Gazeta Esportiva.com
·25 febbraio 2026
Veja o plano das organizadas para acabar com a torcida única em São Paulo

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·25 febbraio 2026

Por Lucas Passoli e Rodrigo Matuck
A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (ANATORG) apresentou, a órgãos públicos e entidades responsáveis pela política de segurança no futebol, um projeto para o fim da torcida única em clássicos no Estado de São Paulo. A Gazeta Esportiva teve acesso ao documento.
A proposta sugere uma transição gradual, baseada em testes controlados. A primeira etapa seria a realização de jogos‑piloto com os visitantes ocupando cerca de 10% da capacidade do estádio, acompanhados por relatórios técnicos que avaliem segurança, logística, fluxo de torcedores, uso de tecnologia e eventuais ocorrências.
O grupo também aponta que o reconhecimento facial obrigatório nos estádios pode ser um aliado.
“Não há mais anonimato no acesso aos estádios. Cada torcedor é identificado, registrado e rastreável, o que torna plenamente viável a responsabilização individual de quem pratica atos ilícitos, eliminando qualquer justificativa técnica ou jurídica para medidas de punição coletiva e permanente. Diante desse avanço, a manutenção de políticas amplas de exclusão — como a torcida única — revela-se desconectada da realidade institucional e tecnológica atual”, apontou a ANATORG.
“O Estado brasileiro, e em especial o Estado de São Paulo, dispõe hoje de instrumentos normativos, operacionais, jurisdicionais e tecnológicos suficientes para garantir a segurança do espetáculo esportivo com duas torcidas, preservando direitos fundamentais e assegurando ordem pública”, completou.
O documento também sugere a venda de ingressos rastreável e restrita a cadastrados. Além disso, no dia do clássico, a concentração em um ponto de encontro pré‑definido, escolta do 2º Batalhão de Choque, rotas específicas e monitoramento reforçado por câmeras no setor visitante.
O projeto foi constituído em conjunto por Claudinho, Presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas, Alex Minduin, ex-diretor do direito e defesa do torcedor no Ministério do Esporte, e Renan Bohus, advogado.
A proposta sustenta que a torcida única não reduziu a violência, apenas mudou onde ela acontece. Segundo o texto, a medida provocou uma “reorganização espacial, temporal e simbólica dos conflitos”, com brigas passando a ocorrer em “bairros periféricos, estações de transporte público, terminais rodoviários, rodovias de acesso às cidades e áreas urbanas distantes dos estádios”, o que tornou a violência “fragmentada, descentralizada e menos visível”.
Com isso, o Estado perdeu capacidade de prevenir confrontos, que passaram a surgir “em datas e horários desvinculados do calendário oficial das partidas” e frequentemente marcados por “agendamentos de confrontos” nas redes sociais.
A Gazeta Esportiva entrou em contato com as principais organizadas de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. O Gaviões da Fiel, do Timão, destacou que trata-se de uma ideia coletiva e afirmou estar cooperando para o fim da torcida única.
“O Gaviões tem participado das discussões e se reunido com Ministério Público e Polícia Militar, contribuindo tecnicamente para que o retorno das duas torcidas aos clássicos avance. O tema ganhou força e segue em análise pelas autoridades competentes. Importante destacar que o Gaviões não possui um projeto próprio sobre o assunto, o debate ocorre de forma coletiva, por meio das entidades representativas e das instâncias oficiais”, enviou a entidade.

Torcedora do Palmeiras ao lado de corintiano (Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)
A Torcida Jovem, do Peixe, também demonstrou o seu desejo para que o projeto avance.
“A Polícia Militar garantiu a operação para assegurar ordem e proteção nas praças esportivas. O Ministério Público reforçou sua atuação na fiscalização do cumprimento das leis e na preservação do bem-estar dos cidadãos. A situação reacende o debate sobre a volta das duas torcidas aos estádios. Com tecnologia amplamente disponível, como biometria facial e sistemas modernos de controle, já passou da hora de garantir que torcedores rivais convivam de forma segura, resgatando a essência do futebol e o espetáculo das arquibancadas”, publicaram os santistas.
“O encontro marcou o início de uma tratativa mais ampla e reforça a disposição das torcidas organizadas em dialogar, colaborar e cobrar responsabilidade das instituições que comandam o futebol paulista. Seguimos trabalhando e lutando pela volta das duas torcidas aos estádios”, completaram.
A Mancha Verde, do Palmeiras, e a Torcida Independente, do São Paulo, não retornaram até o momento da publicação desta matéria.
Os clássicos no Estado de São Paulo contam com torcida única desde abril de 2016.
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