Paulo Bracks fala sobre onda de ódio no futebol brasileiro, analisa críticas e desabafa: “Eu já chorei demais, já chorei escondido demais” | OneFootball

Paulo Bracks fala sobre onda de ódio no futebol brasileiro, analisa críticas e desabafa: “Eu já chorei demais, já chorei escondido demais” | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Mercado do Futebol

Mercado do Futebol

·23 marzo 2026

Paulo Bracks fala sobre onda de ódio no futebol brasileiro, analisa críticas e desabafa: “Eu já chorei demais, já chorei escondido demais”

Immagine dell'articolo:Paulo Bracks fala sobre onda de ódio no futebol brasileiro, analisa críticas e desabafa: “Eu já chorei demais, já chorei escondido demais”

Pela 8ª rodada do Brasileirão 2026, o Atlético visitou o Fluminense no último sábado (21), e saiu derrotado por 1 a 0. Contudo, a atuação da equipe de Eduardo Dominguez foi elogiada, jogando melhor que o time mandante, mas perdendo grandes chances ao longo do jogo, principalmente pela atuação do arqueiro rival, Fábio.

E nesta segunda (23), em meio a Data FIFA, o CSO alvinegro, Paulo Bracks, participou de entrevista ao CNN Sports, e falou sobre a onda de ódio no futebol brasileiro, desabafando sobre as críticas recebidas e destacou a função de diretor esportivo.


OneFootball Video


Eu já chorei demais, já chorei escondido demais. A gente chora de angústia, de raiva, de vontade de extravasar, porque a gente é achincalhado como se estivesse fazendo de propósito para poder prejudicar uma pessoa, para poder diminuir a vida de uma pessoa. Isso a gente não faz. E isso não se aplica só a mim, não. (…) Os jogadores sofrem muito. Eu creio que nenhum diretor de futebol no Brasil é unanimidade. (…) Para vestir a camisa do Atlético como diretor executivo de futebol, em tudo dentro. Vem pressão, cobrança, crítica, agressão verbal. Eu lido com a crítica que é natural, só que ter ela todos os dias não faz bem para ninguém. Então, eu não quero que isso atrapalhe o meu trabalho. É óbvio que eu recebo as críticas através de um filtro ou através de dia a dia mesmo. Eu mal coloco o pé fora de casa aqui em Belo Horizonte, mas às vezes dentro do condomínio, dentro do prédio, a gente já escuta algumas coisas que são inevitáveis no dia a dia. Mas eu lido bem com as críticas, eu procuro ser leve, eu procuro entender de onde vem. Algumas justas, outras injustas. Eu não respondo às críticas. Eu recebo elas em silêncio. E isso é muito difícil. Você ter essa resiliência, não é qualquer pessoa que suporta. Vários amigos meus e do mercado já não conseguem trabalhar com futebol mais. Há jogadores que hoje estão com dificuldade de continuar sendo jogadores.

O dirigente ainda falou sobre demissões recentes em outros clubes, como a saída de Filipe Luís do Flamengo, e também a rescisão de contrato de Coutinho no Vasco, devido a sua saúde mental e as críticas recebidas como camisa 10 do clube carioca.

“O Philippe Coutinho ele retorna para o Vasco, abrindo mão de parte financeira para ter o sonho de de jogar no clube que ele saiu antes de 20 anos de idade, e ele sai porque ele não aguenta mais. Mentalmente ele está esgotado. O próprio treinador agora do Vasco, o Renato Gaúcho, quando estava no Fluminense, ele fala muito disso de parte mental. É uma falta de respeito que eu nunca vivenciei no futebol o que fizeram com o Filipe Luís. Isso é um exemplo que tem que servir para todos. Eu acho que tratar as pessoas de forma correta, o ser humano e o profissional, é o mínimo que a gente tem que exigir”, declarou.

Por fim, Bracks falou sobre a pressão gerada por ‘formadores de opinião’, os famosos ‘influencers’, e também destacou o impacto da internet e das redes sociais no dia a dia esportivo, com críticas e ofensas.

Hoje a gente tem formadores de opinião que elevam essa raiva, elevam esse ódio da opinião do torcedor. É um cenário sombrio. A crítica engaja muito mais do que o elogio. Hoje em dia existe críticas aos elogios. Quando a pessoa faz o elogio, ela recebe pedra e eu sei que o meu cargo é um cargo de vidraça. Isso é fruto e é retrato desse imediatismo, dessa sanha de ‘hoje serve, amanhã não serve’, das pessoas serem descartáveis. Esse ódio que está disseminado, ele prejudica o futebol sim. Eu não sei até quando o futebol vai conviver harmonicamente com isso. A sociedade está doente, e o futebol é a catarse disso. É uma coisa incrível. A gente vive hoje com uma onda tóxica muito grande do ser humano. (…) A crítica é sempre muito bem-vinda na vida, quando ela é construtiva, quando ela é produtiva, mas há um excesso hoje em algum nível.

Com a Data FIFA nesta semana, o Atlético terá um período mais longo de treinamentos antes do próximo compromisso. O retorno aos gramados será no dia 2 de abril, novamente fora de casa, contra a Chapecoense, em Santa Catarina.

Visualizza l' imprint del creator