Dia 15: <i>Speedy</i> Maseko, o herói sul-africano salvo por um português | OneFootball

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Zerozero

·25 giugno 2026

Dia 15: <i>Speedy</i> Maseko, o herói sul-africano salvo por um português

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O «Cromo do Dia» é a rubrica diária dos jornalistas do zerozero durante o Mundial 2026. Há 39 para colecionar - um para cada dia deste que é o maior torneio de seleções de sempre -, no formato de um pequeno artigo centrado numa figura da atualidade ou do passado no Campeonato do Mundo.

Thapelo Maseko joga à velocidade com que vive: em excesso. É um herói frágil, de pés de barro, um tipo complexo. A história de vida ajuda a explicar e a compreender este sul-africano, autor do golo mais importante na história dos Bafana Bafana em Mundiais. 

Speed, speed, ritmo alucinante em campo, pela ala direita, mas também nos ups and downs de uma carreira estranha. Em janeiro de 2026, poucos se atreveriam a colocar o nome de Maseko na lista de potenciais convocados da África do Sul. Tudo mudou por responsabilidade de um português. 


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Desacreditado no histórico Mamelodi Sundowns, onde não entrava nas contas de outro treinador português [Miguel Cardoso], o extremo aceitou o convite para jogar em Chipre. Mudou-se para o AEL Limassol e em poucas semanas passou de patinho feio a belíssimo cisne. 

O mister Hugo Martins viu em Maseko a tal velocidade, por vezes excessiva, e não esperou muito para lançá-lo na titularidade. A 15 de fevereiro, num AEL-Pafos, acabou a espera de Thapelo Maseko

«662 dias sem ser titular num jogo oficial... Aprendi o que é a paciência, aprendi o que é a humildade, percebi quem sou.»

O desabafo do internacional sul-africano nas redes sociais teve toda a razão de ser. Afinal, à velocidade da luz, o rapaz passou de golden boy da seleção nacional às reservas do seu clube, por culpa de uma gravíssima lesão. 

Nos quartos-de-final do CAN 2023, Maseko rasgou o músculo da coxa esquerda e não mais reencontrou o seu nível. Caiu. Caiu e caiu, até o poço parecer não ter mais fundo. Até um português lhe dar a mão. 

«A mãe chorou tanto que tivemos de chamar uma ambulância»

Nascido em 2002, o pequeno Thapelo já não teve de lidar com os horrores do Apartheid. A maior herança de Mandela foi essa. Não condenar à partida uma criança por ter determinada cor de pele. Outro herói. 

Isso não significa que em Sebokeng in the Vaal, onde cresceu, não convivesse com a dificuldade. Longe disso. Motsamai, o pai, era camionista e passava semanas fora de casa. Entregava à mãe a educação e o cuidado dos quatro filhos. 

Thapelo foi obrigado a ser homem antes do tempo, um fast forward entre escola, futebol, brincadeiras e responsabilidades que não deviam ser suas. Daí a exclamação de felicidade de pais e irmãos, por altura da convocatória de Hugo Broos para o Campeonato do Mundo. 

«Quando o nome do meu filho foi anunciado, a mãe chorou tanto que tivemos de chamar uma ambulância», contou o pai à Radio2000, no início de junho, já longe do casebre onde todos viveram até 2023 - a família está agora na elitista Kempton Park, gentileza de Thapelo. 

Marcado pelo Mundial 2010, realizado na sua África do Sul, quis imitar e suplantar os ídolos. Tshabalala, Parker, Pienaar ou os mais velhos Radebe e Benni McCarthy, estes já ausentes nesse torneio. 

Os anos no Supersport United ajudaram-no a aproximar-se desse nível, com golos e exibições de gala. Arrancadas, sprints, remates de pé esquerdo, um futebol a pedir vuvuzelas e festa. 

Não fosse o tal problema físico em 2023, com direito a travagem brusca, talvez estivéssemos a falar de um conto ainda mais rápido. Mais belo. 

Seja como for, Maseko chegou a tempo do Mundial 2026. O golo à Coreia do Sul vestiu-lhe o fato de herói e tornou-o no segundo sul-africano mais jovem de sempre a marcar em Mundiais. 

Atrás apenas de... Benni McCarthy

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