Florentino Pérez ataca o mesmo vírus que o Benfica tem vivido | OneFootball

Florentino Pérez ataca o mesmo vírus que o Benfica tem vivido | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Hugogil.pt

Hugogil.pt

·12 maggio 2026

Florentino Pérez ataca o mesmo vírus que o Benfica tem vivido

Immagine dell'articolo:Florentino Pérez ataca o mesmo vírus que o Benfica tem vivido

O presidente do Real Madrid surpreendeu tudo e todos ao convocar uma conferência de imprensa com todos os meios de comunicação do país. Em Portugal, como era de esperar, apareceram logo os especialistas da moralidade democrática a elogiar a medida e a comparar a situação do Real Madrid com o Benfica e com Rui Costa.

Diziam eles que Rui Costa devia fazer o mesmo. Que devia convocar todos. Que não podia escolher apenas alguns. No fundo, o incómodo não era a transparência. O incómodo era outro. Era haver canais e jornalistas que ficaram de dedo no ar nas conferências do Benfica e que já não entram pela porta grande como entravam antes.


OneFootball Video


Só que a novela durou pouco.

De manhã, diziam que Mourinho tinha falado no pretérito perfeito e que estava a preparar a despedida para correr para o Real Madrid. À tarde, já meteram a viola no saco e passaram para outra narrativa. Afinal, com eleições no Real Madrid, Mourinho já não ia para lá e muito menos seria trunfo eleitoral.

A certeza era tanta que a fonte era uma votação de jornal. Sim, uma votação. Foi isto que andaram a vender como informação. E depois ainda querem ser levados a sério.

Também diziam que Florentino Pérez se ia demitir. Diziam com aquela segurança típica de quem não sabe nada, mas precisa de parecer que sabe tudo. Só que a conferência serviu para outra coisa. Serviu para expor campanhas de imprensa, ruído fabricado e tentativas de condicionar um clube gigante através da pressão mediática.

Curioso, não é?

Os mesmos que em Portugal elogiaram Florentino são os mesmos que passam dias, semanas e meses a fazer ao Benfica aquilo que o presidente do Real Madrid denunciou em Espanha. São os mesmos que vivem de criar polémicas diárias, de fabricar crises, de inventar novelas, de colocar treinadores fora do clube, de colocar jogadores contra treinadores, de colocar presidentes contra adeptos e adeptos contra o clube.

Em Espanha, o Real Madrid começa a sentir aquilo que o Benfica vive há muito tempo. Quando não ganha, aparece logo a máquina. Quando há uma derrota, nasce uma crise. Quando há eleições, surgem salvadores. Quando há ruído, aparecem candidatos, comentadores, jornais, interesses e pequenas agendas à procura de espaço.

A diferença é que no Real Madrid não basta aparecer com meia dúzia de frases feitas, uma máquina de bots, umas contas falsas transformadas em voluntários e uma narrativa de purismo fabricado. Lá, para ser candidato, é preciso ter 20 anos de ligação ao clube e património de 1787 milhões para não transformar uma candidatura num negócio de sobrevivência pessoal.

E aqui entra a parte de que muitos não querem falar.

Os estatutos do Real Madrid são menos democráticos, ou apenas servem para impedir aventureiros? Servem para afastar artistas de ocasião? Servem para travar gente que quer usar um clube gigante como escada para salvar a própria relevância? Servem para impedir que alguém com um pequeno negócio em risco de falir tente transformar o clube num palco pessoal?

É uma pergunta legítima.

Em Portugal, passam a vida a dar lições de democracia ao Benfica. Dizem que tudo tem de ser aberto, que todos têm de ter palco, que todos têm de entrar, que todos têm de falar. Mas quando olham para o Real Madrid, ficam encantados com um modelo onde nem todos podem ser candidatos, onde há exigências duríssimas e onde não basta berrar nas redes sociais para se apresentar como alternativa.

Então afinal em que ficamos?

O Real Madrid é um exemplo ou só é exemplo quando convém atacar Rui Costa?

Também convém recordar outra coisa. Luís Filipe Vieira fez durante anos aquilo que agora alguns elogiam em Florentino. Controlava a comunicação, escolhia momentos, respondia quando entendia, enfrentava ruído quando queria e não dava palco a todos os que viviam de atacar o clube. Na altura, muitos dos que hoje aplaudem Florentino chamavam a isso falta de democracia.

Agora, como é o Real Madrid, já é liderança. Já é pulso. Já é defesa institucional. Já é combate contra campanhas de imprensa.

A hipocrisia é tão grande que já nem tentam disfarçar.

O que Florentino fez foi defender o Real Madrid de uma campanha. O que Rui Costa tem tentado fazer é defender o Benfica de campanhas. A diferença é que, em Portugal, quando o Benfica se defende, dizem que está nervoso. Quando o Real Madrid se defende, dizem que é grandeza institucional.

O vírus é o mesmo. Só muda o país.

É o vírus da intriga diária. Da notícia plantada. Da votação transformada em fonte. Da opinião vendida como informação. Do comentador que deseja a queda para depois dizer que tinha avisado. Do candidato que aparece sempre que o clube perde. Do jornal que vive melhor do caos do que da verdade. Do adepto profissional de redes sociais que passa mais tempo a atacar dirigentes do Benfica do que a defender o Benfica.

E sim, o Real Madrid começa a sentir esse vírus. Mas o Benfica já vive com ele há muito tempo.

A diferença é que lá, para atacar o poder, é preciso mais do que barulho. É preciso estrutura, património, história e capacidade real. Por cá, basta uma câmara, meia dúzia de contas falsas, uns voluntários de ocasião, um discurso inflamado e a ajuda de quem precisa de polémica todos os dias para sobreviver.

Não há grandes lições a tirar entre Real Madrid e Benfica. São clubes gigantes, realidades diferentes e estatutos diferentes. Mas há uma conclusão óbvia: os dois estão a enfrentar o mesmo tipo de doença. Uma doença feita de ambição pessoal, ruído mediático, campanhas organizadas e vontade de chegar ao poder a qualquer custo.

Quanto à democracia, o Real Madrid não dá lições ao Gigante Benfica.

Mas talvez perceba, agora, aquilo que o Benfica tem sofrido há muito tempo.

Quando um clube gigante não vence, aparecem sempre os mesmos. Os que nunca construíram nada, mas querem mandar em tudo. Os que nunca protegeram o clube, mas querem usar o clube. Os que dizem defender a democracia, mas vivem de destruir reputações. Os que gritam pelo bem do clube, mas só aparecem quando o clube está vulnerável.

O Real Madrid está a descobrir o vírus.

O Benfica já o conhece bem demais.

Visualizza l' imprint del creator