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·15 maggio 2026

A Serie B 2025-26 coroou Venezia e Frosinone, e terminou com a dolorosa queda do Spezia

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Uma pena que a audiência da Serie B 2025-26 seja tão limitada fora da Itália, o que é natural para o segundo escalão de quase todos os lugares – com algumas exceções dos torcedores, apostadores e, claro, pesquisadores. A 94ª edição do certame terminou carregando exatamente a atmosfera que construiu desde agosto: de imprevisibilidade. A rodada final da temporada regular, para além de definições matemáticas, condensou o espírito da competição inteira em 90 minutos espalhados pelo país. Houve uma tentativa de invasão ao campo em Veneza para comemorar o terceiro título dos lagunari, lágrimas em Pescara, tensão até os acréscimos em Monza e protestos pesados em Reggio Emilia. Num torneio que trocou treinadores em sequência, reconfigurou favoritos no meio do caminho e transformou equipes desacreditadas em candidatas ao acesso poucas semanas depois, talvez fosse difícil imaginar um encerramento diferente.

No topo, apesar de um equilíbrio no fim do certame, o Venezia terminou campeão com 82 pontos e a impressão de que, mesmo sem dominar completamente a Serie B durante todos os meses, soube amadurecer melhor que os concorrentes. Houve momentos em que Monza e Frosinone pareciam mais sólidos, especialmente defensivamente, mas o time de Giovanni Stroppa foi encontrando equilíbrio na reta decisiva. A vitória sobre o Palermo na última rodada, fechando a campanha com 24 triunfos em 38 jogos, deu forma definitiva a uma equipe que terminou o campeonato com o melhor ataque e defesa da competição – consagrando o seu treinador, que se consolidou como especialista em acessos e firmou sua quarta promoção à elite.


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Mais do que os números, havia uma sensação constante de fluidez no Venezia. John Yeboah se consolidou como um dos jogadores mais desequilibrantes da Serie B, Andrea Adorante – MVP da competição e seu vice-artilheiro, com 17 gols – sustentou regularidade ofensiva durante praticamente toda a temporada e o meio-campo liderado por Gianluca Busio e Issa Doumbia raramente deixava o time perder o controle emocional e técnico das partidas. Nem sempre era um futebol exuberante, mas parecia uma equipe confortável em diferentes cenários. Em alguns jogos, pressionava alto e acelerava; em outros, aceitava sofrer sem perder organização. Talvez por isso tenha conseguido atravessar o segundo turno sem grandes colapsos, algo raro nesta edição.

Logo atrás, o Frosinone construiu uma trajetória que talvez seja a mais simbólica da temporada. Há menos de um ano, o clube escapava do rebaixamento apenas graças ao caos institucional provocado pelo caso Brescia. Agora, retorna à Serie A com 81 pontos, sendo dono de um dos ataques mais agressivos do campeonato e sustentado por uma identidade ofensiva muito clara. O 5 a 0 sobre o Mantova na rodada final acabou funcionando quase como um retrato do time de Massimiliano Alvini: intensidade alta, pressão constante e uma equipe que parecia emocionalmente convencida da própria força nos momentos decisivos.

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Dois anos depois de cair, o Frosinone voltou à Serie A (AAP)

A trajetória de Alvini ajuda a explicar muito do ambiente criado em Frosinone. Na temporada passada, o treinador havia terminado rebaixado com o Cosenza. Agora, conquista o primeiro acesso à Serie A de sua carreira justamente conduzindo um elenco jovem, agressivo e bastante corajoso sem a bola. O Frosinone terminou a Serie B marcando 76 gols, com um futebol muito vertical e constantemente apoiado nas transições rápidas. Giacomo Calò organizava a saída desde trás, Antonio Raimondo cresceu bastante no segundo turno e Farès Ghedjemis virou um dos personagens mais improváveis da competição.

