Calciopédia
·21 luglio 2026
Ricky Álvarez surgiu como grande revelação, mas só teve lampejos por Inter e Sampdoria

In partnership with
Yahoo sportsCalciopédia
·21 luglio 2026

Alguns jogadores acabam se tornando símbolos do momento de um clube e nem sempre o que representam é motivo de felicidade para os torcedores. Ricky Álvarez chegou à Inter em 2011 cercado por enorme expectativa, tratado como um dos meias mais promissores do futebol argentino e uma das apostas para conduzir a renovação de uma equipe que tentava dar sequência a um dos ciclos mais vitoriosos de sua história. A convocação para a seleção argentina poucos meses depois parecia confirmar que seu talento estava pronto para florescer em definitivo. No entanto, entre lesões, atuações irregulares e a instabilidade de uma Beneamata que passava por reconstrução, o meia-atacante jamais conseguiu transformar seu potencial em protagonismo e virou uma das faces de tempos difíceis para os nerazzurri. Para o atleta, restaram lampejos de um estilo de jogo elegante e a sensação de que sua carreira poderia ter alcançado voos muito maiores.
Ricardo Álvarez nasceu em 12 de abril de 1988, em Buenos Aires. Canhoto e dono de técnica refinada, atuava como meia-atacante, mas tinha versatilidade para desempenhar diferentes funções no meio-campo e também pelos lados do ataque. Ainda jovem, ganhou o apelido de Ricky Maravilla, enquanto seu estilo elegante de conduzir a bola e romper linhas lhe rendeu comparações com Kaká e Javier Pastore – no Vélez Sarsfield, chegou a ser chamado de “Kaká do Vélez”. Apesar das referências, suas maiores inspirações sempre foram Zinédine Zidane e Juan Román Riquelme, cujas características influenciaram diretamente sua maneira de interpretar o jogo.
Sua trajetória profissional começou no Vélez Sarsfield, time que o abrigou após ser dispensado da base do Boca Juniors por conta de suas características físicas e onde viria a estrear em 2008. Os primeiros passos, entretanto, foram interrompidos por uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho, que retardou sua afirmação entre os profissionais justamente quando começava a conquistar espaço. Recuperado, voltou gradualmente ao time e passou a demonstrar as qualidades que o transformariam em uma das principais promessas do futebol argentino. Com boa condução de bola, facilidade para superar adversários no drible e inteligência para ocupar diferentes setores do campo, tornou-se uma peça importante do clube de Liniers.
A consolidação veio em 2011. No Clausura, foi um dos destaques da equipe campeã argentina – foi seu segundo título nacional como jogador – e também teve papel importante na campanha que levou o Vélez até as semifinais da Copa Libertadores. Capaz de atuar como armador, aberto nas pontas ou até mais próximo dos atacantes, Álvarez oferecia alternativas táticas sem perder sua principal característica: a capacidade de acelerar jogadas carregando a bola e encontrar espaços entre as linhas adversárias. O desempenho despertou o interesse de diversos clubes europeus e, ao mesmo tempo, o colocou definitivamente no radar da seleção argentina.
A Inter venceu essa disputa ao investir cerca de 12 milhões de euros em sua contratação, no meio de 2011. A aposta era significativa. Depois de dominar o futebol italiano durante cinco temporadas consecutivas e conquistar a Tríplice Coroa em 2010, a equipe iniciava um processo de renovação que buscava encontrar novos protagonistas para substituir uma geração histórica, que caminhava para o fim – e que já não conseguira o scudetto em 2010-11, tendo que se contentar com a Coppa Italia. Ricky era visto como um desses nomes. Jovem, talentoso e em franca ascensão, desembarcou em Milão cercado de expectativas. O cenário foi reforçado poucos meses depois com sua estreia pela seleção argentina, em setembro de 2011, com aparições em amistosos contra Venezuela e Nigéria.
