Gazeta Esportiva.com
·1 marzo 2026
Dorival sobe o tom ao comentar possível saída de André e desabafa: “Não vim ao Corinthians para isso”

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O técnico Dorival Júnior subiu o tom e adotou uma postura rígida ao ser questionado sobre a possível venda do jovem André ao Milan após a eliminação do Corinthians na semifinal do Campeonato Paulista. O treinador deixou claro que não quer perder mais peças e indicou que o Timão precisa se impor no mercado, não cedendo aos termos impostos pelos clubes interessados em seus atletas.
“Nós temos que nos definir como equipe. O que nós queremos? A minha opinião foi dada ao presidente, ele já conhece há muito tempo. Eu vim para cá para montar equipes com possibilidade de vencer, de chegar a títulos. Não quero vir para cá para ter que refazer equipes a todo momento. Nós perdemos Martínez, alguns que saíram da Copa do Brasil para cá, e estamos repondo saídas, não contratando. Tem uma diferença muito grande. Enquanto nossos adversários contratam para completarem o elenco, mas qualificando e muito, nós estamos ainda repondo algumas peças que saíram de uma no para o outro. Eu, como gestor, teria a necessidade de uma venda, só que o Corinthians tem que sinalizar ao mercado que ele vai vender a hora que ele quiser, no momento adequado”, afirmou Dorival.
“Um jogador desse nível, com apenas oito, nove jogos feitos com a camisa do Corinthians, ter esse valor é porque ele vale muito mais. O Corinthians tem que se estabelecer, e é o momento de sinalizar ao mercado que estamos aqui para montar equipes para ganhar campeonatos, vim para cá com esse objetivo. Quero melhorar ainda mais essa equipe que já é boa e pode nos dar uma resposta. Temos que ver qual o retorno que queremos: técnicos, de resultados, ou financeiro. Se for financeiro, eu não faço parte desse tipo de processo. Quero vir aqui para fazer o meu melhor e buscando todas as finais possíveis de todas as competições”, prosseguiu.
O Corinthians tem negociações avançadas com o Milan para vender 70% dos direitos econômicos de André por 17 milhões de euros (R$ 103 milhões na cotação atual). O clube ainda ficaria com 20% da mais-valia em uma futura venda. O jogador, porém, só reforçaria a equipe italiana após a Copa do Mundo, em julho deste ano.
“[Por mim], Ninguém sairia. Nós ainda não temos uma equipe formada. Ainda estamos encontrando um encaixe, isso demanda tempo. Não é porque nós ganhamos a Copa do Brasil. Isso já acabou, já ficou lá atrás. Foi do ano passado. A partir desse ano, temos que ter uma equipe mais forte. Teremos um nível de exigência muito maior. Não podemos passar os apertos que passamos no Brasileiro. Daqui a pouco, como agora, temos três jogadores no DM. Nós precisamos de muito mais opções para fortalecer e, aí sim, podemos ser cobrados”, desabafou.
“Do contrário, é muito difícil dar uma resposta acontecendo o que aconteceu no ano passado, com muitos jogadores no DM no mesmo momento. Ou a gente se estabelece ou vamos ficar no meio do caminho. Não vim aqui para isso. Me prometeram uma condição e estou trabalhando para que isso se materialize. Agora, não podemos montar equipe a todo momento. Temos que melhorar aquilo que já temos e, para isso, não podemos perder aqueles que já estão”, acrescentou.
Na visão de Dorival, o Corinthians dificilmente encontrará uma peça de reposição para André, seja no mercado ou na base. A janela de transferências, vale lembrar, será fechada no próximo dia 3 de março.
“Você vende e, com três dias para contratar, contrata quem? Ou você acha que vamos achar outro André no Terrão nesse momento? Nós não temos. Não vamos cair nessa história de que daqui a pouco aparece. Esse garoto ninguém sabia quem era, estava voltando depois de uma lesão muito séria. Eu o vi jogando e percebi que tinha qualidades. O preparamos por quase três meses. Quando lançamos, todo mundo começou a perceber quem ele era. O que eu penso? Ele precisa ficar aqui para crescer, amadurecer, dar um retorno técnico ao Corinthians. Depois disso, aí sim proporcionar um retorno financeiro. Mas antes, tem que passar por esse processo para não bater na Europa e voltar. É isso que temos que pensar. E temos que cuidar desses garotos. E o Corinthians vai vender a hora que quiser vender, e não por qualquer proposta que apareça. É minha opinião apenas. Agora, cada um faz o que acha conveniente”, pontuou.
Dorival também analisou a queda do Corinthians na semifinal do Paulista. O Timão não foi consistente no setor ofensivo e pecou na eficiência, perdendo para o Novorizontino, fora de casa, por 1 a 0. Segundo o treinador, a equipe acertou na estratégia, mas esteve abaixo em termos de conclusão a gol.
“Não é o que não deu certo, foi um jogo disputado. Enfrentamos a equipe que fez a melhor campanha na competição, uma equipe muito agressiva, que tinha a menor valência em posse de bola, mas que ao mesmo tempo mais gols fez. Tivemos que ter um cuidado muito grande. Nós jogamos de uma maneira correta, sempre por fora de bloco. É uma equipe que joga muito em transição, queriam uma bola por dentro, uma retomada e uma chegada. Tivemos um erro mínimo que nos causou infelizmente a derrota, mas foi o único erro que tivemos. Tivemos a mesma jogada no primeiro tempo, que a bola caiu no pé do Bidu, uma batida nas costas do lateral e não fomos felizes”, analisou.
“O que vejo é que estamos no caminho. A equipe jogou de uma maneira consistente, não poderíamos nos abrir excessivamente muito cedo, porque é uma equipe que sabe aproveitar os espaços. Não demos essa possibilidade, mas infelizmente não tivemos uma noite feliz em termos de conclusão. Mesmo que tenhamos tudo a bola nos pés, não fomos efetivos. Novorizontino está de parabéns, merecidamente chega à final do Paulista. Temos que reconhecer e enaltecer quando o adversário tem merecimentos, como foi o caso”, concluiu.
Agora, o Corinthians precisará recolher os cacos, retomando o foco no Campeonato Brasileiro. O Timão terá pouco mais de uma semana de descanso, uma vez que volta a campo apenas no próximo dia 11 de março, quando encara o Coritiba, na Neo Química Arena.









