A história do argelino parece resumir muito do imaginário da própria Serie B. Rejeitado em diferentes etapas do futebol francês, passando inclusive pela quarta divisão, Ghedjemis chegou ao futebol italiano praticamente no anonimato e terminou o campeonato com 15 gols, vários deles em jogos decisivos. Sua trajetória ganhou ainda mais peso porque encaixou perfeitamente no estilo intenso do Frosinone. Em muitos momentos, os ciociari davam a sensação de que poderiam sofrer defensivamente, mas quase sempre compensavam isso produzindo um volume ofensivo suficiente para controlar os jogos através da agressividade.

Se Venezia e Frosinone terminaram celebrando o acesso direto, o Monza encerrou a temporada cercado por uma sensação um pouco mais amarga. Durante vários meses, os brianzoli pareceram o time mais maduro da competição. Sofreram apenas 32 gols e raramente eram dominados pelos adversários. O problema é que faltou transformar controle em imposição definitiva. O empate por 2 a 2 contra o Empoli, decidido aos 91 minutos por Stiven Shpendi, acabou simbolizando bastante a trajetória do time de Paolo Bianco: organizado, competitivo, mas incapaz de matar partidas decisivas.

Ainda assim, seria exagerado tratar o Monza como um time em queda. O elenco continua sendo um dos mais fortes da categoria, principalmente pela experiência e a qualidade acumuladas em jogadores como Matteo Pessina, Andrea Petagna, Dany Mota, Pedro Obiang, Andrea Colpani e Keita Baldé. A questão parece muito mais emocional do que técnica. O acesso direto parecia próximo durante boa parte do segundo turno e, de repente, o clube se vê obrigado a atravessar os playoffs.

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Apesar da derrota para o Venezia na última rodada, o Palermo jogará as semifinais dos playoffs de acesso à elite (Arquivo/Palermo FC)

O Palermo chega a esse mata-mata talvez como o time mais equilibrado entre os postulantes restantes. Pippo Inzaghi voltou a construir uma equipe extremamente pragmática, difícil de ser batida e emocionalmente estável mesmo em jogos ruins. Os sicilianos não tiveram o volume ofensivo do Venezia nem a intensidade do Frosinone, mas raramente perderam competitividade ao longo da temporada. Muito disso passa, claro, por Joel Pohjanpalo. O finlandês terminou como artilheiro isolado da Serie B, com 24 gols, consolidando-se como a principal referência ofensiva do campeonato.

Mas o Palermo parece mais interessante justamente pela maneira como conseguiu funcionar coletivamente ao redor dele. Não era um time brilhante o tempo inteiro, mas quase sempre parecia vivo dentro dos jogos, embalado por várias peças com experiência na Serie A, a exemplo de Mattia Bani, Tommaso Augello, Emmanuel Gyasi e Dennis Johnsen. Em Palermo, porém, existe uma pressão que naturalmente altera o tamanho de qualquer tropeço. E os playoffs costumam transformar isso rapidamente em perigo.

Mais abaixo, Catanzaro, Modena, Juve Stabia e Avellino completaram a zona de playoffs representando ideias muito diferentes de futebol. Classificado pela terceira vez seguida ao mata-mata, o Catanzaro terminou novamente como uma equipe agressiva, vertical e emocionalmente intensa dentro do estádio Nicola Ceravolo. Pietro Iemmello continuou sendo a grande referência técnica do time, enquanto Mattia Liberali cresceu bastante na reta final. Os calabreses oscilaram defensivamente em vários momentos da temporada, mas ainda assim encerraram a Serie B com a sensação de que podem desequilibrar confrontos eliminatórios pela força ofensiva que possuem em casa.

O Modena, em contrapartida, talvez tenha sido o time mais – peço licença para o trocadilho – “modesto” da competição. Pouco brilho estético, muita organização defensiva e um campeonato sustentado pela capacidade de controlar jogos através da estrutura sem bola. Os canários sofreram apenas 36 gols e permaneceram competitivos quase o ano inteiro graças ao trabalho coletivo. Ettore Gliozzi terminou como principal referência ofensiva, embora a equipe emiliana frequentemente parecesse depender mais do sistema do que de individualidades.

