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·20 giugno 2026

Maxi Pereira: “FC Porto foi um justo vencedor, fez um ano espetacular”

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Em entrevista ao jornal “OJOGO”, Maxi Pereira olha para o título do FC Porto como uma conquista que devolve naturalidade a um clube habituado a ganhar. Na leitura do antigo lateral uruguaio, a equipa respondeu a um período de mudança com acerto nas escolhas, identidade em campo e uma ideia coletiva acima das individualidades. No balanço final, não deixou margem para dúvidas e garantiu: “Foi um justo vencedor, fez um ano espetacular.”

Campeão pelos portistas em 2017/18, depois de ter trocado o Benfica pelo FC Porto, Maxi Pereira surge agora a interpretar esta nova conquista a partir de uma ligação emocional que diz manter com o clube e com a cidade. O fio condutor das suas palavras é claro: entre a turbulência da transição e a exigência permanente das bancadas, o título aparece como recompensa por um processo que voltou a alinhar o Dragão com a sua própria identidade.


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Confrontado com a ideia de um FC Porto que precisava de voltar a ser campeão, Maxi Pereira recuou ao contexto de mudança e falou de um ciclo que, no seu entender, tornava inevitáveis as dificuldades iniciais.

“A verdade é que o FC Porto já merecia este título há algum tempo. Foi um período de mudanças, que complicou as coisas. Primeiro, e com a saída do querido e amado Pinto da Costa, veio outro presidente, percebia-se que ia custar.”, afirmou. “Mudou depois o treinador, deixando de ser o Sérgio Conceição, que carregava a mística e o portismo. Foram muitas mudanças, também de jogadores, ia ser difícil voltar a ser um clube tranquilo e em maré de títulos, sendo isso o que os adeptos mais querem e exigem, seja quem for a liderar. Pessoalmente, estava ansioso por essa concretização, por todo o carinho com que fiquei dos adeptos e da cidade. Estou contente e a minha família também, estamos todos identificados com o FC Porto.”

Há aqui mais do que nostalgia ou mera simpatia clubística. Maxi descreve um clube a recompor-se por dentro, a tentar reencontrar estabilidade sem perder a pressão histórica de vencer, e coloca-se também nesse retrato, como alguém que continua a sentir o peso afetivo do emblema.

Quando a conversa passou para o relançamento da equipa e para as apostas feitas para a temporada, o antigo internacional uruguaio centrou-se menos nos nomes e mais na coerência entre recrutamento e ideia de jogo.

“Sinto que se reforçaram bem, com jogadores de alta dinâmica, não falo de nome nem de valor económico. Foram jogadores que se mostraram identificados com a maneira de jogar deste treinador.”, sublinhou. “Isso foi o mais importante, ver traduzida no campo a intensidade do técnico. Foi buscar os homens certos, e eles adaptaram-se muito bem. No primeiro jogo viu-se logo uma equipa taticamente organizada e defensivamente alinhada, sendo toda a gente capaz de defender. A mentalidade da equipa levou-nos a pensar nesse FC Porto agressivo e dinâmico de outros tempos. Foi um justo vencedor, fez um ano espetacular.”

Na leitura de Maxi Pereira, o título construiu-se menos no brilho isolado e mais na solidez de uma equipa com traços reconhecíveis desde cedo. O elogio à dinâmica, à organização e à agressividade desenha precisamente a imagem de um FC Porto que voltou a parecer-se consigo próprio.

Questionado sobre o peso do treinador na conquista, Maxi recusou transformar a época numa história de protagonistas individuais e preferiu destacar a força da ideia coletiva, sem deixar de apontar ao topo da estrutura.

“Vi bastantes jogos e gostei de como os encaravam. Não havia um jogador a destacar-se, a equipa era a figura. O treinador transmitiu isso e teve muito mérito.”, explicou. “Mas direi que o maior mérito vem do presidente, que apostou num técnico que, ao perder a liga dos Países Baixos, deixava dúvidas, os adeptos não sabiam o que esperar. O presidente transmitiu confiança ao apostar neste técnico e num conjunto de jogadores, com todas as escolhas bem feitas.”

Fica, no fim, uma hierarquia de méritos que diz muito sobre a forma como Maxi Pereira leu a temporada: a equipa como rosto principal, o treinador como transmissor de uma identidade clara e André Villas-Boas como o decisor que sustentou a aposta. É uma visão de conquista assente em convicção, risco calculado e, sobretudo, coerência.

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