E então apareceu Dario, o atacante que um dia parou no ar no Maracanã e fez o tempo suspender o fôlego junto com ele. Sucedendo Dadá Maravilha, tivemos Reinaldo, o Rei, que para muitos, foi o único que quase conseguiu destronar Pelé.
Cada um desses nomes é um capítulo da nossa história. João Leite, o goleiro de Deus. Luizinho, a elegância da defesa. Kafunga, Nívio, Vanderlei Paiva, Grapete, Humberto Ramos, Paulo Isidoro, Marcelo Oliveira, Eder Aleixo, o Bomba, cujos chutes potentes quase furavam as redes do Gigante de Pampulha. E quando o novo milênio chegou, Guilherme e Marques assumiram o protagonismo, fazendo os adversários tremerem com uma parceria que o Atlético demorou décadas para repetir.
Em 2013, sob o comando de Ronaldinho Gaúcho, o talento encontrou a fé. Diego Tardelli jogava como quem não admite amanhã. Cada partida parecia a última, vivida no limite. Leonardo Silva, zagueiro e artilheiro, marcou o gol que ajudou o Galo a tingir a América do Sul de preto e branco e entrou para a história do clube. No gol, Victor transformou defesas em devoção, ganhou status de santo em noites que desafiaram a razão.
E, mais recentemente, Hulk, o vingador alvinegro, que assumiu o protagonismo ao lado de Everson, nosso atual arqueiro, que segue mantendo viva a tradição sob as traves. Por trás de cada um desses nomes, porém, havia sempre uma força maior, invisível nas estatísticas mas presente em cada jogo: a Massa. O maior patrimônio do clube. O torcedor alvinegro não se acomoda. Oscila, sofre, reage. Aprendemos a esperar o improvável. Aprendemos também a resistir.
Aos 118 anos, o Clube Atlético Mineiro preserva a essência do início. A inquietação daqueles estudantes ainda pulsa. O clube não nasceu para a calma. Nasceu para lutar. E luta.
Luta como manda o hino. Luta com raça, mesmo quando tudo sopra contra. Luta quando o jogo parece perdido antes do apito final. Esse espírito atravessou gerações e moldou um jeito próprio de torcer, mais teimoso que lógico, mais passional que prudente.
Talvez por isso Roberto Drummond tenha captado o que números não explicam. Ao dizer que, diante de uma camisa preta e branca no varal, em meio à tempestade, o atleticano torce contra o vento, ele não exagera. Ele traduz. Fala de uma torcida que desafia o inevitável, que se recusa a aceitar o curso natural das coisas.
No fim, o tempo passa, os nomes mudam, donos surgem, as camisas se renovam. Mas há algo que não se move. A alma alvinegra, que atravessa gerações, desafia derrotas e transforma cada jogo em prova de fé.
Não há palavras que resumam o que é torcer para o Atlético. É preciso nascer com o sangue preto e branco correndo nas veias, sentir na pele e na alma. Mas, podem ter certeza, enquanto houver vento contra, haverá um atleticano lutando. Sempre!
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