Revista Colorada
·11 aprile 2026
CBF se mexe nos bastidores e quer acabar com “roubo” no Brasileirão

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“O árbitro veio aqui e nos roubou dentro da nossa própria casa”. Esse tipo de declaração, feita pelo zagueiro David Duarte, do Bahia, após a partida contra o Palmeiras, é justamente o tipo de discurso que a CBF pretende combater, de acordo com informações publicadas pelos jornalistas Igor Siqueira e Rodrigo Mattos no portal UOL, nesta última semana.
Um dos caminhos discutidos pela entidade passa pelo avanço do projeto de liga única e pela melhoria de aspectos ligados ao produto do futebol brasileiro como um todo. A ideia é envolver clubes e demais agentes nesse processo, reforçando que a forma como o campeonato é percebido também depende da postura adotada fora de campo — especialmente nas declarações públicas.
A CBF reconhece que a arbitragem está longe de ser perfeita, mas destacou, em reunião recente com clubes, que a construção de valor da competição exige participação coletiva. Para a entidade, o impacto das palavras é significativo, principalmente quando críticas sugerem má intenção por parte dos árbitros.
Pesquisas internas já indicam que parte dos torcedores tem se afastado dos jogos por perda de confiança na arbitragem. Nesse contexto, a repetição de discursos mais agressivos contribui para reforçar a percepção de falta de qualidade e credibilidade.
Dentro do cenário ideal defendido pela confederação, críticas consideradas excessivas poderiam até resultar em punições aplicadas por um tribunal administrativo próprio, sem depender necessariamente do STJD.

Créditos: Lucas Figueiredo/CBF
O tema também se conecta à discussão sobre a dinâmica do jogo no Brasileirão. Em comparação com ligas como as da Inglaterra, Espanha e Alemanha, o futebol brasileiro apresenta mais cartões, maior número de faltas e um tempo mais elevado de interferência do VAR, além de índices mais baixos de aprovação da arbitragem.
A CBF enfatiza que a responsabilidade pelo espetáculo não é exclusiva dos árbitros. A entidade aponta que práticas como simulações e o chamado antijogo partem dos próprios atletas, enquanto a pressão institucional e a cultura de constantes reclamações influenciam tanto o comportamento em campo quanto o andamento das partidas.
Outro ponto levantado envolve a postura das comissões técnicas à beira do gramado. Um exemplo recente é o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, que será julgado duas vezes no mesmo dia pelo STJD em função de expulsões neste início de Brasileirão.
Após encontro entre clubes e CBF, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, também se manifestou sobre o tema. Ela defendeu maior rigor nas punições não apenas para treinadores, mas também para dirigentes e jogadores que desrespeitem a arbitragem em entrevistas, destacando a necessidade de responsabilidade nas declarações públicas.









