A adaptação, contudo, mostrou-se mais difícil do que o imaginado. Sua estreia oficial aconteceu na Supercopa Italiana, perdida para o Milan, mas Ricky encontrou uma Inter bastante diferente daquela que havia dominado o futebol nacional e chegado ao topo da Europa. A equipe mergulhava em um período de instabilidade, trocando treinadores e buscando identidade após o fim do ciclo vitorioso. Em sua primeira temporada, Álvarez trabalhou com Gian Piero Gasperini, Claudio Ranieri e Andrea Stramaccioni, convivendo com constantes mudanças de esquema e de função dentro de campo. Ora atuava como trequartista, ora como segundo atacante ou aberto pelos lados, sem conseguir se firmar em uma posição específica.
Depois de bons momentos na Argentina, Álvarez chegou à Inter como peça para oferecer talento na renovação geracional do elenco (AFP/Getty)
Ainda assim, o argentino deu sinais de por que despertara tanta expectativa. Sob o comando de Ranieri, passou a encontrar mais espaço e marcou seu primeiro gol pela Inter no fim de novembro de 2011, na vitória sobre o Trabzonspor, pela Liga dos Campeões, após boa tabela com Diego Milito. Pouco depois, também balançou as redes pela primeira vez na Serie A e participou diretamente de vitórias sobre Lecce e Parma, contribuindo com gols e assistências em um momento que parecia indicar sua afirmação. Os lampejos, porém, não tiveram sequência. Apesar da qualidade técnica evidente, da facilidade para conduzir a bola e do bom chute de média distância, Álvarez ainda alternava boas atuações com partidas apagadas, refletindo a irregularidade que marcava tanto sua trajetória quanto a da própria Beneamata naquele período. Em 2010-11, o time foi sexto colocado na Serie A e amargou quedas precoces nas copas.
A temporada seguinte, sob as ordens de Stramaccioni, começou dando a impressão de que Álvarez finalmente encontraria seu espaço. Em dezembro de 2012, marcou seu primeiro gol na Serie A na vitória por 3 a 2 sobre o Catania, resultado que parecia coroar uma evolução iniciada nos meses anteriores. Nos meses seguintes, voltou a aparecer em momentos importantes: marcou duas vezes diante da Atalanta e balançou as redes contra a Roma, pela Coppa Italia. Mesmo quando não marcava, seguia contribuindo em algumas jogadas decisivas, explorando sua visão de jogo e a qualidade do passe.
Esses lampejos, entretanto, seguiam sem se transformarem em uma sequência consistente. Álvarez alternava partidas em que mostrava as razões do investimento feito pela Inter com outras em que pouco conseguia produzir ofensivamente. Em alguns momentos, participou diretamente de gols importantes contra equipes como Lazio e Napoli, mas nem mesmo suas boas atuações foram suficientes para alterar o rumo de uma equipe que atravessava uma das fases mais conturbadas de sua história recente. A Beneamata acumulava campanhas decepcionantes, ficava distante da briga pelo título italiano e também fracassava nas competições de mata-mata, cenário que dificultava a consolidação de qualquer projeto de reconstrução. Naquela temporada, foi apenas nona colocada da Serie A e caiu nas semifinais da Coppa Italia com duas derrotas para a Roma.
A terceira temporada do argentino em Milão acabou sendo, individualmente, a mais produtiva. Sob o comando de Walter Mazzarri, passou a assumir maior responsabilidade na construção das jogadas e ganhou um lugar como titular – anteriormente, era peça de rotação do elenco. Ricky encerrou a Serie A com quatro gols e contribuição direta para oito tentos, totalizando 12 participações e estabelecendo seu melhor desempenho desde que chegou ao futebol italiano.
Na temporada concluída pelos nerazzurri na quinta posição no campeonato, Álvarez teve pontos altos já de início: marcou e forneceu assistência na goleada por 7 a 0 sobre o Sassuolo e também deu um passe para Mauro Icardi no empate diante da Juventus. Nas cinco primeiras rodadas, colocou seu nome em cinco jogadas que terminaram com bolas nas redes. Aquela seria a tônica da metade inicial do certame para Ricky Maravilla, que somou 11 de suas 12 contribuições naquele período da campanha. Depois, problemas físicos, o recuo de atacante para meia no 3-5-2 de Mazzarri e a irregularidade minaram seu desempenho.
