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·1 giugno 2026
A imprensa do caos e os 35% que a alimentam

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Há uma liturgia bem conhecida. Lança-se a notícia, alimenta-se o incêndio, apaga-se o artigo quando a realidade não colabora, e segue-se em frente sem um único pedido de desculpas. Esta semana voltámos a assistir ao espectáculo completo, em dois actos distintos mas com o mesmo protagonista: uma imprensa desportiva que não informa, pressiona.
O primeiro exemplo é cristalino. O Record avançou, a A Bola seguiu, a SIC Notícias amplificou: o Ministério Público não iria recorrer no processo saco azul. Horas depois, saiu um comunicado oficial a desmentir tudo. As notícias foram apagadas, a maior parte delas sem rasto. O Maisfutebol foi a excepção, mantendo o artigo no ar. Nenhuma das outras redacções fez uma linha de rectificação. É fake news publicada por quem tem microfone, plataforma e zero responsabilidade editorial.
O segundo acto foi ainda mais descarado. De manhã, as capas gritavam ruptura: a corda tinha partido, o Benfica já procurava outros nomes, o treinador não queria o clube. À noite, as mesmas publicações falavam em reuniões e esperança. Esta manhã, as negociações estão em curso e tudo esteve por um fio. Num único ciclo de 24 horas, publicou-se tudo e o seu contrário, sem qualquer pudor. Como dizia Diamantino Miranda, há pessoas que no mesmo dia conseguem dizer tudo e o contrário, e estas redacções provam-no em directo.
Não é incompetência. É estratégia. Esta narrativa do caos tem um destinatário muito preciso: os 35%. Os que fazem vídeos a dizer que ninguém quer treinar o Benfica. Os que listam treinadores que nunca estiveram em cima da mesa como se fossem rejeições reais. Os que usam cada hora sem anúncio oficial como prova de colapso institucional. É para essa audiência que a máquina trabalha, porque é essa audiência que garante os cliques, as partilhas e os comentários furiosos que alimentam o algoritmo.
Esta semana ainda vamos ler braço de ferro, impasse, preso nos detalhes, de costas voltadas. Está escrito antes de acontecer, porque o guião não muda.
Entretanto, há um facto concreto que passou quase em silêncio: José Mourinho regressou hoje ao Seixal. Trabalho a acontecer, câmeras apontadas para o drama que não existe. A imprensa que grita caos raramente cobre ordem. Essa não dá audiência aos 35%.







































