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·25 marzo 2026
Adeus aos golos fora na UEFA

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·25 marzo 2026

Segunda eliminatória da Taça UEFA 1989-90. Nas Antas, o Porto ganha 3:1 ao Valencia. Na segunda mão, o treinador uruguaio Víctor Espárrago está confiante em dar a volta.
- Vai ser difícil ganhar 2:0
- Sim, sim, dois-zero seria bom, mas o 1:0 é suficiente.
(pausa)
(pausa maior)
(pausa enorme)
- Desculpe, só dá 2:0. Com 1-0, o Valencia é eliminado.
- Os golos fora valem a dobrar. Se perdemos 3:1, basta 1:0.
- Valem a dobrar quando há um empate na eliminatória. O 1:0 só reduz a diferença para 3:2.
(pausa)
(pausa menor)
(pausa mínima)
Custa convencê-lo mas ele lá admite o equívoco aos jornalistas valencianos. "Na América do Sul, as eliminatórias são diferentes: um jogo vale dois pontos." Exemplo? "Ganhas 5:0, perdes 1:0 e vamos a terceiro jogo em campo neutro." - acontece precisamente isso na Taça Intercontinental 1960, entre Peñarol e Benfica, o problema é a ausência de campo neutro (Montevideo, por comum acordo das duas equipas no sentido de despachar a coisa e siga a marinha).
E nós, da Taça UEFA 1989-90? O Valencia ganha 3:2 (hat-trick de Fenoll), passa o Porto, curiosamente eliminado na ronda seguinte pelo Hamburgo. Como? Regra dos golos fora. Existe desde 67-68 e o Benfica é o primeiro a beneficiar, vs Glentoran, com 1:1 em Belfast e 0:0 na Luz. O golo de Eusébio é decisivo. E antes, como é? De 1955 a 1968, as eliminatórias resolvem-se com um terceiro jogo, razão pela qual o Sporting chega à final da Taça das Taças-64. Se a regra dos golos fora fosse então válida, o rugido do leão nem sequer se ouviria na segunda eliminatória pelo 2:0 em Bérgamo e 3:1 em Alvalade.
Em 1967-68, os golos fora só valem na primeira ronda (o tal Benfica-Glentoran), opção estendida para todas as eliminatórias em 1968-69. Até 1970-71, esta regra só não é válida para o prolongamento. A partir daí, é bar aberto. Esta lenga-lenga toda para quê? "Há muito que defendo que essa regra está ultrapassada e tem de ser alterada. Foi criada nos anos 60 para encorajar as equipas visitantes a jogar ao ataque. O futebol mudou e o peso do golo fora é exagerado." Na ressaca do adeus na Liga dos Campeões 2014-15 provocado por Leonardo Jardim (1:3 em casa e insuficiente 2:0 no Monaco), o treinador francês Arsène Wenger queixa-se do peso exagerado dos golos fora. Logo ele que chega à primeira final europeia da carreira à custa de 1:1 e 2:2 vs Feyenoord em 1992.
Vem isto a propósito do adeus oficial da UEFA à regra dos golos fora a partir da próxima época 2021-22 (aqui para nós que ninguém nos ouve, daí o parêntesis para dar a sensação de um segredo muito íntimo, só sou contra a regra dos golos fora caso os dois jogos terminem empatados e lá voltamos ao Benfica vs Glentoran). Agora quando o exemplo é o do Monaco vs Arsenal, sou a favor da regra. Seja como for, a UEFA acaba com a regra e estipula o de sempre, prolongamento de 30 minutos mais penáltis.
Adiante, siga a marinha, só interessa dar conta dos exemplos portugueses de golos fora. O único clube 100% vitorioso é o Marítimo, apurado na única vez deste exercício, na Liga Europa 2012-13. É a 3.ª pré-eliminatória, vs Asteras (Grécia). Em Tripolis, 1:1 por Fidelis. Nos Barreiros, 0:0. Por outro lado, a única equipa 100% derrotada é o Vitória SC, na Taça UEFA 1996-97. Em Guimarães, 1:1. Em Bruxelas, 0:0. E os outros? Ei-los (a negrito, a alegria do apuramento)
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