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·12 marzo 2026
Abel Ferreira soma 412 jogos num país que demite técnicos a cada rodada

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·12 marzo 2026

O futebol brasileiro tem uma relação doentia com seus treinadores. A cada rodada do Brasileirão, a pergunta não é “quem joga bem”, mas “quem será demitido primeiro”. Em 2026, a resposta veio rápido: cinco técnicos da Série A perderam o emprego antes da quinta rodada — Sampaoli no Atlético-MG, Diniz no Vasco, Filipe Luís no Flamengo, Crespo no São Paulo e mais um na sequência. A média segue a tradição: um técnico demitido por rodada.
No meio desse caos, um treinador português de 47 anos completa mais de cinco anos no mesmo clube, soma 412 partidas, 241 vitórias e acaba de se isolar como o mais vitorioso da história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Abel Ferreira não é apenas um bom treinador. Ele é uma anomalia estatística num sistema que devora comandantes como se fossem descartáveis.
Este artigo usa dados para mostrar por que a permanência de Abel é, provavelmente, o maior diferencial competitivo do Palmeiras nesta década.
O Campeonato Brasileiro é uma máquina de moer treinadores. Os números são impiedosos. Em 2024, foram cerca de 20 demissões ao longo das 38 rodadas. Em 2025, o número subiu para 22 — com apenas cinco dos 20 clubes da Série A mantendo o mesmo técnico durante todo o ano. O Palmeiras, naturalmente, foi um deles.
Em 2026, a tendência se mantém com força total. Nas primeiras quatro rodadas, quatro treinadores já caíram. O caso mais emblemático foi o do Flamengo: Filipe Luís, que havia conquistado a Libertadores e o Brasileirão em 2025, foi demitido logo após uma goleada de 8 a 0 — uma vitória. O resultado em campo não bastou para segurar o cargo diante de desgaste interno e divergências de bastidores.
O recorde histórico de trocas no formato de pontos corridos pertence a 2003, com 40 mudanças (quando a Série A tinha 24 clubes). No formato atual com 20 equipes, o pico foi em 2015, com 32 demissões. A média dos últimos anos gira em torno de 20 a 22 trocas por temporada. É quase impossível manter um projeto de longo prazo nessas condições.
Demissões de técnicos na Série A por temporada
2015
32
Recorde no formato de 20 clubes
2021
20
2022
18
2023
19
2024
21
2025
22
2026
5
Apenas 5 rodadas disputadas — ritmo de 1 demissão por rodada
Abel Ferreira no Palmeiras
Demissões neste período: zero
0
Fontes: ge.globo, ESPN, CNN Brasil, Flashscore, Lance! · dados até 12/03/2026.
Abel Ferreira foi oficializado como técnico do Palmeiras em 30 de outubro de 2020. Estreou em 5 de novembro. De lá para cá, acumulou números que nenhum outro treinador na história do clube alcançou em uma única passagem.
Abel Ferreira no Palmeiras
412
Jogos
desde nov/2020
241
Vitórias
66,2% de aproveitamento
11
Títulos
recorde histórico do clube
701
Gols marcados
334 sofridos
49
Classificações
em 71 mata-matas
~2.000
Dias no cargo
7× a média nacional
Fontes: site oficial do Palmeiras e dados compilados pelo Portal do Palestra · atualizado até 12/03/2026.
São 412 jogos, com aproveitamento de 66,2% — 241 vitórias, 95 empates e 76 derrotas. A comissão técnica portuguesa soma 701 gols marcados e 334 sofridos. São 71 confrontos eliminatórios ou valendo taça, com 49 classificações e 18 eliminações ou vice-campeonatos.
Com a conquista do Paulistão 2026, Abel chegou ao 11º troféu e ultrapassou Oswaldo Brandão, que tinha dez títulos distribuídos em sete passagens pelo clube ao longo de cinco décadas (1945 a 1985). Abel fez isso em uma única passagem de pouco mais de cinco anos.
Todos os títulos de Abel Ferreira no Palmeiras
Fontes: Palmeiras oficial, CBF e CONMEBOL · dados até 12/03/2026.
Além de ser o treinador mais vitorioso da história do Palmeiras, Abel se isolou como o técnico estrangeiro com mais títulos na história do Campeonato Paulista — tetracampeão em 2022, 2023, 2024 e 2026, superando o italiano Guido Giacominelli (tricampeão pelo Corinthians em 1922/23/24), o uruguaio Humberto Cabelli (tricampeão pelo Palmeiras em 1932/33/34) e o português Joreca (tricampeão pelo São Paulo em 1943, 1945 e 1946).
É também o treinador estrangeiro com mais títulos em toda a história do futebol brasileiro: 11 conquistas. A comissão técnica portuguesa é também a única de fora do país a ganhar a Copa do Brasil.
A melhor forma de entender o impacto da continuidade é comparar o Palmeiras com seus rivais diretos no mesmo período. De 2020 a 2026, o Verdão manteve essencialmente um técnico no comando. Os demais? Trocaram de comando como quem troca de camisa.
Estabilidade técnica: Palmeiras vs rivais (2020–2026)
Fontes: levantamentos de ge.globo, ESPN, CNN Brasil, 90min e dados compilados pelo Portal do Palestra · “Títulos grandes” = Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil, Paulistão/Estadual, Supercopa, Recopa · dados até 12/03/2026.
