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·7 luglio 2026
Morre Benedito Ruy Barbosa: de Pelé ao São Paulo, veja ligação do dramaturgo com o esporte

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Benedito Ruy Barbosa, dramaturgo, escritor, autor de novelas, publicitário e jornalista brasileiro, faleceu aos 95 anos na manhã desta terça-feira (07), em São Paulo, no Hospital do Coração (HCor), devido a complicações de uma doença renal crônica. O autor de novelas de sucesso, como “Pantanal”, “Cabocla”, “Sinhá Moça”, “Rei do Gado” e “Velho Chico”, também teve forte ligação com o esporte durante sua carreira.
Benedito foi jornalista esportivo e cobriu diversos esportes enquanto atuou no ramo, coincidindo com os primeiros anos de Pelé (1940-2022), fator que o permitiu acompanhar a ascenção meteórica do rei do futebol e escrever o primeiro livro sobre o atleta, além de um livro com um acervo de fotos e histórias do ex-jogador; e com o auge do pugilista Éder Jofre (1936-2022). O dramaturgo, torcedor do São Paulo Futebol Clube, também participou do conselho deliberativo do clube.
Benedito Ruy Barbosa teve uma passagem significativa no jornalismo, atuando como repórter, cronista e revisor em veículos como “Gazeta Esportiva”, “Última Hora”, “Manchete” e, principalmente, no jornal “O Estado de S. Paulo”, onde teve uma passagem marcante que o colocou no rol de grandes cronistas esportivos da época, em uma geração de nomes como Nelson Rodrigues, Joelmir Beting e Armando Nogueira.
O período coincidiu com a ascenção e o auge de dois dos maiores nomes do esporte brasileiro em sua época: Pelé e Éder Jofre. O Rei do Futebol ascendeu a partir da segunda metade dos anos 50, após ser revelado no Bauru e iniciar a carreira profissional no Santos, com atuações que logo o levaram para a seleção brasileira e para a conquista do primeiro mundial, em 1958. Já Jofre teve, nas décadas de 1950 e 1960, a consolidação de sua carreira, com títulos nacionais e internacionais no peso-galo.
As conquistas de Éder Jofre, principalmente o tricampeonato mundial em competições de boxe na categoria peso-galo entre as décadas de 1950 e 1960, levaram Benedito Ruy Barbosa a dar o apelido que o pugilista levou até o fim da vida: “galo de ouro“. Foi nesta época que Jofre teve duelos considerados lendários contra pugilistas como Eloy Sanchez e Joe Medel.
O primeiro livro sobre Pelé foi escrito por Benedito Ruy Barbosa: “Eu Sou Pelé“, lançado entre 1961 e 1962, foi uma ideia que partiu de um dos donos da Livraria Francisco Alves na época, que tinha a intenção de fazer um livro sobre o Rei, por mais que estivesse em início de carreira. Foi o primeiro livro biográfico sobre Édson Arantes do Nascimento registrado e lançado.
A obra foi escrita em conjunto com Pelé, durante um período em que Benedito acompanhou a vida do jogador além das coberturas esportivas, sendo registrada em primeira pessoa (a de Édson Arantes, no caso). A obra aborda a infância do Rei do Futebol na cidade de Três Corações, Minas Gerais, e em Bauru, São Paulo, além de mostrar momentos de rebeldia do jogador, farras “limitadas”, relação com o treinador Lula e a importância dos pais, Dondinho e Celeste, para a formação comportamental do jogador no período de ascenção.
Benedito, em uma entrevista ao ge no aniversário de 80 anos de Pelé, em 2020, contextualizou: “O dono da livraria Francisco Alves me chamou para conversar. Cheguei lá, ‘olha, Ruy, precisamos escrever um livro sobre jogador de futebol. Já tivemos Leônidas, Jair da Rosa Pinto… mas queremos um livro sobre Pelé’. Eu falei: ‘Pelé está jogando agora, é um garoto’. ‘Mas já é campeão do mundo, na Europa chamam rei Pelé. Nós temos que fazer’. Eu falei ‘a gente tem que esperar, eu não vou escrever’“. Apesar disso, acabou por produzir a obra inédita do jogador.
Benedito lançou um segundo livro sobre Pelé em 2011, intitulado “Pelé. Primeiro Tempo“. A obra contém 300 fotos do Rei em sua carreira, abordando conquistas memoráveis e situações cotidianas do ex-jogador ao longo da carreira e vida. Junto aos registros fotográficos, há relatos de figuras importantes e ex-jogadores de futebol, jornalistas e políticos sobre momentos com a lenda do futebol.
O dramaturgo foi torcedor assíduo do São Paulo Futebol Clube, Benedito Ruy Barbosa fez parte do conselho deliberativo do clube e se tornou conselheiro vitalício. Benedito também foi abordado em entrevistas e matérias da revista oficial do clube, sendo homenageado com uma camisa que tinha seu nome nas costas, em uma delas. Seu filho, Ruy Maurício Tranquilli Barbosa, também passou a integrar o conselho deliberativo.
Os esportes retratados em suas novelas
Mesmo após se firmar na dramaturgia e no desenvolvimento de telenovelas, Benedito Ruy Barbosa nunca deixou o esporte de lado e o retratou em algumas de suas obras.
Uma delas foi “Pé de Vento”, novela produzida e exibida na Rede Bandeirantes em 1980. A obra aborda a história de Edmar, apelidado de Pé de Vento, que se muda para a capital paulista para realizar o sonho de se tornar um maratonista profissional e vencer a Corrida de São Silvestre. O personagem foi interpretado por Nuno Leal Maia
Outro caso da relação entre suas novelas e o esporte se deu em “O Rei do Gado” (1996-1997), onde Benedito Ruy Barbosa faz uma referência ao jornalista e apresentador Milton Neves por meio de uma citação do personagem Bruno Mezenga, em um capítulo na qual o personagem principal cita Milton como um coronel que visitou em Muzambinho, cidade natal do jornalista. Houve outras menções a Milton no roteiro na qual a Rede Globo cortou, segundo matéria retratada no site Notícias da TV sobre outra ocasião em que o nome de Milton deveria aparecer como referência do roteiro de Benedito, na novela “Velho Chico” (2016).
Anos antes, em 1993, Milton Neves foi citado na novela “Renascer”, por meio do personagem José Inocêncio, também interpretado por Antônio Fagundes. Na cena, Milton é citado como alguém que comprou roças de um grupo de pessoas da classe nobre de Muzambinho.
Tais citações ocorreram por conta da forte amizade entre Benedito e Milton, reforçada por diversas menções do jornalista ao amigo dramaturgo em seu blog, o Terceiro Tempo. Milton, inclusive, se manifestou sobre a morte de Benedito tanto em seu site, quanto nas redes sociais, lamentando a perda com uma das frases: “Descanse em paz, meu amigo”.
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