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Central do Timão

·23 maggio 2026

MP mantém apuração sobre suposto desvio de materiais da Nike no Corinthians

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Por Redação da Central do Timão

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) decidiu dar continuidade às investigações envolvendo o suposto desvio de materiais esportivos da Nike destinados ao Corinthians, mesmo após a Polícia Civil concluir o inquérito sem indiciar suspeitos ou apontar provas concretas de crime. A informação foi publicada inicialmente pelo Uol.

Responsável pelo caso, o promotor Cássio Conserino avaliou que o relatório elaborado pela Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) possui caráter meramente descritivo e não encerra todas as questões levantadas ao longo da apuração. Diante disso, o MP determinou a realização de novas diligências antes de definir se apresentará denúncia ou se arquivará o procedimento.


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Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

O relatório da Polícia Civil foi encaminhado ao Judiciário e ao Ministério Público na última quarta-feira (20), conforme divulgado anteriormente pelo Sport Insider. No documento, a Drade afirma não ter encontrado elementos capazes de identificar responsáveis por eventuais desvios nem comprovar a existência de uma organização voltada à subtração de materiais esportivos fornecidos ao clube.

A investigação teve início após solicitação do próprio Ministério Público, motivada pelo relatório de auditoria interna que apontou suspeitas de desaparecimento de itens enviados pela Nike ao Corinthians e possível comercialização irregular desses produtos.

Ministério Público vê pontos pendentes

Mesmo com o encerramento do inquérito policial, o MP entende que ainda há lacunas a serem esclarecidas. Por isso, a apuração seguirá sob responsabilidade do órgão.

Entre as medidas previstas estão novos depoimentos de funcionários ligados aos almoxarifados do CT Joaquim Grava e do Parque São Jorge. Um dos ouvidos até aqui foi o coordenador de sistemas Reginaldo Nascimento, que relatou falhas no controle interno e irregularidades relacionadas ao desaparecimento de materiais.

O presidente licenciado do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, também prestou depoimento. Segundo apuração do Uol, as informações apresentadas reforçaram a avaliação do MP de que o caso ainda demanda aprofundamento. Outras oitivas devem ocorrer nos próximos dias.

Outro ponto considerado relevante pelo promotor foi a demora na inclusão de documentos internos do Corinthians no inquérito policial. O processo administrativo do clube e a auditoria interna sobre a gestão dos materiais esportivos foram anexados apenas em 18 de maio, dois dias antes da conclusão oficial da investigação conduzida pela Polícia Civil.

A auditoria produzida pelo clube apontou nove não conformidades e sete fatores de risco, além de recomendar melhorias nos mecanismos de controle interno. Apesar disso, o documento não concluiu pela ocorrência de desvios patrimoniais.

Paralelamente, as comissões de ética e justiça do Conselho Deliberativo analisaram o tema em um procedimento ético-disciplinar aberto contra o vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça. Em depoimento à Polícia Civil, o dirigente reconheceu falhas históricas nos sistemas de controle do clube e afirmou que já havia indicado anteriormente a necessidade de aprimoramentos nos processos de inventário.

No relatório final, a Drade também registrou problemas administrativos relacionados ao armazenamento, distribuição e gestão dos materiais fornecidos pela Nike. Entre as inconsistências apontadas estão falhas no controle de estoque, ausência de rastreamento adequado, dificuldades nos inventários periódicos e divergências nos registros de entrada e saída de produtos.

O ex-gerente administrativo Rafael Salomão declarou que, após mudanças estruturais implementadas em abril de 2024, o almoxarifado do CT do futebol profissional chegou a operar sem um sistema apropriado de controle. Segundo ele, a situação só foi regularizada em junho de 2025.

Apesar das irregularidades administrativas identificadas ao longo da investigação, a Polícia Civil concluiu que não havia provas suficientes para responsabilizar pessoas por eventual furto qualificado nem para confirmar a existência de um esquema estruturado de desvios.

O relatório foi assinado pelo delegado Cesar Saad e enviado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora avalia os próximos passos do caso. O órgão poderá optar por três caminhos: apresentar denúncia, solicitar o arquivamento da investigação ou determinar novas diligências, alternativa escolhida neste momento.

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