Os números são eloquentes. Enquanto o Palmeiras acumula 12 títulos desde 2020 com estabilidade no comando, os rivais viveram uma rotatividade crônica que consumiu projetos, desperdiçou investimentos e gerou instabilidade constante no elenco. O Corinthians, por exemplo, teve mais de dez técnicos diferentes e conquistou apenas dois títulos relevantes no período. O Vasco passou por mais de dez treinadores sem erguer nenhum troféu.
A permanência de Abel Ferreira não é obra do acaso. É o resultado de uma combinação rara no futebol brasileiro — e cada um dos fatores abaixo seria insuficiente sem os demais.
A presidente Leila Pereira manteve publicamente o discurso de proteção ao trabalho do técnico — mesmo em 2025, quando o Palmeiras passou uma temporada inteira sem títulos pela primeira vez na era Abel. A mandatária optou pela continuidade enquanto a pressão popular exigia troca. Em entrevista recente, Leila reforçou que prioriza a “tranquilidade” como modelo de gestão esportiva.
O Palmeiras registrou superávit recorde de quase R$ 300 milhões em 2025, segundo dados do balanço do clube. A saúde financeira permite que a diretoria tome decisões de longo prazo sem o desespero de resultados imediatos que assola clubes endividados. Nesse cenário, a janela de transferências de março de 2026 — na qual o clube investiu cerca de R$ 190 milhões em dois reforços — foi planejada com antecedência, e não como reação a uma crise.
Jogadores como Gustavo Gómez (363 jogos, 13 títulos), Weverton, Marcos Rocha, Piquerez e Marcelo Lomba conhecem as exigências da comissão técnica portuguesa. Não há período de adaptação a cada início de temporada — o time já começa funcionando. Lomba, por exemplo, é o atleta do elenco com mais títulos estaduais na carreira: dez.
Desde 2020, o Palmeiras disputou 17 finais de competições oficiais, vencendo dez. É um time que sabe jogar com pressão porque a pressão é constante há meia década. A experiência acumulada em decisões é um ativo impossível de replicar com trocas frequentes de comando.
A demissão de um treinador não é apenas a saída de um profissional. Ela destrói planejamentos táticos, reorganiza hierarquias internas, gera custos de rescisão e cria um vácuo de liderança que leva semanas para ser preenchido. Cada novo técnico precisa de tempo para implementar seu sistema — tempo que o futebol brasileiro não concede.
Em 2025, a média de permanência dos técnicos no Brasileirão caiu para aproximadamente 275 dias — menos de nove meses. Isso significa que a maioria dos treinadores no Brasil não completa sequer uma temporada inteira no cargo.
Abel Ferreira está no Palmeiras há quase 2.000 dias. É sete vezes a média nacional.
O próprio Pep Guardiola, do Manchester City, comentou sobre a instabilidade brasileira: na visão do espanhol, quando um clube vive uma temporada com três ou quatro treinadores, o problema é de quem escolheu — e deveria demitir os dirigentes, não os técnicos.
O Palmeiras de Abel entra agora no Brasileirão 2026 como campeão paulista, invicto no campeonato nacional (quatro rodadas) e com o Allianz Parque prestes a receber seu primeiro jogo do ano com o novo gramado sintético aprovado pela Fifa. A Libertadores bate à porta. O clube quer o título que escapou em 2025, quando perdeu a final para o Flamengo.
Se Abel seguir, a tendência é que seus números cresçam a um ritmo que tornará praticamente impossível que qualquer outro treinador o alcance na história do Palmeiras. A questão já não é se Abel é o maior técnico do Verdão. A questão é até onde ele pode levar essa marca.
Abel Ferreira tem 11 títulos pelo Palmeiras: quatro Campeonatos Paulistas (2022, 2023, 2024 e 2026), duas Copas Libertadores (2020 e 2021), dois Campeonatos Brasileiros (2022 e 2023), uma Copa do Brasil (2020), uma Recopa Sul-Americana (2022) e uma Supercopa do Brasil (2023). Ele é o treinador mais vitorioso da história do clube, superando Oswaldo Brandão, que tinha dez títulos.
Até a quinta rodada do Campeonato Brasileiro 2026, cinco técnicos da Série A já haviam perdido o emprego: Jorge Sampaoli (Atlético-MG), Fernando Diniz (Vasco), Filipe Luís (Flamengo), Hernán Crespo (São Paulo) e mais uma troca na sequência. A média acompanha os anos anteriores, com uma demissão por rodada.
Abel Ferreira foi oficializado como técnico do Palmeiras em 30 de outubro de 2020 e estreou em 5 de novembro do mesmo ano. Ele está no clube há mais de cinco anos ininterruptos, sendo o treinador mais longevo da elite do futebol brasileiro neste século e o mais longevo da história do Palmeiras em uma única passagem.
A comissão técnica portuguesa soma 412 partidas no comando do Palmeiras, com 241 vitórias, 95 empates e 76 derrotas — aproveitamento de 66,2%. O Verdão marcou 701 gols e sofreu 334 sob o comando de Abel.
O Palmeiras disputou 17 finais de competições oficiais desde 2020, vencendo dez e ficando com o vice em sete oportunidades. Em toda a sua história, o clube soma 69 decisões oficiais, com 40 títulos e 29 vice-campeonatos.
Dados compilados pelo Portal do Palestra a partir de fontes oficiais do Palmeiras, CBF, CONMEBOL e levantamentos de ESPN, ge.globo, CNN Brasil, Lance! e Flashscore. Números atualizados até 12 de março de 2026.









































