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·14 aprile 2026

Procurador do STJD cobra postura do Corinthians e defende punições educativas ao clube

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  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

O empate sem gols entre Corinthians e Palmeiras, no último domingo, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, disputado na Neo Química Arena, segue gerando desdobramentos fora das quatro linhas. Após a partida, vieram à tona diversas denúncias envolvendo jogadores, membros de comissão técnica e até o próprio clube alvinegro.

Responsável por relatar os casos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o procurador Caio Porto Ferreira destacou que o foco da entidade não é apenas punir, mas aplicar sanções com caráter educativo, visando manter o futebol restrito ao campo de jogo.


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Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

“Tenho defendido muito na tribuna, durante os julgamentos, que a Procuradoria não busca a punição de um atleta ou de um clube simplesmente por punir. A Procuradoria quer que o futebol seja jogado limpo, sem reclamações, sem ofensas morais, sem ato discriminatório. Então, tudo o que a Procuradoria quer é que o esporte seja jogado dentro do campo e que não venha para fora dele, para que não seja acionada a Justiça Desportiva”, afirmou, em entrevista ao programa SportsCenter, da ESPN.

Entre os sete apontamentos apresentados pelo procurador, seis são direcionados ao Corinthians, enquanto apenas um envolve o Palmeiras. No caso do clube paulista, foram denunciados o goleiro Hugo Souza (artigo 243-F, por declarações contra a arbitragem), o lateral Matheuzinho (artigo 254-A, por agressão física), os volantes André Luiz (artigo 258, por conduta antidesportiva) e Breno Bidon (artigo 250, por ato hostil no túnel). Também aparecem na lista o preparador de goleiros Luiz Fernando Santos (artigo 257, por envolvimento em rixa) e o próprio clube, enquadrado em diferentes artigos por desordem, atraso de jogo, injúria racial e tumulto. Já o Palmeiras responde apenas com base no artigo 257, referente à participação em confusão.

Um dos casos detalhados por Caio Porto Ferreira foi o de Hugo Souza, que criticou a arbitragem após o clássico. Segundo o procurador, as declarações colocaram em dúvida a imparcialidade do árbitro, o que motivou a denúncia.

“Eu entendi que as declarações do goleiro Hugo Souza questionavam a honestidade ou a imparcialidade do árbitro. Ao citar que ele teria apitado para o seu adversário, ele questionou sua imparcialidade. Tenho feito muitos julgamentos em que muitos atletas, membros de comissão técnica e treinadores questionam de forma muito ofensiva a arbitragem. Existe ali, em campo, um jogador que é o líder, é o capitão. É o capitão que tem que conversar com o árbitro, dialogar, esclarecer alguma coisa. Não é após a partida que o goleiro tem que prestar declarações como essa”, explicou.

O procurador ainda ressaltou que preferia ver os atletas destacando aspectos técnicos do jogo nas entrevistas. “Gostaria de escutar, na entrevista do goleiro, ele falando sobre a excelente defesa que fez; ele fez uma defesa excelente, eu assisti ao jogo e elogiei a defesa dele. Gostaria que os atletas, ao darem entrevistas, procurassem explicar melhor lances do jogo, jogadas interessantes, para que nós, público, aqui na condição de torcedores ou de telespectadores, possamos entender melhor a partida. E não ficar discutindo o que o árbitro fez ou deixou de fazer”, completou.

Apesar das críticas, Hugo Souza teve atuação importante no clássico, realizando ao menos três grandes defesas e sendo peça fundamental para o Corinthians segurar o empate, mesmo com dois jogadores a menos em boa parte do segundo tempo.

Outro ponto abordado foi a expulsão do volante André Luiz, que recebeu cartão vermelho após fazer um gesto obsceno. Para o procurador, a punição precisa servir de exemplo para evitar a repetição desse tipo de comportamento.

“O que eu citei na denúncia são os precedentes. Houve, há duas rodadas, um atleta do Corinthians fazendo um gesto obsceno. Duas rodadas seguintes, outro atleta do Corinthians faz outro gesto obsceno. Ora, se não estamos conseguindo convencê-los a descontinuar essa prática desnecessária, essa prática ofensiva, alguma coisa está errada. Creio que a pena, nesse caso, deva ser pedagógica, para que atletas do Corinthians, ou de qualquer outro clube, não venham a praticar atos obscenos como esse”, declarou.

O episódio ocorreu ainda no primeiro tempo, após uma disputa com Andreas Pereira. Ao se levantar, o jovem de 19 anos fez o gesto em direção ao adversário e acabou expulso após revisão do VAR pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza.

Além disso, o procurador comentou o arremesso de um objeto de pelúcia no gramado, acompanhado de uma bandeira com o número 51, em provocação ao rival. Ele comparou o caso a episódios anteriores envolvendo uma cabeça de porco, defendendo punições mais rigorosas para evitar reincidência.

“Com relação à cabeça de porco, na denúncia citei precedentes de novembro de 2024 e fevereiro de 2025. Em novembro de 2024, foi arremessada uma cabeça de porco no gramado. Em fevereiro de 2025, uma cabeça de porco foi colocada na porta do estádio do Palmeiras. O torcedor de novembro de 2024 foi punido, inclusive criminalmente, mas continua na torcida — ou alguma pessoa dessa torcida —, voltando a jogar objetos no gramado? Agora não uma cabeça de porco, mas sim um objeto de pelúcia? Enfim, precisamos refletir. E a ideia que eu trago para a reflexão da comissão que vai julgar o caso é: ‘Comissão, precisamos adotar uma pena que desestimule práticas como essas’. Esse é o objetivo da denúncia”, afirmou.

A confusão nos bastidores também foi mencionada. Após o apito final, houve um tumulto no túnel de acesso aos vestiários, com participação de atletas e membros das comissões técnicas. Apesar do envolvimento de representantes dos dois clubes, apenas o Palmeiras foi denunciado de forma institucional, sem nomes individuais citados.

Por fim, Caio Porto Ferreira explicou os próximos passos do processo no STJD e indicou que o julgamento deve acontecer em breve. “O próximo passo agora é a apresentação da denúncia junto a uma comissão disciplinar do STJD. O presidente dessa comissão pode receber ou não a denúncia e distribuí-la a um dos auditores que compõem a comissão; após isso, será pautado o julgamento do processo. É bem provável que esse processo seja julgado nesta semana ou na próxima, uma vez que o STJD tem várias sessões previamente agendadas ao longo deste período”, concluiu.

Enquanto aguarda os desdobramentos na esfera esportiva, o Corinthians volta suas atenções para a Copa Libertadores. A equipe entra em campo nesta quarta-feira, às 21h30, quando recebe o Independiente Santa Fe, da Colômbia, na Neo Química Arena, pela segunda rodada da fase de grupos.

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