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O Catanzaro vem flertando com o retorno à elite há alguns anos e fará semifinais dos playoffs com o Palermo (Arquivo/US Catanzaro)

A Juve Stabia voltou a aparecer como uma das histórias mais interessantes da temporada. Depois do retorno recente à Serie B, os campanos construíram uma campanha muito acima das expectativas. O time treinado por Ignazio Abate – ele mesmo! – oscilou bastante durante o campeonato, mas nunca perdeu a competitividade, como já havia sido na temporada anterior. Leonardo Candellone tornou-se uma peça importante ofensivamente, enquanto o coletivo parecia confortável em jogos caóticos. Uma característica que normalmente pesa bastante nos playoffs.

E talvez nenhuma equipe represente melhor a sensação de crescimento progressivo do que o Avellino. Recém-promovido da Serie C, o clube passou boa parte da temporada alternando momentos de esperança e crises defensivas pesadas. A chegada de Davide Ballardini mudou bastante o cenário. Em 13 partidas sob seu comando, os irpini conquistaram 21 pontos e encontraram uma estabilidade que parecia improvável meses antes. O 1 a 0 sobre o Modena na rodada final acabou premiando justamente isso, um time que, sem necessariamente encantar, cresceu muito na reta decisiva. Na Campânia, a simples presença nos playoffs já parece ter recolocado o clube num lugar de relevância esportiva que parecia distante até poucos anos atrás.

O meio da tabela talvez tenha sido o setor que melhor traduziu o equilíbrio caótico nesta temporada. Entre o Mantova, nono colocado com 46 pontos, e a Virtus Entella, 14ª com 42, existia uma diferença de apenas quatro pontos. Em outras palavras, uma sequência curta – positiva ou negativa – era suficiente para transformar completamente a perspectiva de qualquer equipe. O Padova, por exemplo, terminou em 10º, também com 46 pontos, apenas atrás do Mantova nos critérios de desempate, enquanto o Cesena, que chegou a frequentar a zona de playoffs até a 35ª rodada, acabou fora até mesmo do top-10 depois de uma reta final lamentável. A Carrarese, por sua vez, sustentou durante meses a imagem de equipe segura, competitiva e organizada, mas terminou apenas dois pontos acima da Sampdoria, que atravessou mais uma temporada extremamente conturbada – o que, infelizmente, talvez seja o cenário mais palpável para os próximos anos. Ao menos a Samp conseguiu escapar no campo desta vez.

Talvez o dado que melhor explique o tamanho desse equilíbrio esteja justamente na distância entre extremos relativamente próximos da classificação. O Avellino, último classificado para os playoffs com 49 pontos, terminou apenas oito acima do Südtirol, que acabou condenado ao playout, com 41. A margem é mínima considerando a duração do campeonato e ajuda a ilustrar como a Serie B viveu praticamente sem zonas definitivas ao longo do ano. O próprio Mantova, que encerrou a competição em nono, passou semanas olhando mais para baixo do que para cima, enquanto Sampdoria e Virtus Entella alternaram momentos de aparente tranquilidade com flertes reais com o rebaixamento.

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A Juve Stabia passou pelo Modena nas quartas dos playoffs e chegou às semifinais com o Monza (Ansa)

Na parte inferior da tabela, o campeonato assumiu contornos ainda mais dramáticos. O Bari conseguiu escapar do rebaixamento direto apenas na última rodada, vencendo o Catanzaro por 3 a 2 em um jogo emocionalmente caótico. Kevin Piscopo marcou duas vezes e praticamente manteve viva a temporada dos apulianos. Ainda assim, terminar em 17º depois de iniciar o campeonato pensando em acesso inevitavelmente deixa uma sensação pesada ao redor do clube. Moreno Longo reorganizou minimamente a equipe nas últimas semanas, mas os galletti jamais encontraram estabilidade real durante o campeonato.

