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·11 giugno 2026

Rui Costa disponível para tudo, o jornalismo para quase nada

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Rui Costa esteve lá. Disponível, aberto, sem fugir a nada, até à Media Livre. Quase uma hora de perguntas e respostas. E o que saiu dali? Essencialmente nada que o adepto do Benfica não soubesse antes de se sentar.

Depois de semanas a inventar manchetes, a fabricar episódios diários nas televisões e a transformar a especulação em produto jornalístico, era o momento de mostrar serviço. Havia matéria de sobra. O caso Prestianni, a postura do clube face aos órgãos do futebol português, os direitos televisivos, a avaliação da época, as opções desportivas. Temas concretos, com impacto real na vida do clube.


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O que aconteceu foi outra coisa. As mesmas perguntas repetidas até ao enjoo, como se a insistência pudesse substituir o trabalho de preparação. Há que ser justo: quem perguntou sobre táctica e sobre futebol, esse fez o seu trabalho. Esses são, curiosamente, os melhores jornalistas de desporto que lá estiveram. Não porque sejam simpáticos ao Benfica, mas porque fizeram o que se espera de um profissional, ir preparado, com tema, com substância.

O problema não é só técnico. É quase ideológico. Parece que uma parte da sala não estava agradada com a realidade que tinha à frente, um presidente disponível e sem grandes escorregões, e preferiu insistir na narrativa que construiu durante semanas. Quando a ficção que fabricaste não encontra confirmação, a solução não é mudar de pergunta, é repetir a mesma até cansares o entrevistado. Não funcionou.

E no fim, quem ficou prejudicado não foi o clube. O Benfica não saiu desta conferência com qualquer dano. Saiu o adepto, que esperava respostas sobre temas concretos e vai ter de aguardar pelas assembleias gerais para perceber o que se passa de verdade. Não por falta de vontade do presidente em responder, mas por falta de vontade de quem devia perguntar.

Escrutinar o Benfica é legítimo e necessário. Ninguém aqui defende que Rui Costa deve ser poupado às perguntas difíceis. Defende-se exatamente o oposto, que as perguntas difíceis sejam feitas de verdade, com factos, com contexto, com preparação. O que não serve o adepto, nem o jornalismo, é a encenação de uma pressão que não existe porque as perguntas são sempre as mesmas três.

A próxima vez que houver uma conferência desta dimensão, que alguém leve trabalho feito. O clube estará lá. A questão é se o jornalismo também estará.

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