«Estamos a falar de uma perda provável de cinco a 15 milhões para o Benfica», diz Nuno Catarino | OneFootball

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·13 aprile 2026

«Estamos a falar de uma perda provável de cinco a 15 milhões para o Benfica», diz Nuno Catarino

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Nuno Catarino, CFO do Benfica, explicou que as águias vão perder dinheiro se o processo de centralização dos direitos televisivos for para a frente tal como está. Em entrevista ao ECO, o vice-presidente e responsável pela área financeira dos encarnados fez um ponto de situação sobre vários temas.

«Com base no cenário de 220 milhões de euros apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de cinco a 15 milhões de euros [por ano] para o Benfica, dependendo de outras variáveis. É uma situação inaceitável para nós, e por isso a nossa abordagem tem sido construtiva - que é a nossa postura natural - mas simultaneamente assertiva», começou por afirmar.


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Com isso, o dirigente demonstrou disponibilidade para o diálogo: «Reconhecemos que para a maioria dos clubes nacionais esta centralização representa uma situação muito complexa. Já existem cinco ou seis clubes que não conseguiram negociar, ou que receberam propostas muito baixas, porque os operadores tiram partido da situação. Em 99 por cento das decisões, o bem do futebol português é o bem do Benfica, e vice-versa.»

«Por isso, defendemos uma centralização voluntária, em que os clubes que assim o desejem se agreguem para, em conjunto, obterem melhores condições. O Benfica não precisa desse processo para ter boas condições de mercado - mas reconhece que, para muitos outros clubes, faz todo o sentido. O valor total de receitas de televisão para as duas épocas chega a 114,2 milhões de euros se incluirmos a publicidade dinâmica no estádio retida pelo Benfica e o contrato de exploração publicitária da BTV», acrescentou ainda.

Ao contrário dos 300 milhões de euros inicialmente previstos, a Liga aponta agora para valores entre os 220 e os 225 milhões de euros.

«O Benfica não precisa da centralização para valorizar o seu produto. Por isso, faria muito mais sentido uma centralização voluntária ou um adiamento do próprio prazo, para dar tempo a que o trabalho preparatório seja feito», referiu.

O financeiro dos encarnados revelou ainda que «o plano dos 500 milhões de euros de receita consolidada», meta definida para o atual mandato de Rui Costa na presidência, «permite ter uma dependência da conta de direitos de atletas bastante mais baixa» do que a situação atual.

Caso com a Lenore Sports Partners

Na mesma entrevista, Nuno Catarino comentou a relação do Benfica com a empresa norte-americana Lenore Sports Partners (LSP), que controla mais de cinco por cento da SAD. Em maio do ano passado, as águias anunciaram que iriam requerer judicialmente da nulidade da transmissão das ações de Luís Filipe Vieira para a empresa.

«Apresentámos o requerimento em tribunal, mas ainda não obtivemos resposta. O processo segue o seu curso. A Lenore é, neste momento, detentora das ações, foram-lhe atribuídas pelo Tribunal. Nós apresentámos o pedido com base no direito de preferência. O Tribunal, na primeira decisão, deixou o processo avançar, sem dar resposta ao nosso pedido», disse.

«Qualquer acionista qualificado tem interlocução connosco. Na qualidade de CFO, tenho contacto com eles e conhecemos as pessoas. Não é um tema de cariz institucional. Cria alguma fricção, porque a primeira coisa que lhes dizemos é que esta situação ainda pode vir a alterar-se», rematou.

Nesta segunda-feira, arranca ainda a emissão obrigacionista, a primeira a cinco anos na história do emblema: «Nós vamos para uma emissão obrigacionista de 40 milhões porque sabemos que podemos pagar os 50 milhões com a tesouraria corrente.»

«O mercado de transferências é sempre gerido de forma independente das emissões obrigacionistas, e não faria sentido que fosse de outra forma», findou.

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