Zerozero
·14 maggio 2026
Metz, o clube que mudou 17 vezes de divisão neste século: «Falta dar um passo em frente na ambição»

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·14 maggio 2026

A Ligue 1 está prestes a chegar ao fim, sendo que um dado já confirmado é a descida de divisão do Football Club Metz. Com uma jornada por disputar, o conjunto orientado por Benoît Tavenot soma apenas 16 pontos - três vitórias, sete empates e 23 derrotas em 33 jogos -, pelo que o clube disputará a Ligue 2 em 2026/27.
Se este dado, à partida, parece bastante negativo, para o clube fundado em 1919 assume-se com algo 'natural'.
Confuso? A explicação é relativamente simples: desde o início do século XXI, a equipa francesa já subiu e desceu de divisão 17 (!) vezes.
Para perceber melhor este fenómeno, o zerozero esteve à conversa com Carlos Freitas, diretor desportivo da equipa francesa na temporada 2015/16.
Antes de partirmos para a conversa com o dirigente, é importante olhar para o que tem sido o trajeto do clube. Desde logo, a instabilidade atual do clube é algo curiosa, isto se se tiver em conta o desempenho do Metz nos últimos anos da década de 90.
Em 1995, a formação do nordeste de França participou na Taça Intertoto e, nos três anos seguintes, marcou presença na antiga Taça UEFA. Na época 1996/1997 chegou mesmo a eliminar o Sporting da competição (3-2 no conjunto das duas mãos).
Centrando atenções no século XXI, os franceses contaram com alguns nomes conhecidos do futebol português.
Além de Carlos Freitas, Laszlo Bölöni, ex-Sporting, conduziu o clube à subida em 2022/23, mas acabou por descer à Ligue 2 na temporada seguinte.
Em Portugal, passou por Sporting, SC Braga e, mais recentemente, pelo Vitória SC. Fora do solo lusitano, aventurou-se pela Grécia, ao serviço do Panathinaikos, Fiorentina em Itália, RFC Seraing na Bélgica e passou ainda pelo Metz, o nosso 'caso de estudo'.
Naturalmente, tentamos perceber junto de Carlos Freitas o porquê destas oscilações.
«O que me parece é que o Metz é um clube que, quando desce, tem condições financeiras que lhe permite ser extremamente competitivo na divisão e normalmente sobe. Na primeira divisão, falta-lhe dar um passo em frente em termos de ambição, de capacidade de olhar para o mercado e até de investimento para ser competitivo com as outras equipas», começou por dizer, indo mais longe:
«Em termos de recrutamento, dá-me ideia de que, independentemente da base que existe no Senegal, que nos últimos anos tem dado ótimos jogadores e excelentes recursos financeiros, o clube precisa de um projeto desportivo mais sólido para ser competitivo na Ligue 1 e deixar de ter estatuto “elevador”. Neste momento, é capaz de ombrear com os melhores em termos estruturais.»
A passagem pelo «histórico francês» foi de apenas um ano. No entanto, foi suficiente para Carlos Freitas colocar o seu nome na história do clube: afinal de contas, o Metz subiu na temporada 2015/16.
Pela estreia num escalão inferior e por «desconhecer os adversários que iria enfrentar», Carlos Freitas optou por apostar na realidade com a qual já estava familiarizado. Graças a este modus operandi, Tiago Gomes, Nuno Reis, André Santos e Daniel Candeias juntaram-se à formação do Metz.
Além dos quatro portugueses, Amido Baldé (natural da Guiné-Bissau), Célestin Djim (recrutado ao FC Porto) e Iván Balliu (ex-FC Arouca), elementos com passagens pelo futebol português, chegaram a França nessa altura.
A época «começou bem», com 16 pontos em 18 possíveis, mas a chegada do inverno 'tramou' a equipa francesa. «Tínhamos uma equipa demasiado leve para a competição e para os campos mais pesados», reconheceu. A pior sequência da época começou no início do mês de novembro e terminou no final de dezembro. Foram seis jogos disputados e apenas um triunfo (quatro pontos conquistados em 18 possíveis).
No último jogo da época, frente ao Lens, o Metz precisava apenas de um empate ou, em caso de derrota, que o Le Havre não vencesse por seis ou mais golos. Com o jogo já terminado e com a derrota frente ao «maior orçamento da Ligue 2», os jogadores, equipa técnica e dirigentes do Metz «aguardaram ansiosamente no relvado» pelo final do jogo do rival. O jogo do Le Havre terminou 5-0 e a festa foi do Metz.
Desde o início do século, outro dado a considerar é o volume de vendas da equipa francesa.
Ismaila Sarr, por exemplo, saiu por 17 milhões de euros para o Rennes. O atleta chegou ao Metz para integrar a formação vindo do Génération Foot, do Senegal, algo que se repete bastante com outros atletas.
Carlos Freitas esteve no Senegal para observar o jogador que hoje vive um bom momento no Crystal Palace. «No Senegal têm uma academia com todas as condições. Isto, juntamente com os bons treinadores e educadores que lá trabalham, faz toda a diferença. Os jogadores chegam ao Metz já num estado de pós-formação», explicou.
Além dos elogios às condições que o clube parceiro tem no Senegal, o dirigente foi perentório em relação ao emblema francês: «Tem das melhorias academias de França.»
O companheiro de equipa de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr, Sadio Mané, assim como Kalidou Koulibaly e Lamine Camara, são alguns exemplos da relação 'Génération Foot-Metz'.
Outros nomes sonantes que rechearam os cofres dos franceses são Miralem Pjanic, Emmanuel Adebayor e Frank Ribéry. A lenda do Bayern München teve uma passagem curta pelo Metz, mas rendeu cinco milhões de euros em 2004/2005.
Este ano, a equipa francesa vendeu dois produtos da sua formação. Arthur Atta, por oito milhões para os italianos da Udinese e Brian Madjo, na altura com 16 anos, por 12 milhões de euros para o Aston Villa.
O perfil do Metz parece ser este. Independentemente da divisão, o objetivo passa por formar e valorizar ativos. E, tendo em conta o passado, nova subida não vai demorar.
*por Luís Mendes







































