Gazeta Esportiva.com
·24 marzo 2026
Tuma não reconhece afastamento e condiciona saída do Corinthians à ordem judicial

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Romeu Tuma Júnior emitiu uma nota oficial nesta terça-feira e afirmou não reconhecer a validade da votação do Conselho Deliberativo do Corinthians realizada na última segunda-feira, no Parque São Jorge. Os conselheiros decidiram pelo afastamento provisório do presidente do CD.
Tuma disse que a reunião foi convocada em “desconformidade com as disposições estatutárias” e não seguiu o rito previsto no regimento do clube. Ele, portanto, informou que seguirá ocupando a presidência do Conselho e só irá deixar o cargo mediante ordem judicial.
“Em relação à reunião realizada na data de ontem, registro que não reconheço a sua validade jurídica, diante de vícios relevantes tanto na convocação quanto na condução dos trabalhos, em desconformidade com as disposições estatutárias que regem o funcionamento do Conselho Deliberativo.
A convocação não observou o rito previsto no Estatuto Social, e a própria dinâmica da reunião, inclusive com interrupção formal dos trabalhos, agressões verbais a membros diretivos e posterior retomada por quem não detinha competência para tanto, compromete por completo a regularidade do procedimento, afastando a produção de efeitos jurídicos válidos.
Nessas condições, não se configura legal e legítima qualquer restrição à Presidência do Conselho Deliberativo.
Posto isso, consigno permanecer no exercício da Presidência do Conselho Deliberativo, com a prática regular dos atos institucionais e o desempenho das atribuições inerentes ao cargo, e dela somente sairei mediante ordem judicial válida nesse sentido ou por meio de procedimento interno que observe rigorosamente os ritos estatutários, conduta essa que sempre pautou minhas ações na qualidade de Presidente do CD.
Reafirmo meu compromisso com a observância do Estatuto Social, a segurança jurídica e a estabilidade institucional do clube.”

(Foto: Evander Portilho/ Ag. Corinthians)
Ao todo, 137 conselheiros estiveram presentes no encontro. Foram 115 votos favoráveis ao afastamento de Romeu Tuma Júnior e 15 contra, além de sete abstenções.
Inicialmente, a responsabilidade de conduzir a votação seria de Maria Ângela Ocampos, primeira secretária do Conselho Deliberativo. Contudo, ela, que está respondendo na Ética um processo por eventual tentativa de golpe contra Osmar Stabile, decidiu encerrar a reunião por entender que a mesma não seguiu o rito estatutário.
Os conselheiros presentes, porém, deram continuidade à deliberação, momento em que teve a liderança de Rubens Gomes, o Rubão. Eles se basearam no Artigo 12 do Regimento Interno do Corinthians, que versa o seguinte:
“Art. 12ª – A discussão será encerrada quando não mais houver oradores inscritos para o assunto em debate, podendo o Presidente, após três manifestações favoráveis e três contrárias, dar o assunto por encerrado, se lhe parecer que a matéria já está suficientemente esclarecida.
§ 1.ª Com o encerramento da discussão será votada a proposição ou o requerimento, salvo se concedida preferência ou destaque para qualquer emenda;
§ 2. Aprovada a proposta, serão consideradas prejudicadas as emendas que a contrariarem;
§ 3. Rejeitada a proposta, as emendas serão submetidas a votação, salvo se já houverem alcançado sua finalidade“.
O rito seguiu com a formação de uma nova mesa diretiva, presidida por Denis Piovesan, segundo secretário do Conselho Deliberativo do Corinthians. Stabile compareceu ao pleito e sentou-se à mesa. Já Romeu Tuma Júnior não esteve presente, bem como Leonardo Pantaleão, vice-presidente do CD e presidente da Comissão de Ética e Disciplina, que também não reconheceu o afastamento.
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O desentendimento entre Romeu Tuma Júnior e Osmar Stabile ganhou força em reunião para votação da reforma do Estatuto Social, que terminou em bate-boca no Parque São Jorge, no último dia 9 de março. O mandatário do clube acusou o presidente do Conselho de interferir na gestão da diretoria executiva.
Dias depois da confusão, Stabile protocolou um pedido de afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior na Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do Corinthians, com base nos Artigos 27, 28 e 30 do estatuto alvinegro.
Já na última quarta-feira (19), o presidente do Corinthians, sem ter feito contato com o Conselho Deliberativo, convocou a reunião extraordinária do CD com o intuito de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior, tomando como base o Artigo 112, item 6, do Estatuto Social do Timão.
Tuma recebeu com “indignação” a reunião extraordinária do CD convocada por Stabile. Em contato com a Gazeta Esportiva, o presidente do órgão reiterou que não foi comunicado sobre a convocação e classificou o ato de Stabile como uma “manobra golpista”. Ele também falou em “estratégia deliberada” para obstruir o avanço do projeto de reforma do Estatuto do Corinthians.
Tal reunião ainda pode ser incluída no inquérito que apura a necessidade de uma possível intervenção judicial no clube do Parque São Jorge, instaurado em dezembro do ano passado. O entendimento do promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), aponta que os “possíveis atos administrativos irregulares” caminham “na mesma direção de uma eventual intervenção judicial”.
A Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo do Corinthians também se posicionou contra a reunião agendada por Stabile. O órgão se manifestou por meio de ofício, citou o risco de uma possível intervenção judicial e recomendou o cancelamento do pleito.
Na última segunda-feira (23), Tuma ainda processou Stabile por calúnia e difamação em interpelação judicial protocolada na Vara Criminal do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo (SP).









