Ao fim de três temporadas, os números não eram desprezíveis: foram 90 partidas, 14 gols e 17 outras contribuições em tentos com a camisa nerazzurra. O balanço, contudo, permaneceu aquém das expectativas. Contratado para ser um dos protagonistas da renovação da Inter, Álvarez acabou simbolizando justamente um período em que o clube perdeu a hegemonia construída na década anterior e passou a conviver com sucessivas frustrações. Seu talento aparecia em momentos isolados, muitas vezes em derrotas. A falta de regularidade, as mudanças constantes de função e a própria instabilidade da equipe impediram que se transformasse no meia-atacante capaz de liderar aquele novo ciclo.
Ao longo de três anos, Ricky colecionou lampejos e não foi capaz de se firmar como titular absoluto da Inter (AFP/Getty)
Ainda assim, esse desempenho na última temporada pela Inter foi suficiente para levá-lo ao grupo da Argentina que disputou a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e foi vice-campeão mundial. Ricky participou pouco da campanha dos hermanos, entrando apenas no segundo tempo da vitória sobre a Nigéria. Porém, a convocação por parte de Alejandro Sabella representava o reconhecimento de um jogador que, apesar das oscilações, ainda era visto como um nome capaz de oferecer qualidade técnica ao meio-campo da Albiceleste.
Álvarez voltou à Inter depois da Copa do Mundo, mas não permaneceu para o início da temporada. No último dia da janela de transferências, deixou a Itália cedido ao Sunderland, da Inglaterra. A transferência, inicialmente por empréstimo, previa a obrigação de compra caso o clube permanecesse na Premier League, oferecendo ao argentino a oportunidade de reencontrar o protagonismo em um ambiente diferente daquele que experimentou em Milão.
A passagem pela Inglaterra, porém, durou pouco e foi cercada por problemas. Sua estreia aconteceu em setembro, diante do Tottenham, enquanto o único gol com a camisa dos Black Cats veio na vitória por 3 a 1 sobre o Fulham, pela FA Cup. Mais uma vez, entretanto, as lesões voltaram a interferir em sua trajetória. Um novo problema no joelho comprometeu sua sequência e limitou sua participação a apenas 13 partidas no Campeonato Inglês.
Embora o Sunderland tenha evitado o rebaixamento e, teoricamente, estivesse obrigado a adquirir seus direitos econômicos em definitivo, a negociação terminou nos tribunais. O clube inglês alegou que a Inter havia omitido informações sobre uma microcirurgia realizada anteriormente no joelho do argentino e recusou-se a cumprir a cláusula prevista no contrato. A disputa foi parar no Tribunal Arbitral do Esporte, que deu ganho de causa aos italianos e determinou o pagamento de cerca de 10,5 milhões de euros. Em meio ao imbróglio jurídico, Álvarez acabou ficando livre no mercado.
Foi justamente a Itália que lhe ofereceu uma nova oportunidade. Em janeiro de 2016, assinou com a Sampdoria, retornando a um país onde, apesar das expectativas frustradas, ainda havia deixado boas impressões. Sua chegada, contudo, foi adiada por questões burocráticas, impedindo que fosse relacionado para as primeiras rodadas do segundo turno da Serie A. A estreia aconteceu apenas no fim de janeiro, diante do Napoli, enquanto o primeiro gol saiu alguns meses depois, em um empate contra a Fiorentina.
Na equipe de Gênova, porém, o contexto era bastante diferente daquele encontrado anos antes na Inter. A Sampdoria ocupava um patamar intermediário do futebol italiano e buscava temporadas tranquilas na metade da tabela, sem disputar títulos ou vagas nas competições europeias. Além disso, Álvarez encontrou forte concorrência por espaço em um elenco que reuniu, durante sua militância na Ligúria, jogadores como Bruno Fernandes, Patrik Schick, Dennis Praet, Gastón Ramírez, Luis Muriel, Joaquín Correa, Filip Djuricic e Gianluca Caprari. Entre lesões, problemas físicos e a dificuldade para superar essa disputa interna, acabou alternando titularidade e banco de reservas durante praticamente toda a passagem de dois anos e meio pela Samp.
