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·9 maggio 2026

Quando é o Benfica é suspeitas. Quando é o Sporting é mercado

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Uma semana inteira a levarmos com comentadores indignados por causa do alegado interesse do Benfica em jogadores do SC Braga e até no treinador dos minhotos.

Era tudo estranho. Era tudo coincidência. Era tudo pressão. Era tudo tentativa de desestabilização em semana de jogo entre o Benfica e o SC Braga, marcado para segunda-feira, 11 de maio, às 20h15, no Estádio da Luz.


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Durante dias, venderam a teoria. O Benfica, segundo eles, não podia olhar para jogadores do SC Braga. Não podia estar atento ao mercado. Não podia preparar a próxima época. Não podia sequer ser associado a nomes do adversário, porque isso era logo tratado como uma manobra de bastidor.

O problema é que agora começaram a surgir notícias sobre o Sporting interessado nos mesmos jogadores do SC Braga. E o silêncio é ensurdecedor.

A BOLA escreveu que o Benfica já tinha contactos pelo uruguaio Rodrigo Zalazar, com o SC Braga a apontar para 30 milhões de euros. Dias depois, o mesmo jornal avançou que o Sporting “entra com tudo no mercado” e que Frederico Varandas e António Salvador negoceiam precisamente Zalazar, jogador que também estava na agenda do Benfica. O JOGO foi pelo mesmo caminho, escrevendo que o Sporting perguntou por Zalazar e que o Benfica também está na corrida.

Então e agora?

Onde estão os comentadores indignados? Onde estão os guardiões da moral competitiva? Onde estão os especialistas em coincidências? Onde estão aqueles que passaram a semana a dizer que o Benfica estava a criar ruído antes do jogo com o SC Braga?

Ficaram caladinhos.

Porque quando é o Benfica, é agenda. Quando é o Sporting, é mercado. Quando é o Benfica, é pressão. Quando é o Sporting, é planeamento. Quando é o Benfica, é falta de respeito pelo adversário. Quando é o Sporting, é inteligência negocial. Quando é o Benfica, há programas inteiros, suspeitas, sobrancelhas levantadas e frases cheias de veneno. Quando é o Sporting, há normalidade, serenidade e aquela habitual palmadinha nas costas.

É esta a hipocrisia do nosso futebol e de parte da nossa comunicação social.

O Benfica é sempre julgado antes dos factos. O Sporting é sempre desculpado depois dos factos. Ao Benfica atribuem-lhe intenções escondidas. Ao Sporting atribuem-lhe visão estratégica. Ao Benfica cobram silêncio. Ao Sporting oferecem microfones.

Durante uma semana quiseram convencer-nos de que falar em jogadores do SC Braga antes de um Benfica-SC Braga era quase um crime contra a verdade desportiva. Agora que o Sporting aparece associado aos mesmos nomes, já ninguém vê problema nenhum. Já ninguém acha estranho. Já ninguém pergunta se há tentativa de mexer com o balneário. Já ninguém fala em coincidências.

Afinal, o problema nunca foi o interesse em jogadores do SC Braga.

O problema era ser o Benfica.

E é por isso que esta gente já nem tenta disfarçar. Funcionam por camisola, por conveniência e por agenda. O critério muda conforme o emblema. A indignação aparece conforme a cor. O barulho aumenta ou desaparece conforme o clube que está no centro da notícia.

Se o Benfica se mexe, é suspeito. Se o Sporting se mexe, é competente.

Pois então que se diga com todas as letras: o Benfica tem todo o direito de olhar para jogadores do SC Braga, do Sporting, do FC Porto, do Real Madrid ou de onde entender. O mercado não pára porque há um jogo na segunda-feira. Os clubes não deixam de planear a próxima época porque há comentadores a precisar de alimentar novelas. E se o Benfica está interessado em bons jogadores, faz muito bem.

O que não pode acontecer é haver uma cartilha moral para o Benfica e outra para o Sporting.

Uma semana inteira a venderem a ideia de que havia uma coincidência muito suspeita. Agora que a coincidência mudou de camisola, acabou a indignação.

Caladinhos estavam. Caladinhos ficaram.

E depois ainda querem dar lições de imparcialidade.

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