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·7 gennaio 2026

BASTIDORES: Oposição vê com pessimismo votação de impeachment de Casares e aponta ‘manobra’ em data; Aliados reiteram pedido de renúncia

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O anúncio repentino do presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu, que agendou para o próximo dia 14 (quarta-feira) a votação do impeachment do presidente Julio Casares, não foi lá uma grande surpresa para os grupos políticos do clube opositores à atual gestão. Muito pelo contrário.

Fontes consultadas pelo AVANTE MEU TRICOLOR durante a noite desta terça-feira (6) indicaram que já era esperado por parte de Abreu, aliado político do mandatário são-paulino, uma certa pressa em agendar o pleito ainda na primeira quinzena deste mês. O motivo, segundo eles, é que muitos conselheiros contrários a Casares estão viajando e sem condições de comparecerem presencialmente no Morumbi.


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Mais que isso, de acordo com a ata de convocação emitida por Abreu, a votação será secreta. Ou seja, permitirá que ou ex-aliados de Casares ou conselheiros que estão sinalizando deixarem a base governista votem sem pudores para a manutenção do presidente do cargo.

“A votação secreta praticamente é uma pá de cal na chance de aprovação (do impeachment). Vão votar pela permanência de Casares sem serem expostos, se livrando assim da pressão da torcida”, disse uma fonte consultada pela reportagem.

A intenção é declaradamente essa. Um conselheiro da base aliada de Casares confirmou que houve o pedido a Abreu para que o pleito fosse secreto, sem a divulgação dos votos. “Isso é para a própria segurança dos conselheiros. Não tem nada de manobra. O clima é de muita pressão. Como fica quem acredita na inocência do presidente? Quem confia nele? Vai ser exposto, ameaçado”, disse.

Internamente, entre as alegações para a escolha do mecanismo de votação (presencial e voto secreto) estão evitar problemas como os ocorridos na votação do orçamento para 2026 no fim de dezembro, quando alguns conselheiros denunciaram que não tiveram os votos on-line computados e obrigaram o clube a se posicionar oficialmente. Fora isso, a exposição da planilha de votação levou conselheiros a serem perseguidos virtualmente nas redes sociais. “O clima está tenso demais”, disse uma fonte ouvida pelo AMT.

A definição final para a escolha do mecanismo de votação, segundo falou-se à reportagem, foi o comunicado divulgado pela Independente, maior torcida organizada do clube, e Henrique Gomes, o Baby, seu principal líder, que prometeram divulgar e cobrar os nomes de quem se manifestasse favoravelmente a Casares nas votações.

PESSIMISMO

O processo acontece após pedido formal de conselheiros de oposição à atual gestão tricolor, que juntaram as 57 assinaturas necessárias para dar entrada à retirada do mandatário, conforme o Estatuto do clube, no fim de dezembro.

Para o impeachment de Casares continuar, serão necessários pelo menos dois terços dos 255 conselheiros são-paulinos (ou seja, cerca de 171 votos favoráveis).

Com essa aprovação, o presidente já seria afastado do cargo, assumindo o posto o vice são-paulino, Harry Massis Júnior.

Mesmo assim, entretanto, para o processo de retirada ser consumido, Casares ainda passará por uma apreciação em assembleia geral com todos os sócios adimplentes do clube social. A maioria simples do voto selaria a saída do dirigente.

Opositores ouvidos pela reportagem reconhecem que no cenário atual é “quase impossível” Casares ser impichado, por ainda manter uma base sólida de apoio tanto no Conselho, quanto no clube social.

Mesmo assim, o clima em grupos de mensagem de celular dos contrários a Casares já era de vitória por conseguirem levar o presidente a ‘julgamento’ nos órgãos do clube, algo impensável há menos de um ano atrás. A crença é que as investigações a qual o mandatário são-paulino está sofrendo por parte de autoridades levaram à inevitável saída.

BLINDADO. MAS NEM TANTO

A marcação da votação do impeachment de Casares acontece no mesmo dia em que o Conselho Consultivo do clube, formado em sua maioria por ex-presidentes e cardeais, desaconselhar o processo de destituição após reunião extraordinária no fim da tarde.

O grupo, que não tem o poder de decidir a saída ou não de Julio Casares, decidiu não indicar ao presidente o seu impeachment. Mesmo em meio a diversas denúncias e escândalos que envolvem o nome do mandatário, o Conselho alegou que ‘não há elementos de prova material para justificar um parecer favorável ao impeachment presidencial’, em nota emitida à imprensa.

O Conselho Consultivo do Tricolor é composto por 12 nomes, mas três foram ausências na reunião de hoje. Estiveram presentes o próprio presidente Julio Casares, Olten Ayres, Carlos Miguel Aidar, Marcelo Pupo, Ives Gandra, Leco, José Carlos Ferreira Alves, José Eduardo Mesquita Pimenta e Paulo Amaral Vasconcelos.

Por questões de saúde, Milton José Neves e Paulo Planet não puderam comparecer, assim como Fernando Casal de Rey, que está em viagem fora do país.

A votação de valor apenas consultivo, já que o órgão não tem o poder de sacramentar a saída de Casares, apontou oito contra um pela não indicação do impeachment presidencial. Somente o opositor José Carlos Ferreira Alves votou em favor da recomendação da exclusão do dirigente do cargo no Tricolor.

Nesta terça, a notícia de que a Polícia Civil investiga R$ 1,5 milhão recebido por Casares e R$ 11 milhões sacados pela gestão do São Paulo aumentou ainda mais a pressão sobre o presidente. O inquérito aponta que ele consegue justificar apenas R$ 1 de cada R$ 5 recebidos em sua conta.

Anterior à nova denúncia vazada, os motivos apontados pelos opositores para o pedido de impeachment são por ‘administração temerária’, sustentada sobre os seguintes argumentos: sucessivo descumprimento do orçamento (alta dívida do clube acima dos R$ 968,2 milhões no fim de 2024); suposta venda de jogadores abaixo do valor de mercado nas últimas janelas e suposta comercialização ilegal de um camarote para um show por dois diretores do clube: Mara Casares, ex-mulher do presidente, e Douglas Schwartzmanm, até então responsável pelas categorias de base em Cotia (SP).

Antes desse escândalo, contudo, houve outra denúncia contra o clube do Morumbi envolvendo o seu departamento médico, que estaria utilizando medicamento para emagrecimento dos jogadores que não tinha autorização das autoridades sanitárias brasileiras, além de terem sido compradas de forma suspeita, segundo apuração da Receita Federal.

Em um primeiro momento, o mandatário tricolor afirma, desde a primeira interlocução com os aliados, que não renunciará ao cargo. À reportagem, fontes consultadas relatam que o presidente alega que deixar o posto máximo são-paulino significaria “admitir uma culpa que não tem”.

A resposta parece ter azedado de vez o clima na base aliada de Casares. O AMT apurou que o número de dissidentes que deixaram a chamada ‘coalisão’ cresceu consideravelmente. Por mais que nenhum grupo tenha feito anúncio oficial, a apuração mostra que pelo menos três deles já falam como oposicionistas ao mandatário.

‘Partidos’ antes completamente fechados com Casares, já apresentam rachas. O próprio grupo de Casares divulgou nota dúbia, demonstrando certo tom de preocupação com as denúncias. Cardeais próximos de Casares conversaram com o presidente e o aconselharam a renunciar ao cargo.

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