Em sua segunda passagem pelo futebol italiano, o argentino também oscilou na Sampdoria, que frequentava o meio da tabela da Serie A (Getty)
Mesmo assim, não deixou de apresentar alguns momentos de qualidade. Marcou cinco gols em 51 partidas com a camisa blucerchiata e contribuiu pontualmente na criação ofensiva da equipe, embora sua produção tenha sido bem inferior àquela registrada na Inter. Se em Milão ainda alternava períodos de protagonismo com fases discretas, em Gênova assumiu definitivamente um papel secundário, funcionando mais como opção para a rotação do elenco do que como o meia capaz de conduzir o time tecnicamente.
Em 2015-16, sob o comando de Vincenzo Montella, Álvarez foi titular em nove das 18 partidas em que poderia ter atuado, se mostrando relevante. A Sampdoria, porém, ficaria apenas na 15ª posição. Depois da saída do técnico para o Milan e da chegada de Marco Giampaolo, Ricky seguiu importante no elenco, sendo titular no 4-3-1-2 do comandante. Contudo, o argentino foi perdendo espaço com o tempo, o que fica evidente pelo número de aparições nas duas campanhas concluídas igualmente no 10º lugar: 21 e 12, respectivamente. Ao término da temporada 2017-18, o meia-atacante rescindiu seu contrato e, após 51 jogos pelos dorianos, encerrou sua segunda passagem pelo futebol italiano.
Em seguida, aceitou um novo desafio ao acertar com o Atlas, do México. O início foi promissor, mas novamente os problemas físicos impediram que tivesse continuidade: em mais de dois anos, não entrou em campo sequer em 20 oportunidades. Naquele período complicado, restou a Álvarez buscar abrigo no clube que havia lhe acolhido no duro momento da transição dos juvenis ao profissional.
Assim, em 2020, o meia-atacante acertou sua volta ao Vélez Sarsfield. O retorno carregava um peso simbólico para um jogador que surgira como uma das principais promessas do futebol argentino, mas o cenário já era diferente. As sucessivas lesões haviam reduzido sua capacidade física e, consequentemente, sua influência dentro de campo. Embora a experiência acumulada ao longo dos anos ainda fosse útil ao elenco, o protagonismo dos tempos de sua primeira passagem pelo clube já não existia. Em duas temporadas, entrou em campo 27 vezes. E, em conseguir recuperar a sequência de atuações que buscava havia bastante tempo, decidiu encerrar a carreira em 2021, aos 33 anos. Terminava, assim, uma trajetória de “quases”.
Embora jamais tenha atingido o protagonismo imaginado quando deixou o Vélez rumo à Inter, Álvarez construiu uma carreira respeitável, defendendo clubes tradicionais de Argentina, Itália, Inglaterra e México, além de integrar o elenco da seleção vice-campeã mundial em 2014. Ainda assim, seu percurso esportivo não costuma ser lembrado pelos títulos ou pelos números, mas sim pela impressão de que não concretizou o seu potencial. Dono de um talento evidente e de recursos técnicos que poucos contestavam, produziu momentos que justificavam toda a expectativa criada em torno de seu nome, mas nunca conseguiu transformar esses lampejos na regularidade necessária para ocupar o lugar que parecia reservado a ele entre os grandes meias-atacantes de sua geração. Ficamos com a dúvida da “maravilla” que poderia ter sido se não fossem as lesões e a sua incapacidade de encontrar constância mesmo quando estava bem fisicamente.
Ricardo Gabriel “Ricky” Álvarez Nascimento: 12 de abril de 1988 em Buenos Aires, Argentina Posição: meia-atacante Clubes: Vélez Sársfield (2008-11 e 2018-20), Inter (2011-14), Sunderland (2014-15), Sampdoria (2016-18) e Atlas (2020-21) Títulos: Campeonato Argentino (2009 e 2011, Clausura) Seleção argentina: 9 jogos e 1 gol







































