Central do Timão
·20 giugno 2026
Torcedora do Corinthians faz história na Copa do Mundo ao comandar departamento médico de seleção estreante

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O Corinthians tem uma representante fora das quatro linhas na Copa do Mundo de 2026. Torcedora declarada do clube alvinegro, a médica brasileira Suzanne Huurman entrou para a história da competição ao se tornar a única mulher responsável pelo comando do departamento médico de uma seleção participante do Mundial.
A profissional integra a comissão técnica de Curaçao, equipe que disputa uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. Nascida em São Paulo e filha de holandeses, Suzanne construiu sua trajetória profissional no futebol europeu, acumulando experiências em clubes de destaque, como Real Madrid e PSV, além de trabalhos realizados com seleções de base e com a equipe olímpica da Holanda.

Foto: Reprodução / Instagram
A presença da médica no Mundial representa também um marco para a participação feminina em cargos de liderança dentro do futebol masculino. Em entrevista ao ge.globo, Suzanne comentou sobre a responsabilidade de ocupar uma função inédita na competição e relembrou os desafios enfrentados durante a carreira.
“É uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade ser a única mulher. Quando eu comecei minha carreira na medicina esportiva e no futebol profissional, havia muito poucas mulheres, especialmente no futebol masculino de alto rendimento”, afirmou.
Ao longo da trajetória no esporte, Suzanne precisou lidar com questionamentos relacionados ao fato de ser mulher em um ambiente historicamente masculino. Apesar das dificuldades, a médica afirmou que nunca deixou que opiniões externas determinassem seus objetivos profissionais.
“Ouvi muitas vezes que determinadas funções não eram para mim. Já me disseram mais de uma vez que eu nunca seria capaz de exercer certos cargos porque era mulher. Felizmente, nunca permiti que essas opiniões definissem o meu caminho”, declarou.
A Copa do Mundo de 2026 também marca a primeira participação de Suzanne em um Mundial masculino. Apesar de já ter participado de outros eventos internacionais organizados pela FIFA e dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, ela destacou o significado especial da competição.
“É a minha primeira Copa do Mundo masculina. Já participei de grandes competições internacionais, trabalhei em eventos da FIFA e estive presente nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. Mas estar em uma Copa do Mundo masculina é algo único”, comentou.
A chegada da médica à comissão técnica de Curaçao aconteceu após uma indicação do holandês Casper van Eijck, antigo responsável pelo departamento médico da seleção. A relação profissional entre os dois foi fundamental para o convite.
“Minha ligação com Curaçao começou através do futebol e de uma amizade profissional de longa data. Conheço muito bem o antigo chefe do departamento médico da seleção, o professor Casper van Eijck, que me indicou”, explicou.
Antes mesmo de entrar em campo, Curaçao já havia escrito uma página importante na história do Mundial. Com aproximadamente 160 mil habitantes, o país caribenho se tornou a menor nação a disputar uma edição de Copa do Mundo. Na estreia, apesar da derrota por 7 x 1 para a Alemanha, a seleção viveu um momento marcante ao marcar seu primeiro gol na competição.
Suzanne relembrou a emoção do momento e comparou a energia encontrada no país com características da cultura brasileira.
“O sentimento quando marcamos aquele gol contra a Alemanha foi difícil de descrever. Por alguns minutos, o placar estava 1 a 1 em uma Copa do Mundo. Para um país pequeno como Curaçao, isso é algo muito especial. Foi um momento de enorme orgulho para todos nós: jogadores, comissão técnica, dirigentes e para todo o povo de Curaçao. Existe uma enorme alegria de viver, uma energia positiva e uma paixão pelo futebol que me lembram bastante o Brasil”, disse.
Mesmo vivendo na Europa desde a adolescência, Suzanne mantém a ligação com o Corinthians e acompanha o clube sempre que possível. A médica também comentou sobre a chegada de Memphis Depay ao elenco alvinegro e o impacto do atacante nos Países Baixos.
“Sou corinthiana e continuo acompanhando o clube sempre que posso. Claro que é muito divertido ver Memphis Depay jogando no Corinthians. Na Holanda, ele é um dos jogadores mais conhecidos da sua geração e sua chegada trouxe uma enorme visibilidade para o clube na Holanda”, finalizou.
Após a estreia no Mundial, Curaçao segue em busca do primeiro ponto de sua história em Copas do Mundo. A equipe volta a campo neste sábado (20), às 21h (de Brasília), contra o Equador, pela segunda rodada do Grupo E.
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