O Südtirol acabou arrastado para o playout justamente pela irregularidade acumulada ao longo dos meses. O empate contra a Juve Stabia não foi suficiente para evitar o confronto contra o Bari. O time permaneceu durante muito tempo numa zona intermediária perigosa, distante da crise absoluta, mas sem força suficiente para se afastar de vez do risco. Fabrizio Castori novamente montou uma equipe competitiva fisicamente, embora ofensivamente limitada em vários momentos.

Quem escapou no limite foi o Empoli. Rebaixado da Serie A recentemente, o time toscano passou semanas convivendo com o fantasma de uma queda consecutiva até a terceira divisão. Fabio Caserta assumiu tentando reorganizar um ambiente emocionalmente destruído e acabou encontrando em Stiven Shpendi o personagem improvável da permanência. O atacante marcou duas vezes contra o Monza, incluindo o gol aos 91 minutos que salvou os toscanos do playout. Talvez nenhum outro lance represente tão bem o caos emocional da rodada final quanto aquele empate na Lombardia. Enquanto os biancorossi viam o acesso direto escapar, os azzurri comemoravam a sobrevivência.

Na zona de rebaixamento, a sensação foi de colapso para clubes que começaram o campeonato imaginando cenários completamente diferentes. O Spezia talvez seja o exemplo mais forte disso. Depois de disputar os playoffs na temporada passada e de terem passado três épocas seguidas na elite nesta década, os lígures passaram a campanha inteira tentando reorganizar uma equipe emocionalmente instável. Houve troca de treinador, retorno de Luca D’Angelo e vários momentos de aparente recuperação, mas nada realmente foi sustentado. O empate contra o Pescara acabou selando uma queda pesada para um clube que retorna à Serie C depois de 14 anos.

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Lágrimas para Insigne: se há mais de uma década ele havia levado o Pescara à elite, agora caiu à terceirona com os golfinhos (IPP)

A Reggiana viveu algo semelhante, embora de maneira ainda mais turbulenta. A equipe trocou treinadores, passou meses convivendo com problemas ofensivos graves e chegou à última rodada dependendo de uma combinação difícil de resultados. A vitória sobre a Sampdoria não bastou. Em Reggio Emilia, a sensação ao fim do campeonato parecia mais próxima de exaustão do que propriamente surpresa.

Mas talvez o desfecho mais doloroso tenha sido o do Pescara. O retorno de Lorenzo Insigne no segundo turno transformou completamente o ambiente ao redor do clube. O ídolo – que levara os golfinhos à elite em 2012 – voltou depois de 14 anos tentando liderar uma recuperação improvável e, por alguns momentos, realmente parecia possível acreditar nisso. Só que a Serie B raramente respeita romantismos. O empate contra o Spezia não serviu para ninguém. Lorenzinho terminou a noite chorando no estádio Adriatico, enquanto protestos pesados tomavam conta das arquibancadas. O time abruzês encerrou a temporada com a pior defesa do campeonato e a sensação cruel de que reagiu tarde demais.

E mesmo com o fim da temporada regular, a Serie B ainda está longe de encerrar completamente sua história. Os playoffs já começaram com a Juve Stabia vencendo o Modena fora de casa por 1 a 0, eliminando uma das equipes mais organizadas do campeonato num jogo muito físico e tenso, com o gol salvador de Kevin Zeroli, cria do Milan, se concretizando próximo ao fim da peleja. Já o Catanzaro atropelou o Avellino por 3 a 0 diante de um Ceravolo completamente tomado pelo clima de decisão, confirmando a força dos calabreses jogando em casa.

Agora, os confrontos ganham outro peso. Nas semifinais, o Monza enfrentará a Juve Stabia carregando o favoritismo técnico, mas também a pressão de quem deixou escapar o acesso direto no detalhe. Do outro lado, o Palermo encara o Catanzaro num duelo entre sulistas, que talvez reúna os dois ambientes mais intensos restantes dos playoffs – no já citado playout, Bari e Südtirol farão um confronto de enormes distâncias, ligando o extremo norte da Itália ao calcanhar da Bota. E, conhecendo a Serie B, provavelmente ainda há espaço para mais algumas reviravoltas antes do encerramento definitivo da temporada.

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