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·23 gennaio 2026

A economia do talento: como o Brasil lidera a exportação de jogadores no futebol mundial?

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O domínio brasileiro no mercado internacional de jogadores não é retórico – ele é mensurável. Segundo levantamentos do CIES Football Observatory, o Brasil lidera de forma consistente o ranking de países que mais fornecem atletas para ligas estrangeiras. Em relatório divulgado em maio de 2023, o observatório apontou que 1.289 jogadores brasileiros atuavam fora do país, número superior aos de França (1.033) e Argentina (905).

A presença brasileira é dominante nos mercados consolidados da Europa, mas também crescente em ligas emergentes da Ásia e da América do Norte. Nenhuma outra nação consegue combinar, de forma simultânea, volume, regularidade e diversidade de destinos como o Brasil.


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Esse fluxo constante faz com que o jogador brasileiro seja visto não apenas como talento esportivo, mas como ativo estratégico dentro do mercado global do futebol.

Uma força exportadora que começa na história. Desde o início do século XX, o futebol se consolidou como parte central da identidade nacional. Nas ruas, campos de várzea, clubes de bairro e competições amadoras criaram um ambiente fértil para o surgimento de jogadores tecnicamente diferenciados.

Ainda antes da globalização do esporte, excursões internacionais de clubes brasileiros já apresentavam ao mundo um futebol criativo, como a de Santos de Pelé em meio a guerra civil na Nigeria em 1969. Com o passar das décadas, esse estilo se transformou em marca registrada e em produto desejado.

Craques como Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká não apenas venceram títulos fora do Brasil, como ajudaram a consolidar a imagem do jogador brasileiro como sinônimo de qualidade técnica e impacto imediato.

A base e a venda precoce

Um dos principais pilares da exportação brasileira está na formação. O país possui um dos maiores e mais capilares sistemas de categorias de base do mundo.

Além da quantidade, há um diferencial técnico: o atleta brasileiro costuma chegar ao futebol profissional com intimidade com a bola, capacidade de improviso e leitura ofensiva, características valorizadas em mercados que priorizam intensidade e tática, mas buscam criatividade.

Esse modelo faz com que o Brasil forme não apenas estrelas, mas também jogadores funcionais, capazes de atuar em diferentes contextos táticos — o que amplia ainda mais o leque internacional.

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Mas os clubes brasileiros, em sua maioria, operam sob pressão financeira constante, direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria raramente são suficientes para sustentar estruturas caras. Nesse cenário, vender jogadores se tornou estratégia de sobrevivência.

A consequência é a antecipação das negociações. Jovens que, em outras épocas, ficariam mais tempo no futebol nacional, hoje são negociados ainda em fase de formação. Para clubes europeus, isso representa oportunidade de investimento; para os brasileiros, uma fonte vital de receita.

O mercado se adaptou a essa lógica, e o Brasil se especializou nela.

Do passado glorioso ao presente promissor

Se o passado foi marcado por ídolos que deixaram o Brasil já consagrados, o presente aponta para uma transformação profunda no modelo de exportação: a venda cada vez mais precoce e por valores historicamente elevados.

Nos últimos anos, o mercado internacional passou a enxergar o futebol brasileiro não apenas como fonte de craques prontos, mas como um espaço de investimento estratégico em ativos jovens, com alto potencial de valorização esportiva e financeira – logo, de revenda.

Jogadores como Vinícius Júnior e Rodrygo, negociados com o Real Madrid ainda muito jovens, simbolizam essa virada. Ambos chegaram à Europa como apostas milionárias e hoje são protagonistas em um dos maiores clubes do mundo, reforçando a confiança dos europeus no processo de formação brasileiro.

Na mesma lógica, nomes como Lucas Paquetá, vendido do Flamengo ao Milan por cifras expressivas antes de atingir o auge, o mercado passou a precificar não apenas o desempenho imediato, mas projeção de carreira. Recentemente, a nova geração aprofunda esse fenômeno, Endrick, negociado com o Real Madrid ainda na adolescência, e Estêvão, vendido ao Chelsea por uma das maiores cifras já pagas por um jogador em formação no Brasil, representam um novo patamar de valorização.

Além deles, jogadores como Vitor Reis, Andrey Santos e Matheus França foram transferidos para clubes europeus por valores altos mesmo sem status de estrela consolidada. O que une esses casos não é o protagonismo imediato, mas o entendimento do mercado de que o jogador brasileiro oferece margem técnica, mental e cultural para evolução.

Essas negociações revelam uma mudança importante: o futebol europeu já não compra apenas o craque comprovado, mas compra o processo formativo brasileiro.

O novo perfil da exportação

O valor das transferências recentes mostra que o Brasil deixou de ser apenas um mercado barato. Pelo contrário: tornou-se um dos mais caros quando o assunto é potencial.

Clubes europeus aceitam investir dezenas de milhões de euros em jovens brasileiros porque enxergam neles atributos difíceis de encontrar em outros mercados: capacidade técnica acima da média, adaptação a diferentes sistemas táticos e um histórico consolidado de sucesso internacional.

Mesmo jogadores que ainda não atingiram o status de craque chegam à Europa com contratos robustos, cláusulas altas e expectativas claras de revenda futura. O Brasil, nesse contexto, funciona como uma plataforma global de formação, capaz de abastecer desde gigantes europeus até mercados intermediários.

Cada transferência bem-sucedida reforça o ciclo. O sucesso de Vinícius Júnior, Rodrygo ou Paquetá legitima apostas em Endrick, Estêvão e tantos outros. O desempenho desses jovens, por sua vez, abre espaço para a próxima geração.

O futebol brasileiro, mesmo enfrentando dificuldades estruturais e financeiras, segue produzindo jogadores em escala e qualidade suficientes para sustentar esse modelo. E enquanto o mercado internacional continuar disposto a pagar caro por juventude, talento e projeção, o Brasil seguirá ocupando o centro desse ecossistema.

Mais do que exportar jogadores, o país exporta confiança: a certeza de que, cedo ou tarde, o talento brasileiro encontrará seu lugar nos grandes palcos do futebol mundial.

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