Zerozero
·13 maggio 2026
Trabalhou nas obras, mudou-se para os Açores e sonha com o Mundial: «As pessoas estão atentas»

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·13 maggio 2026

É ano de Campeonato do Mundo! E, com isso, todos os jogadores ambicionam impressionar os respetivos selecionadores para garantirem um lugar entre os 26 eleitos dos seus países.
O caso de Djé Tavares não é diferente. Natural de Calheta, em Cabo Verde, o jovem médio tem dado que falar na ilha dos Açores. Aos 22 anos, tem-se assumido cada vez mais no meio-campo do Santa Clara, contribuindo para a fuga do clube aos lugares de despromoção.
No entanto, a vida nem sempre lhe sorriu e, antes de rumar aos insulares, teve de passar pelo trabalho árduo das obras. Hoje, o foco está totalmente dentro das quatro linhas - e o Mundial 26 continua bem presente no horizonte.
Em conversa com o zerozero, o jogador recordou esses tempos, falou da ambição de representar os Tubarões Azuis e relembrou o percurso que o trouxe até aqui.
Em Portugal não há muito tempo, Djé Tavares começou a dar os primeiros passos no futebol luso em 2023, ao serviço da formação do Alverca. Antes disso, tentou a sua sorte noutra equipa.
«Eu vim para cá como estudante, é muito difícil vir para cá só com o visto. Quando cheguei aqui fui fazer testes no Estoril, mas depois parei», começou por explicar, indo mais longe:
«Fiquei uma semana em casa e surgiu o Alverca. Fui treinar e estava lá um mister cabo-verdiano, o Dady Fernandes, que me acolheu muito bem. De lá continuei a trabalhar, mas depois o mister foi embora. Fiquei na mesma e trabalhei com o mister Nelson Antunes, que também era muito bom», contou.
Pese embora tenha seguido com Nelson Antunes para os sub-23 do Santa Clara em 2024/25, o verão que antecedeu essa temporada foi marcante para Djé.
«Trabalhei nas obras em meados de 2024. Fiquei um mês a trabalhar lá por motivos familiares. Tive de ajudar em casa porque estávamos a precisar. Depois, voltei a treinar de novo», afirmou.
Foi aí que «surgiu a possibilidade» de uma vida nova nos Açores: «Era uma excelente oportunidade, visto que o clube tem um projeto muito bom. Tem apostado nos jogadores jovens e foi um passo muito importante para mim.»
Assim, o jovem voltou a mudar-se para outra realidade, que acabou por ser de fácil adaptação - e isso refletiu-se na ascensão ao plantel principal.
«A vida nos Açores é muito boa e as pessoas receberam-me muito bem. Aconteceu tudo muito rápido. Comecei na equipa B, no campeonato de futebol dos Açores, e fiz ainda alguns jogos nos sub-23. Rapidamente surgiu a chamada à equipa principal», referiu.
A estreia pela equipa A do Santa Clara ocorreu no dia 31 de agosto do ano passado, no empate caseiro com o Estrela da Amadora (0-0). O médio foi lançado por Vasco Matos a dez minutos dos 90 - um momento verdadeiramente inesquecível.
«O mister Vasco Matos foi muito importante para mim. Deu-me a oportunidade de me estrear na Primeira Liga e isso não vou esquecer, sou muito grato por isso», declarou, antes de abordar a saída do técnico. «O mister construiu uma história muito bonita aqui no clube, mas o futebol é feito de ciclos», considerou.
Petit acabou por assumir o barco e os resultados positivos começaram a aparecer. Ao mesmo tempo, o cabo-verdiano passou a somar mais minutos. Ainda assim, recusou entrar em comparações.
«Trabalhar com o mister Petit está a ser muito bom. Eu não gosto de comparações, são dois treinadores muito bons, cada um à sua maneira. No entanto, o mister Petit passa-me muita confiança, sinto que acredita muito em mim. Tenho apenas de continuar a trabalhar para continuar a merecer essa confiança», afirmou.
«Eu sou muito focado no meu trabalho. Quando tive a oportunidade, agarrei-a! Acredito muito em mim e nas minhas capacidades», adicionou.
Ainda assim, esta temporada não começou nada bem para os insulares. Depois da prematura eliminação europeia, a equipa açoriana enfrentou a luta pela manutenção ao longo de toda a época, tendo-se vista ainda envolvida numa polémica onde se levantou a possibilidade do clube passar a jogar no continente.
«Temos um grupo muito bom, que está habituado a ganhar. E o segredo [da manutenção] é o trabalho diário e a nossa união, temos um grupo muito forte mesmo», garantiu.
«Isso não passa para dentro do nosso balneário. A nossa administração e as pessoas que trabalham à volta da equipa não deixam que essa distração atrapalhe», assegurou, sobre a questão extra-campo.
A competição de seleções mais importante do mundo está aí à porta e a crença na estreia numa convocatória está mais presente do que nunca para Djé Tavares.
«Acho que qualquer jogador tem o sonho de representar o seu país. Penso que tenho feito uma excelente temporada e acredito que as pessoas estão atentas. Resta-me continuar a trabalhar e fazer as coisas bem; no fim veremos. Representar o meu país é mais do que um sonho, é um objetivo. Vou continuar a trabalhar para atingi-lo», acrescentou ainda.
A boa temporada - duas assistências em 28 partidas - alimenta essas esperanças. No entanto, uma não chamada não seria o fim do mundo para o médio.
«Toda a gente sonha em jogar uma competição como esta e pelo seu país. Mas nesta profissão temos de estar sempre motivados e a querer mais», expressou.
Apesar de não ter feito parte da caminhada na qualificação, a verdade é que o 'camisola 65' foi acompanhando sempre de perto.
«Claro que sofri, é o meu país e foi um momento verdadeiramente histórico para Cabo Verde», evidenciou.
«Acredito que podemos dar uma boa imagem. Já estamos a fazer história só ao estar no Mundial e agora tem de ser jogo a jogo», anteviu, sobre a participação dos Tubarões Azuis na prova onde terão Uruguai, Espanha e Arábia Saudita como adversários.
No final, a única coisa que se pode controlar é o presente. E é precisamente nisso que Djé Tavares está focado.
«Quero continuar a crescer enquanto jogador. Quero ter mais minutos no Santa Clara e, depois, o que vier será consequência do trabalho que estou a fazer agora», rematou.







































