Portal dos Dragões
·16 marzo 2026
“Para mim é expulsão”: Calado pediu vermelho para Zaidu mas esqueceu-se de também pedir para o Prestianni

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Há frases que dizem tudo. Quando José Calado afirma, sem hesitar, “para mim, é a expulsão”, a propósito de um lance com Zaidu, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a revelar também o filtro com que certas jogadas são lidas no espaço mediático.
O próprio comentário começa por reconhecer o essencial: “acho que o Porto teve sempre o jogo controlado” e “a vitória nem se quer estar em causa”. Ora, se o FC Porto foi superior, se teve o encontro dominado e se tornou a tarefa “fácil”, como o próprio admite, porque é que o foco acaba por cair quase exclusivamente num lance? Pergunta legítima, sobretudo quando a superioridade portista foi, segundo essa mesma análise, evidente.
Calado insiste: “é acima do tornozelo, não é no peito do pé” e reforça que “para mim foi mal analisado”. É uma opinião, claro, e como opinião deve ser tratada. Mas também convém olhar para o padrão com que estas opiniões surgem. Quando o tema envolve o FC Porto, a exigência sobe sempre um grau? E quando há lances duros noutros jogos, com protagonistas de outras camisolas, o tom mantém-se assim tão categórico?
É aqui que a memória recente pesa. No jogo entre Benfica e FC Porto, houve uma entrada de Prestianni sobre Martim Fernandes que muitos consideraram bem mais grave. E, no entanto, onde esteve esta mesma veemência pública a pedir expulsão? Onde esteve o mesmo “para mim, é a expulsão” repetido com esta convicção? A pergunta não acusa ninguém; apenas expõe uma diferença de critério que salta à vista.
Até no meio da crítica ao lance, há um reconhecimento que importa sublinhar: “o Zaidou tem sido um jogador, a meu ver, não muito valorizado esta temporada no Futebol Clube Porto” e “cada vez que joga, diz que estou presente, sou opção”. É um ponto justo. Zaidu tem dado resposta quando chamado, com entrega, profundidade e utilidade competitiva. Nem sempre recebe o devido crédito, mas vai somando sinais de compromisso com a equipa.
No fim, sobra aquilo que realmente contou dentro de campo: “a vitória sentou bem ao Futebol Clube Porto, porque foi a melhor equipa”. E isso, no meio do barulho, é o que fica. O FC Porto impõe-se a jogar, a competir e a ganhar. O resto? Fará sempre parte do ruído que rodeia quem incomoda pela sua grandeza.









































