A consequência mais importante que a vitória, de virada, contra o Santos, trará pro Grêmio
A vitória foi gigante. E não necessariamente porque o Grêmio jogou um grande futebol ou resolveu todos os problemas que vinha apresentando. Não resolveu. Mas era um jogo que tinha um peso emocional enorme para o restante da temporada.
Perder para o Santos dentro da Arena colocaria o Grêmio numa situação muito complicada antes da parada da Copa do Mundo. Ambiente pesado, possibilidade de entrar no Z4, pressão aumentando ainda mais sobre Luís Castro e uma sensação de terra arrasada durante 52 dias sem futebol. Por isso o 3 a 2 tem um tamanho muito maior do que apenas três pontos.
O Grêmio ainda é um time bastante instável. Isso ficou claro no primeiro tempo. A equipe teve dificuldades, sofreu defensivamente e tomou um gol numa falha individual do Caio Paulista. E aqui é importante dizer: o elenco ainda tem jogadores muito pouco confiáveis em determinados momentos do jogo. O próprio Caio melhorou depois, mas o erro aconteceu.
Mesmo assim, o Grêmio achou um empate quase no improviso. O Amuzu foi bem pela direita, conseguiu a jogada e o Carlos Vinícius acaba fazendo o gol praticamente no susto. Era um empate mais construído na insistência do que propriamente numa atuação coletiva organizada.
E o segundo tempo parecia caminhar para um cenário perigoso. O Enamorado, que já fazia partida ruim, tenta um drible completamente desnecessário ainda no campo defensivo. Perde a bola e o Santos encontra o contra-ataque com o Grêmio totalmente desorganizado. Esse talvez seja um dos maiores problemas do time hoje.
Quando perde a bola atacando, o Grêmio demora muito para se reorganizar defensivamente. E isso acontece até com times bons, é verdade. Só que no caso do Grêmio o descontrole fica muito evidente. Parece um time que perde completamente a referência quando sofre a transição defensiva.
Mas aí aconteceu algo que mudou o jogo. E passa muito por jogadores que vinham sendo bastante criticados.
O Pavón participou diretamente dos dois gols da virada. E aqui acho importante fazer uma leitura equilibrada. Não significa que virou solução definitiva da lateral direita ou que todos os problemas acabaram. Mas também existe um exagero em algumas críticas. O Pavón é ponta improvisado na lateral. Está quebrando um galho numa função que não é a dele. E dessa vez ajudou muito ofensivamente.
No segundo gol, faz a jogada para o Carlos Vinícius dominar e finalizar muito bem. E no terceiro participa novamente da construção para o gol do Tetê.
E talvez o símbolo da noite tenha sido justamente o Tetê. Um jogador que vinha sendo muito cobrado, com razão, porque o rendimento era baixo. Só que nunca faltou entrega e profissionalismo. Sempre foi um cara reconhecido internamente por treinar forte, se cuidar e tentar recuperar o melhor nível físico. Dessa vez entrou e resolveu.
O gol teve peso emocional enorme. A comemoração mostrou isso. E às vezes o futebol também passa por esses momentos de confiança.
Outra situação importante foi o Arthur. A entrada dele melhorou bastante a organização do time. Talvez ele nem faça aqueles passes espetaculares quebrando linhas o tempo todo, mas ele dá calma ao meio-campo. O Grêmio consegue respirar mais com a bola no pé quando ele está em campo. E isso ficou muito claro no segundo tempo.
O Léo Perez também merece destaque. Fez mais uma boa atuação e talvez pela primeira vez comece realmente a ganhar espaço dentro do time. Tanto que Luís Castro preferiu sacar o Noriega quando colocou o Arthur.
Agora, claro, não dá para transformar essa vitória numa solução mágica. O Grêmio segue tendo problemas defensivos, segue sendo um time instável e ainda precisa de muito trabalho. Mas era uma partida em que o mais importante era sobreviver antes da parada.