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·10 giugno 2026

Mundial: 289 jogadores vão representar um país diferente daquele em que nasceram

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À medida que o Mundial 2026 se aproxima, um levantamento dos plantéis de 48 seleções revela um dado impressionante: nada menos do que 289 jogadores convocados vão defender as cores de um país diferente daquele em que nasceram.

Curaçau e Marrocos no topo da hierarquia

Se há um território que personifica a flexibilidade das fronteiras no futebol atual, esse território é Curaçau. O caso é quase absoluto: 25 dos 26 jogadores da sua lista de convocados nasceram nos Países Baixos. Embora Curaçau seja uma região autónoma integrada no Reino dos Países Baixos, desportivamente compete como uma federação independente. Para estruturar a sua equipa, a ilha das Caraíbas recorreu quase na totalidade ao talento nascido e formado em solo europeu. Apenas Tahith Chong, ex-Manchester United, nasceu no país.


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Logo a seguir, no futebol de elite, Marrocos lidera o contingente de futebolistas «estrangeiros», com 22 jogadores nascidos fora do seu território — maioritariamente oriundos de grandes centros de formação em Espanha, França, Países Baixos e Bélgica. Segue-se de perto a República Democrática do Congo, com 21 atletas nascidos principalmente em França, e a Tunísia e Argélia, ambas com 16 jogadores em condições idênticas. 

Os ingleses Michael Olise e Erling Haaland

O topo do futebol mundial está repleto de casos que se inserem neste tema. A maior estrela em foco é, sem dúvida, Erling Haaland. A máquina de golos da Noruega nasceu em Leeds, na Inglaterra, na altura em que o pai jogava na Premier League.

A rota da América do Norte também ilustra bem a realidade, com a grande figura do Canadá, Alphonso Davies, que nasceu num campo de refugiados no Gana, país para onde os seus pais fugiram devido à guerra civil na Libéria. O seu parceiro de ataque, Jonathan David, é natural de Nova Iorque, nos Estados Unidos

Por sua vez, a seleção dos Estados Unidos conta com Giovanni Reyna (nascido em Inglaterra), Sergiño Dest (nascido nos Países Baixos) e Antonee Robinson (nascido em Inglaterra).

Na Europa, a Espanha conta com o central Aymeric Laporte, nascido em França. No Senegal, pilares como o defesa Kalidou Koulibaly e o guarda-redes Édouard Mendy nasceram e cresceram em solo francês antes de optarem pela sua seleção. Mesmo os atuais campeões do mundo, a Argentina, integram jovens promessas nascidas fora de portas, como Giuliano Simeone (nascido em Itália) e Nico Paz (nascido em Espanha).

Desde sempre que a seleção nacional também não é alheia a este mapa sem fronteiras. Desde Deco a Pepe, ou José Bosingwa e até mesmo Nuno Espírito Santo, todos nasceram fora do território nacional, mas escolheram representar a seleção das quinas. Em 2026 vemos mais dois casos semelhantes: o guarda-redes titular Diogo Costa é natural de Rothrist, na Suíça, enquanto o médio Matheus Nunes nasceu no Rio de Janeiro, no Brasil. 

Outro grande destaque europeu é Michael Olise, que nasceu em Inglaterra, mas representa a França, ou a dupla da Croácia formada por Mateo Kovačić (nascido na Áustria) e Mario Pašalić (nascido na Alemanha).

As seleções 100 por cento locais

No extremo oposto deste cenário de trânsito global, existem oito países cujos plantéis são constituídos estritamente por jogadores nascidos «em casa». São eles o Brasil, África do Sul, Chéquia, Colômbia, Arábia Saudita, Áustria, Suécia e Panamá.

O aumento do número de jogadores nascidos fora dos países que representam não é um acaso, mas sim o resultado direto do crescimento da imigração à escala global, algo completamente normal no futebol, com os jogadores a representarem equipas de países diferentes desde sempre. 

O Mundial 2026 limita-se a registar em campo uma realidade que já dita as regras fora dele: um mundo cada vez mais interligado e em constante trânsito. 

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